segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Quero a Minha Liberdade de Volta!

Interessantíssimo o artigo escrito, ontem na nm, pela “namorada” do senhor primeiro-ministro, que por acaso é jornalista.

O tema escolhido é, outra vez, o tabaco. Melhor, os fumadores. Tema olhado – não regateio o direito que a senhora tem de o fazer – pelo lado dos não fumadores. Essa “imensa” maioria silenciosa que durante séculos suportou o despotismo dos que apreciam um cigarro.

O curioso é que eu, que tenho mais de década e meia de estrada, que almocei e jantei em mais de um milhar de restaurantes, em todo o Portugal, mas também no estrangeiro, NUNCA testemunhei uma séria tomada de posição dessa maioria. Do estilo: “Não, não vou comer aí, porque o fumo me incomoda… Procuremos outro sítio".


Nunca!
E, não sendo frequentador dos sítios “in” da noite, bastava-me ver as páginas das coscuvilhices nos jornais e revistas mais dados a isso para ler o nome de miríades de “personalidades” que não se importavam de “levar com o fumo” numa qualquer discoteca da moda. Mas agora querem deixar-me, a mim e aos que fumam, à porta dos cafés e restaurantes.

Retardada militância esta, vinda do nada.
Eu disse “interessante” mas a verdade é que o texto é pobre. Não diz nada.

Mas que dá jeito ter na redacção a “namorada” do PM, lá isso deve dar.
Aos dois lados.

E a moçoila, em 3500 caracteres só escreve, de facto, 5 linhas. Onde apela à sublevação dos não fumadores julgando-se, sei lá, uma qualquer Maria da Fonte do Século XXI.
Por onde terá andado esta criatura nos últimos 40 anos? Vá lá… 25…
Quantos cigarritos terá fumado, primeiro às escondidas, depois ostensivamente como parte da sua afirmação como jovem adolescente, universitária… sei lá!

Mas não é esta figura que me preocupa. Um arrufo, a separação e num piscar de olhos estará a escrever contra as medidas mais ou menos autistas do agora seu “mais que tudo”.

É a Lei que continua a preocupar-me. Porque a cada dia desço mais fundo naquilo que ela quer dizer não sem ir esbarrando em incongruências do tamanho da incompetência de quem a traduziu da norma emanada de Bruxelas.
Por exemplo… é proibido fumar nos parques de estacionamento fechados.

Subterrâneos na maior parte das vezes.

Quem nunca esteve já num?
Espaço practicamente não arejado com 10/20 viaturas a entrar e outras tantas a sair ao mesmo tempo. Mais o equivalente a estes números somados de motores ligados enquanto se tiram os sacos para ir às compras – no caso específico das grandes áreas comerciais – ou se transferem as mesmas compras dos carrinhos do supermercado para a bagageira.

Quem nunca esteve num parque destes?
Onde o monóxido de carbono libertado pelas duas ou três dezenas de carros fazem com que nos arda os olhos e que tenhamos dificuldades em respirar. Ainda assim, mesmo que consigamos respirar, é o fumo dos escapes que respiramos.

Pois aí é proibido fumar em nome da qualidade do ar que todos têm que respirar.

Anedótico? Se não fosse tão sério até podia ser…

Mas volto atrás. Em mais de década e meia de viagens sucessivas, de ter a necessidade de comer em restaurantes, NUNCA assisti, ou ouvi falar, de quem tenha recusado entrar porque não estava de acordo com o facto de lá dentro se fumar.

Esquecendo as viagens, aqui mesmo, onde moro, posso dar exemplos mil de quem descia as escadas do prédio onde mora para ir almoçar ao restaurante que ocupa o rés-do-chão. E onde se podia fumar. Não ficavam nas suas casas, onde, eventualmente, ninguém poluía o ar com o fumo do tabaco. Iam meter-se no meio dele.
As mesmas pessoas que agora se riem de mim porque tenho que ir para a rua fumar.

Apesar disso, a “namorada” do senhor Pinto de Sousa – como, com piada, o Hugo Chavéz da Madeira lhe chama – vem, em cinco linhas que justificam toda a página pela qual é paga, apelar à sublevação dos fundamentalistas – “já que temos a fama ‘bora sê-lo, boa?”, como escreve – anti-tabaco.

Só podem ter o cú sentado na cadeira de um café ou restaurante, mas exigem que não se fume em nenhum!

Se é este o conceito de democracia do seu “namorado”… esperem aí que eu já venho.

Democracia era deixar aos proprietários a oportunidade de escolherem se, no espaço que é seu, privado, portanto, deixavam ou não fumar.

E as pessoas, em total liberdade, reencaminhavam-se para onde se sentissem bem.
Os não-fumadores para os locais onde não se fumaria, os fumadores para onde, e ao mesmo tempo que bebem uma bica e fazem as palavras cruzadas no jornal do dia, pudessem fumar o seu cigarrito.

