quinta-feira, 5 de março de 2009

Cada Vez Estou Mais Certo Que Não Merecemos Ser Um Povo


O PORTUGUÊS É UMA FARSA...

Mão amiga fez-me chegar este texto que re-publico. E sublinho o desejo do autor, infelizmente já desaparecido... MEDITEM!...

Eu acrescento: ponham a mão na consciência e pensem, será que MERECEMOS MESMO EXISTIR?
Aqui fica o texto:

Eduardo Prado Coelho, antes de falecer (25/08/2007), teve a lucidez de nos deixar esta reflexão, sobre nós todos, por isso façam uma leitura atenta.

Precisa-se de matéria prima

para construir
um País

Eduardo Prado Coelho (in Público)

A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada. Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates.
O problema está em nós. Nós como povo. Nós como matéria prima de um país.
Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro.
Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais.
Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.
Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos ....e para eles mesmos.
Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.
Pertenço a um país:
- Onde a falta de pontualidade é um hábito;
- Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.
- Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e, depois, reclamam do governo por não limpar os esgotos.
- Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.
- Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é 'muito chato ter que ler') e não há consciência nem memória política, histórica nem económica.
- Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar alguns.
Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser 'compradas', sem se fazer qualquer exame.
- Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar.
- Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão.
- Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.
Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado.
Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.
Não. Não. Não. Já basta.
Como 'matéria prima' de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa.
Esses defeitos, essa 'CHICO-ESPERTICE PORTUGUESA' congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até se converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não noutra parte...
Fico triste.
Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos.
E não poderá fazer nada...
Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.
Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, nem serve Sócrates e nem servirá o que vier.
Qual é a alternativa?
Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror?
Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa 'outra coisa' não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados....igualmente abusados!
É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda...
Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias.
Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada Poderá fazer.
Está muito claro... Somos nós que temos que mudar.
Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos:
Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e, francamente, somos tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez.
Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar o responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir) que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido.
Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO DE QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO NOUTRO LADO.
E você, o que pensa?.... MEDITE!


EDUARDO PRADO COELHO
(EPC)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Portugau?!!! Sou Contra...

QUE PREVALEÇA O BOM-SENSO

Já temos o Deco e o Pepe...

Hoje, tudo o que era jornal, com o devido eco nas televisões, nos disseram que o Paulo Assunção - nado do outro lado do Atlântico - nem pensa na selecção do seu país... quer ser candidato a um lugar na NOSSA.

Os mesmos jornais preparam-nos... Lieldson não é descartável por Carlos Queiroz que, já nos avisou, está de olho numa dupla de gémeos brasileiros que actuam no Manchester United...
Seis portugueses com sotaque adocicado!...
NÃO!

E custa-me a crer que Carlos Queiroz, o homem que, SÓ COM LUSO NASCIDOS foi campeão do Mundo por duas vezes, se proponha a desfazer assim a identidade da Selecção de Portugal.
Os clubes já "enterram" os jovens valores nacionais escudados na Lei da Livre Circulação dos Cidadãos da União Europeia e numa outra que privilegia os brasileiros com o estatuto de dupla nacionalidade... e depois porque podem comprar quem quiserem.

Agora alargar isso às Selecções Nacionais...
Não... Sou contra!

PORTUGAL, sim!
PORTUGAU... NUNCA!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Será Mesmo Necessário? Claro Que Não...

A ETERNA MANIA DE ADORARMOS APARECER
COMO FIDALGOS FALIDOS. FALIDOS, MAS FIDALGOS... SEMPRE!

