Toda a gente sabe do velho dito Uma Mentira Repetida Até À Exaustação, Acabará Por Ser Aceite Como Verdade.
Estamos a assistir a isso sem que, aparentemente, ninguém se tenha apercebido do que se está a passar. Pior do que isso, quem tem como missão Informar, certamente por não estar minimamente preparado para o fazer – e esta seria a explicação mais… aceitável -, está a contribuir para fazer passar uma mensagem de todo falaciosa.
E tudo começa numa coisa tão simples quanto isto: qual é a diferença entre uma Greve – instrumento ao serviço dos trabalhadores, previsto e aceite pela Constituição Portuguesa - e um LockOut, manobra utilizada pelos patrões para impedirem os trabalhadores de levar a cabo o seu trabalho, instrumento liminarmente proibido (n.º 4 do Artigo 57) pela Constituição Portuguesa.
Quem está paralisar e a obrigar os trabalhadores por contra de outrem a serem solidários à força, podem até ser pequenos industriais, que facilmente se confundem com aqueles, mas não deixam de ser os seus próprios patrões. E são estes que estão a querer paralisar o País.
E reparem como a organização patronal do sector – que, como é evidente, não congrega os patrões de um só camião, e conduzido por eles próprios – tem tentado negociar. É evidente que as grandes empresas de transporte estarão melhor preparadas para enfrentarem a crise que se vive, ao contrário de quem trabalha por conta própria que, até para conseguir alguns fretes (frete = serviço contratado) se obrigam a ter uma muito mais pequena margem de lucro. Logo, sentem mais problemas destes, como o do galopante aumento do preço dos combustíveis.
Aquilo que não se disse, nem creio que venha a dizer-se, é que os camionistas mais renitentes em aderir à greve, são trabalhadores por conta de outrem que, e porque, de facto, o que está a acontecer não é uma greve, não estão legitimados para deixar de cumprir os compromissos contratuais para com o seu empregador.
A história dá pano para mangas. Em Portugal, principalmente em Portugal, mas em Espanha os números aproximar-se-ão muito da nossa própria realidade, grandes transportadores descobriram aqui há uns anos que uma excelente forma de reduzirem os encargos com pessoal assalariado, sem deixarem de poder somar lucros muito semelhantes, seria convidaram motoristas dos seus quadros para se desvincularem e começarem a trabalhar por conta própria.
Mais, podiam até levar os camiões, que iriam pagando conforme pudessem.
Para fazer face a este compromisso, há quem trabalhe 12, 14 horas consecutivas, arriscando tudo. Uma pesada multa por infracção ao regulamentarmente estabelecido e, quantas vezes, a sua vida e a de terceiros, por cansaço.
Não sei se perceberam alguma coisa do que escrevi. Mas uma coisa é líquida: estamos perante um acontecimento perfeitamente desenquadrado da Lei, que atenta contra ela, e para ser mais claro ainda, bastaria adiantar que a Liberdade de cada um termina onde começa a Liberdade dos outros.
Depois, está a acontecer aquilo que sempre acontece quando um grupo mais ou menos desorganizado, mas suficientemente numeroso se junta e transforma em corajoso o mais reles dos cobardes.
Apedrejar colegas de profissão, intimidá-los, sem mesmo se preocuparem com o facto de o estarem a fazer frente à maior janela do Mundo, que são as televisões, cortar tubos dos hidráulicos dos travões… puxar fogo a camiões de colegas de profissão, é algo só possível quando a turba chegou a um ponto de insanidade que começa a perfilar-se como séria ameaça à ordem pública.
Ainda agora acabo de ouvir/ver no Telejornal da RTP que a ANTRAM continua a negociar com o Governo e já por diversas vezes o acordo esteve à beira de ser concretizado.
A ANTRAM é a associação patronal.
Dos grande patrões, dos que têm 100, 150, 200 camiões.