Mas isso da livre escolha por parte de cada um devia ser uma das disciplinas do tal curso de engenharia que o senhor Pinto de Sousa comprou na Universidade Independente.

E como ele não foi às aulas…

1 comentário:

maisumpontodevista disse...

"Olhe que o senhor é o primeiro que me diz isso!". Costuma ser assim em Portugal que qualquer um responde quando alguém faz uma queixa seja do que fôr. O senhor, pelos vistos, não foge a essa regra. Não tenho década e meia de almoços e jantares em restaurantes pela simples razão que sempre tentei evitar comer fora devido ao fumo que iria encontrar nesses locais. (acrescento que posso contar pelos dedos de uma mão as vezes que frequentei os chamados locais de diversão nocturna, pelos mesmos motivos) Claro que nem sempre me foi possível fazer isso, de vez em quando sou forçado a comer fora. (também era mau para a economia nacional se ninguém comece fora, não acha?) E quando isso acontecia era sempre um problema, tentava sempre escolher um local o mais arejado e menos frequentado possíveis, para evitar ao máximo ter o fumo como ingrediente principal do prato. Muitas vezes não o consegui, e muitas vezes, mais do que aquelas que quero admitir, entrei em conflito directo com os fumadores e os donos dos estabelecimentos. Uma vez (só uma!) em confronto directo. Tudo porque quem fuma não respeita minimamente quem não fuma. Ora, não sendo proibido fumar nesses locais, eu não tinha razão para fazer o que fiz. Certo? O certo é que eu fui (sou) forçado a utilizar os restaurantes, muitas vezes não tenho outra opção. Porque razão tenho de comer o fumo do cigarro, e chegar a casa perfumado de alto a baixo com fumo de cigarro?
Com poucas excepções (em menos de década e meia eu já vi algumas!), os fumadores não são respeitadores. Tive muitos conflitos com fumadores que partilhavam o mesmo expresso que seguia da Guarda para Lisboa, e queriam à força fumar o seu cigarro, e não eram capazes de esperar pela paragem seguinte (no tempo em que o expresso parava em vários locais por vários minutos e os passageiros podiam sair para desentorpecer as perna, não sei como é agora). E no combio? Todos os dias, sem excepção. Tanto na Linha de Sintra, como na de Cascais, como na do Norte, na do Oeste, na do Douro... Não havia uma viagem em que não havia conflitos com fumadores que não respeitavam o seu espaço (no tempo em que a carruagem era dividida ao meio para fumadores e não fumadores - como se o fumo soubesse que não podia seguir para a outra metade da carruagem!).
O problema, caro senhor, para poucos tomarem esta atitude foi (é) o medo. Quantas pessoas me diziam "tome cuidado!". Tudo porque o fumador tende a ser agressivo, e assume sempre que o não fumador está, em qualquer situação, a meter-se na esfera privada dele. (a única excepção que conheci - lá está, há sempre uma! - a esta visão foi o meu Pai.) Quase nunca vi um fumador a pedir desculpa por fumar um cigarro num sítio que não devia (mesmo que não fosse proibido; o fumador não tem bom-senso?), por distracção ou por qualquer outro motivo, e a tomar a atitude correcta, apagar o cigarro.
Se eu comer um chocolate prejudico-me a mim directamente. Se fumar um cigarro prejudico directamente todos os que estiverem à minha volta.
Não contesto o seu ponto-de-vista em relação às discotecas e similares. Aí não há obrigações de espécie alguma. Talvez as dos empregados, mas como não conheço esse mundo, não me vou pronunciar em relação a isso.
Pegando no seu exemplo do estacionamento subterrâneo, concordo que esta Lei tem qualquer coisa de perverso. Quando invocam a qualidade do ar que se respira, e pouco ou nada se faz para acabar com a chusma de automóveis a gasolina que todo os dias, todo o dia, poluem os meus pulmões quando eu vou na minha ginga para o trabalho, dá que pensar. Quando não há incentivos para o GPL, pelo contrário, os obstáculos são maiores agora que quando instalei o meu sistema há cerca de 10 anos. Quando querem fazer mais uma porra de uma ponte a ligar a margem sul do Tejo à margem norte só para veículos automóveis, esquecendo os que utilizam a bicicleta como veículo habitual de circulação. Quando projectam estradas só tendo em mente o automóvel, esquecendo os outros meios de transporte, só porque são mais lentos (ou será porque não consomem combustível fóssil?), enfim, tudo isto dá que pensar. Sempre que vou a Lisboa utilizando a minha ginga é uma aflição. Às vezes demoro menos de metade do tempo que um carro a percorrer o percurso entre o Cais do Sodré e a Praça de Espanha. Já me aconteceu isso mais de uma vez. No entanto, nada é feito para incentivar a utilização das bicicletas pelas pessoas que, como eu, podem perfeitamente prescindir do automóvel. Mesmo em nome, ou talvez principalmente, em nome da tal qualidade do ar. Porque é que tem de ser assim?
Peço desculpa pelo longo comentário.
Paulo.