Um País que dentro de menos de sete anos deverá ao estrangeiro mais do que o próprio PIB gerado; um País onde, dentro de menos de sete meses terá 10% de desempregados... um em cada dez portugueses sem emprego... quantos moram no vosso prédio? 30? Três estarão desempregados, sem hipóteses e pagar a hipoteca do andar que julgaram desde sempre ser seu; para não falar do(s) carro(s) que toda a gente dá mais importância a parecer do que a sê-lo; um País que concede facilidades a multinacionais, com significativos benefícios fiscais, em nome da criação de novos postos de emprego, e meia dúzia de meses vê, impotente, essas unidades fecharem as portas criando mais desemprego; isto enquanto carrega fiscalmente nas pequenas e médias empresas nacionais que acabam por ter o mesmo destino; um País perfeitamente à deriva, em termos políticos e, sobretudo financeiros, como não há memória desde 1928, quando um tal Oliveira Salazar só aceitou ser presidente do Conselho se também tivesse a pasta das finanças... este País, que já ameaçou querer organizar uns Jogos Olímpicos, acaba de concretizar a candidatura à realização de um Mundial de Futebol!

E há, claro, quem logo tenha vindo a terreiro defender que isso será relevante para a economia nacional. Que economia? Relevante?

Na melhor das hipóteses teremos nove jogos. Bem negociado, teríamos em Portugal, para além da nossa Selecção, a brasileira, a ucraniana, a romena quiçá, Angola - se se apurassem. Aí poderíamos preencher mais de metade dos lugares oferecidos, mas a parte de leão caberá sempre a Espanha. Até para podermos ter, como se fala, o jogo de abertura, seria necessário convencer a FIFA a fechar os olhos aos regulamentos porque não temos estádio nenhum que observe as condições pedidas (mais de 80 mil lugares). Não me venham dizer que vão acrescentar algum dos três únicos candidatos.

Que o Turismo beneficiaria com a co-organização do Mundial... Nada de mais falacioso.
Ou nos mexíamos nos bastidores para poder ter cá as selecções que mencionei, porque é significativo o número de originais daqueles países imigrados em Portugal, ou, quem é que vindo do Norte da Europa, América ou Oceânia não vai ter como primeira escolha o ficar em Espanha?

Mas até me alarguei mais do que aquilo que pretendia.
E que se resume a uma frase:
Este País está a precisar de tanta, tanta coisa... menos de um Mundial de Futebol.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Foi Triste!...

DECISÃO QUE É PRECISO TOMAR EM CONSCIÊNCIA

Chamem-me "bota de elástico", démodé... chamem-me careta... na verdade, chamem-me o que quiserem.
Estou-me perfeitamenta nas tintas...

Há 35 anos a televisão que tínhamos não tinha mais do que dois canais.
O primeiro abria com o Telejornal da hora de almoço e fechava às 2.30 da tarde para que, a partir das 15 e até às 19 se transmitisse a Telescola.
Os vossos papás que vos expliquem o que era isso.

Depois reabria às 19.30 até à meia-noite.
Tocava o Hino Nacional, com a imagem da bandeira soprada pelo vento.
O segundo canal só emitia cinco a seis horas por dia.
Das 18 às 23 ou 24.
E a televisão era a preto e branco,.

Os "Gatos Fedorentos" ainda não tinham nascido, e o Herman José andava à procura do seu espaço, vagueando entre canções hiper-pimba (como o Saca o saca-rolhas) e o papel secundário no "Senhor Contente e o Senhor Feliz", cuja principal figura era o meu conterrâneo Nicolau Brayner...

Mas já havia programas de humor.
Naturalmente, muito diferentes dos de hoje.

E, para além do Raúl Solnado - figura mor (espero que o não esqeçam na hora devida) - havia um brasileiro que nos fazia rir.
Badaró!
Só. Um nome só...
Badaró.
E quanto eu me ri nos seus programas...

Eram diferentes. Concedo que nem sequer percebiámos o quanto era diferente. Mas era.
E a gente gostava.

Evoluiram os tempos, cavou-se um certo fosso entre o humor "antigo" e a nova maneira de brincar com coisas sérias. Que posso dizer? Nada contra.

Mas não se esqueçam que falei lá atrás do Raúl Solnado, para mim a grande referência do humor, tanto na rádio como na TV.

De qualquer modo, este artigo visa deixar aqui a minha mui pessoal homenagem ao Badaró.

Morreu, vítima de cancro, no início da semana.
No momento - em tantos casos despudoradamente aproveitado por terceiros para se mostrarem - que é o do último adeus, Badaró teve... quatro antigos colegas a acompanhá-lho no velório.