A quem, 20 cêntimos de desconto/litro em 3000 litros de gasóleo/dia, e desconto também nas portagens, ainda dá uma maquia de poupança significativa.
Para quem só tem um camião… é nada.
Mas isso não lhes dá o direito de imporem, à força, aquilo que eles tomam como uma luta justa. Não é.
Eu, acho, sei do desespero desta gente. É semelhante ao dos largos milhares de cidadãos que têm a sua casa ameaçada, porque começa a não haver dinheiro para pagar as prestações aos bancos que ajudaram a comprá-la; provavelmente, também eles estão nesta condição, à qual acresce a necessidade de continuar a pagar o camião a quem os iludiu com a possibilidade de, em vez de ganharem um ordenado, se transformassem em patrões de si mesmos.
Leva muitos anos a pagar o camião e até este não estar pago os lucros são quase zero.
Mas não podem forçar ninguém a ser solidário com a sua legítima angústia. Perdem toda a razão.
E o País não pode dar-lhes razão quando é evidente que a luta é de todo particular. Lamentamos. Até somos capazes de ser solidários, mas não queiram obrigar-nos a sê-lo à força.
Não têm esse direito.
Tenham paciência, mas não têm!
quarta-feira, 11 de junho de 2008
sexta-feira, 6 de junho de 2008
E Os “Boys” De Repente Coraram; Pena Não Ter Sido De Vergonha
Que me lembre, só por duas vezes assumi publicamente – aqui o publicamente significa, para um universo que ultrapassa as quatro paredes de minha casa, ou uma roda de amigos mais próximos – o meu apoio político declarado a uma pessoa ou causa.
A primeira, não liguem!...
Estávamos em 1974, tinha 14 anos e, numa eleição para a Associação de Estudantes da velhinha (eternamente provisória, apesar de, entretanto ter sido rebaptizada) Escola Técnica de Gago Coutinho - era assim que se chamava –, muito provavelmente na minha primeira demonstração de que não nasci arraçado de carneiro que segue a cabeça do rebanho, fiz parte da lista do MRPP (com o meu caríssimo Jorge Paulino, lembras Jorge? Tenho aqui numa gaveta as folhinhas com as nossas caras e “programa eleitoral”…) porque me atraía muito mais a desorganização, o livre pensamento que cultivávamos, nós, sei lá como era o MRPP, em contraponto à organização e perfeita hierarquização da UEC, a União dos Estudantes Comunistas que dominava completamente no meio estudantil, ainda mais entre os teen-agers. Perdemos, claro.
As eleições.
Mais tarde, já com 18 anos e direito a voto, só falhei, creio, duas eleições.
Uma porque não estava em Alverca, estava fora, ao serviço do Jornal no dia das eleições; outra porque fui surpreendido – culpa minha que não consultei os editais – com a mudança do local onde sempre havia votado.
Como, apesar de ser domingo, para mim era dia de trabalho, e só tinha previsto 5 minutos para ir votar e depois chegar a tempo do comboio para Lisboa, chegado à escola primária a nascente do velho Campo da Bola dei de caras com tudo fechado. E já não tinha tempo para voltar atrás para ir à Filarmónica.
A segunda vez que tomei uma posição pública, tão pública que o meu nome ainda lá está, no site, foi como subscritor da candidatura de Manuel Alegre à presidência da República.
Voltei a perder, mas não me enganei na personalidade do homem que eu gostaria que estivesse hoje no Palácio de Belém.
Por tudo.
Porque foi um resistente à ditadura de Salazar e Caetano, porque sempre foi um Homem de espírito livre, sempre pensou pela sua cabeça e não é uma cabeça qualquer.
Os seus diplomas não foram assinados a um domingo; não fez como o outro que fingiu, até ser descoberto, que não sabia que no seu currículo oficial tinha apenso um título académico que nunca teve.
A sua, de Manuel Alegre, obra, está aí, para quem quiser lê-lo.
Traduzido em dezenas de línguas, poeta maior, dos ainda vivos, da Língua Portuguesa.