Claro que a televisão não se interessou. Se o tivesse feito teria arrajnado muita boa gentinha que só quer aparecer...
Mas não...

Factos:
Badaró morreu, vítima de cancro...
as televisões não se interessaram e ele não teve mais do que quatro - procurem o Correio da Manhã - ex-colegas a prestar-lhe a última homenagem.
Mas há ainda outra coisa que é preciso sublinhar...

O Badaró foi suficientemente generoso para, ainda em vida, é evidente, doar o seu corpo à ciência.

Isto é... nem enterrado, nem cremado.
O corpo do Badaró será preservado o tempo que for possível para que os futuros médicos - no caso, da Universidade Católica - poderem trabalhar nele.

Quantos, entre todos os cidadãos nacionais , serão capazes de um gesto tão desprendido como este?

A mim convenceu-me.
Não quero apodrecer dentro de um caixão... por isso estava a preparar a minha cremação. Agora parei. E estou a ponderar a possibilidade de deixar os futuros médicos-cientistas retraçarem-me o corpo morto. Quem sabe, depois de dissecado, quantas portas não posso abrir para a salvação de terceiros?

E, francamente, deixar-me apodrecer seria a pior maneira de marcar a minha passagem por esta vida.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Está Idenficado... Não o podemos mandar para a China?

Acabo de ouvir/ver, um alarve - cujo nome não fui a tempo de apanhar - ameaçar, não o Governo, que este, no fundo, no fundo, está-se mesmo nas tintas, mas centenas de milhares de famílias.

Não foi ontem, com a presentação da proposta de aumento do Salário Mínimo Nacional (SMN), que, tal como desde há três anos já o sabíamos, o Governo do "engenheiro" Pinto de Sousa "abriu" a caça ao voto para as próximas eleições.

O Governo aponta para um aumento de... 24 euros mensais, em relação ao SMN... metade do montante que dois senhores e uma senhora. administradores de uma empresa municipal, de Lisboa, deixavam, por norma, como gorjeta, nos restaurantes de luxo onde andaram a desbaratar o nosso dinheiro, porque somos nós quem, efectivamente, pagou aqueles almoços e jantares de 400,00 €.

Mas este é outro assunto.

O que está em causa é que um desqualificado - com o apoio da RTP (porque foi onde o vi/ouvi) - vem dizer que se o SMN subir 24 euros/mês, as PME, que, aparentemente representa, não renovará mais nenhum contrato a prazo e fará "engordar" o número de desempregados no País. E tem a lata de dizer que não está a fazer chantagem.

Não apanhei o nome do... coiso, mas a RTP têm-no.
Acho que, individualmente, posso processar este individuo por ameaça de atentado doloso contra o Estado, sendo que será o Estado que vai ter que pagar o Fundo de Desemprego. Mas antes de mim está o... Estado.

Este... senhor, no tempo da outra senhora já tinha uma equipa da PIDE a vasculhar-lhe a vida privada e empresarial. E de certeza que se lhe iam encontrar pontos fracos.
Lamento ter de falar na PIDE, mas há figurinhas - e figurões - que mereciam que ela ainda existisse...

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Obrigado Senhor Luís Felipe Scolari

Começou há três minutos o jogo dos quartos-de-final do Europeu dos Alpes.
Faço questão de escrever este artigo antes do final do “mata-mata” que hoje teve início; a partir de hoje, quem perder vai para casa. Já só estão oito selecções em prova. Portugal é uma delas e está nesta fase de Campeonatos da Europa e do Mundo pela quarta vez. Desde que Luís Felipe Scolari tomou conta da Equipa de Todos Nós.

Sou, confessamente, pró-Scolari.
Sei que custou ao erário público muito dinheiro, mas para além de o não invejar, sou capaz de cometer o “sacrilégio” de escrever que mereceu todos os cêntimos que ganhou.

Primeiro, fez jus ao seu apelido (apelido, em português do Brasil é o mesmo que alcunha, no português da Europa): Sargentão.


Quando se é contratado, quando se é nomeado para mandar, quem não quer ver-se fragilizado tem que mandar. Abaixo dele, mas também acima. Ele não pediu para ser o Seleccionador. Não deve favores a ninguém.

Antes que avance o cronómetro neste jogo quero deixar a minha opinião. Aqui a pouco mais de hora duas horas, Portugal pode estar de malas aviadas de regresso.

Se isso acontecer, adivinho que os muitos que foram “obrigados” a “engolir” a forma de ser de Felipe Scolari aparecerão a destilar todo o veneno guardado ao longo destes últimos anos. Não têm razão.

E a prova é que, nestes últimos anos o futebol português galgou degraus, guindou-se a patamares nunca antes alcançados graças… à Selecção.
Mesmo jogadores individuais cresceram, muito, graças à presença assídua na Selecção.

Sou directo: não há no mercado nenhum treinador capaz de substituir Scolari e vale-nos o facto de os “padrinhos” da Máfia interna estarem neste momento tão preocupados em salvar os seus anéis que, provavelmente, não vão ter tempo para se imiscuir na escolha do próximo técnico.

Espero, sinceramente espero, estar a “ler” correctamente a actual conjuntura do futebol português porque não confio nem um pouco no senhor Madaíl, este sim, um exemplo típico do português, no genérico: inseguro, sem capacidade de decisão, sem espinha dorsal; pronto para qualquer exercício de contorcionismo desde que… preserve o seu “tachinho”.

Jamais teremos um seleccionador como Luís Felipe Scolari.
É que até pode surgir um outro, até português, que seja capaz de se mostrar líder indiscutível, mas estará sempre em desvantagem em relação ao brasileiro. Primeiro, porque acima dele haverá inevitavelmente quem vai achar que pode ganhar um espaçozinho um pouco mais mediático. E fazer merda, ou dizer baboseiras, para o conseguir.

Ø A Alemanha acaba de marcar o primeiro golo…

Espaço que Scolari pura e simplesmente blindou. Não fora as constantes nuances nos tons da cor com que Madaíl pinta o cabelo, e quase teria passado despercebido.

Depois, nem o “bobo-mor” da corte, o senhor Jorge Nuno Pinto da Costa – homem inteligentíssimo – se arriscou por aí além a imiscuir-se no trabalho de Scolari.

Ainda falta uma hora e dez minutos para terminar esta partida, estamos a perder. Se perdermos… é o adeus de Portugal. O adeus de Scolari.

E eu tinha que deixar aqui, antes que isso aconteça, a minha posição.
Sorte Portugal!

PS: A quem teve a "coragem" de "exigir" que Scolari pedisse públicas desculpas a Vítor Baía e a Maniche... deixo um desafio: que tenha a coragem de exigir que o FC Porto peça desculpas a Fernando Gomes (o bi-bota d'ouro), e também a Vítor Baía, que não foi Campeão do Mundo de sub-20 porque o clube não deixou.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Como Uma Mentira se Transforma Em Verdade

Toda a gente sabe do velho dito Uma Mentira Repetida Até À Exaustação, Acabará Por Ser Aceite Como Verdade.

Estamos a assistir a isso sem que, aparentemente, ninguém se tenha apercebido do que se está a passar. Pior do que isso, quem tem como missão Informar, certamente por não estar minimamente preparado para o fazer – e esta seria a explicação mais… aceitável -, está a contribuir para fazer passar uma mensagem de todo falaciosa.

E tudo começa numa coisa tão simples quanto isto: qual é a diferença entre uma Greve – instrumento ao serviço dos trabalhadores, previsto e aceite pela Constituição Portuguesa - e um LockOut, manobra utilizada pelos patrões para impedirem os trabalhadores de levar a cabo o seu trabalho, instrumento liminarmente proibido (n.º 4 do Artigo 57) pela Constituição Portuguesa.

Quem está paralisar e a obrigar os trabalhadores por contra de outrem a serem solidários à força, podem até ser pequenos industriais, que facilmente se confundem com aqueles, mas não deixam de ser os seus próprios patrões. E são estes que estão a querer paralisar o País.

E reparem como a organização patronal do sector – que, como é evidente, não congrega os patrões de um só camião, e conduzido por eles próprios – tem tentado negociar. É evidente que as grandes empresas de transporte estarão melhor preparadas para enfrentarem a crise que se vive, ao contrário de quem trabalha por conta própria que, até para conseguir alguns fretes (frete = serviço contratado) se obrigam a ter uma muito mais pequena margem de lucro. Logo, sentem mais problemas destes, como o do galopante aumento do preço dos combustíveis.

Aquilo que não se disse, nem creio que venha a dizer-se, é que os camionistas mais renitentes em aderir à greve, são trabalhadores por conta de outrem que, e porque, de facto, o que está a acontecer não é uma greve, não estão legitimados para deixar de cumprir os compromissos contratuais para com o seu empregador.

A história dá pano para mangas. Em Portugal, principalmente em Portugal, mas em Espanha os números aproximar-se-ão muito da nossa própria realidade, grandes transportadores descobriram aqui há uns anos que uma excelente forma de reduzirem os encargos com pessoal assalariado, sem deixarem de poder somar lucros muito semelhantes, seria convidaram motoristas dos seus quadros para se desvincularem e começarem a trabalhar por conta própria.


Mais, podiam até levar os camiões, que iriam pagando conforme pudessem.
Para fazer face a este compromisso, há quem trabalhe 12, 14 horas consecutivas, arriscando tudo. Uma pesada multa por infracção ao regulamentarmente estabelecido e, quantas vezes, a sua vida e a de terceiros, por cansaço.

Não sei se perceberam alguma coisa do que escrevi. Mas uma coisa é líquida: estamos perante um acontecimento perfeitamente desenquadrado da Lei, que atenta contra ela, e para ser mais claro ainda, bastaria adiantar que a Liberdade de cada um termina onde começa a Liberdade dos outros.

Depois, está a acontecer aquilo que sempre acontece quando um grupo mais ou menos desorganizado, mas suficientemente numeroso se junta e transforma em corajoso o mais reles dos cobardes.

Apedrejar colegas de profissão, intimidá-los, sem mesmo se preocuparem com o facto de o estarem a fazer frente à maior janela do Mundo, que são as televisões, cortar tubos dos hidráulicos dos travões… puxar fogo a camiões de colegas de profissão, é algo só possível quando a turba chegou a um ponto de insanidade que começa a perfilar-se como séria ameaça à ordem pública.

Ainda agora acabo de ouvir/ver no Telejornal da RTP que a ANTRAM continua a negociar com o Governo e já por diversas vezes o acordo esteve à beira de ser concretizado.
A ANTRAM é a associação patronal.

Dos grande patrões, dos que têm 100, 150, 200 camiões.
A quem, 20 cêntimos de desconto/litro em 3000 litros de gasóleo/dia, e desconto também nas portagens, ainda dá uma maquia de poupança significativa.

Para quem só tem um camião… é nada.
Mas isso não lhes dá o direito de imporem, à força, aquilo que eles tomam como uma luta justa. Não é.

Eu, acho, sei do desespero desta gente. É semelhante ao dos largos milhares de cidadãos que têm a sua casa ameaçada, porque começa a não haver dinheiro para pagar as prestações aos bancos que ajudaram a comprá-la; provavelmente, também eles estão nesta condição, à qual acresce a necessidade de continuar a pagar o camião a quem os iludiu com a possibilidade de, em vez de ganharem um ordenado, se transformassem em patrões de si mesmos.

Leva muitos anos a pagar o camião e até este não estar pago os lucros são quase zero.

Mas não podem forçar ninguém a ser solidário com a sua legítima angústia. Perdem toda a razão.

E o País não pode dar-lhes razão quando é evidente que a luta é de todo particular. Lamentamos. Até somos capazes de ser solidários, mas não queiram obrigar-nos a sê-lo à força.
Não têm esse direito.
Tenham paciência, mas não têm!