Não uns prédiozinhos de emigrante, com marquises a fechar as janelas, como, para se “defender” o outro assumiu ter sido ele o autor do projecto.
O que pouca gente terá acreditado, diga-se em abono da verdade.
Foi a primeira e única vez que votei em alguém na órbita do PS.
E não estou arrependido.
Manuel Alegre, esteve na passada quarta-feira numa reunião/comício promovido pelo Bloco de Esquerda, causando uma brotoeja enorme nos “Boys” do Largo do Rato.
Desde os que já comeram do tacho, dos que ainda agora dele comem, dos que já só lambem os dedos e de muitos que têm como única ambição na vida poder chegar as respectivas barrigas ao mesmo tacho para poderem escolher os melhores pedaços.
“Boys”, muitos deles, que nada mais fizeram na vida do que escalar, degrau a degrau, a escadaria que os pode levar um dia a poderem, pelo menos, passarem o dedo no rebordo do tacho e poderem lambê-lo.
Políticos profissionais.
Infelizmente… a política é deles.
Valem-nos Homens como Manuel Alegre.
«É Tempo de a Esquerda se Unir à Esquerda!», foi uma das suas frases que a CS mais citou.
E Manuel Alegre não estava, tenham a certeza de que não estava, a falar de ocupação de terras ou fábricas, de privatizações mais ou menos tresloucadas.
Manuel Alegre não perdeu o norte, não precisa de bússola para perceber que o seu – também seu – partido socialista já só o é de nome. Aliás, no Parlamento Europeu o PS está incluído na bancada social-democrata!
Manuel Alegre será, nos dias de hoje, a voz menos comprometida e que, por isso, pode clamar por uma maior Justiça Social.
Tenho a certeza de que não será o único Socialista a não se rever no partido do José Pinto de Sousa.
Daí o medo.
Por isso, desde o mais irritante, porque é só isso, caniche, a um par de bulldogs, em relação aos quais será preciso ter algum cuidado, terem saltado em defesa de quem lhes dá, deu, ou eles esperam que um destes dias lhes venha a dar, o ossito, que é disso e para isso que vivem.
Querem mensagem mais clara numa só frase?
«É tempo de a Esquerda se Unir à Esquerda!»
O PS do Pinto de Sousa é tudo menos de esquerda.
É tempo de pôr um travão à cavalgante clivagem Social que vivemos.
Pôr um travão à pornográfica escalada dos ordenados dos gestores, ao mesmo tempo que se pede aos que trabalham que tenham paciência e façam mais um furinho no cinto.
Acabar, redistribuindo-os com os pornográficos lucros da banca, isto quando estes lucros arrastam famílias inteiras, empenhadas até ao último cabelo.
Não sou analista político, mas também não sou parvo – o Mourinho copiou esta minha frase para italiano, o sacana -, ficou o aviso.
E como não acredito que o Pinto de Sousa desista da sua postura salazarenta – que não é o mesmo que salazarista, que isto significaria ser seu seguidor, naquilo que a política do velho “Botas” teve de melhor, que foi na área das finanças – que no PS não se riam da, cada vez mais forte possibilidade da “balcanização” do partido, à imagem do que está a acontecer com o PSD.
E como já não há-de haver muitos “Jobs” para os “Boys”, e ainda há mais votantes com mais de 45 anos do que com menos, percebe-se a brotoeja que pôs todos no Largo do Rato a coçar-se.
É mais do que evidente que já perceberam que numa hipotética cisão, porque quando esta acontecer não vai ser em duas partes mas, tal como está a acontecer com o PSD, em diversas tendências, Manuel Alegre terá a mais larga franja de apoiantes.
Termino com um trecho do poema “Ser ou não ser” de Manuel Alegre (1999).
Já de esperar se desespera. E o tempo foge
e mais do que a esperança leva o puro ardor.
Porque um só tempo é o nosso. E o tempo é hoje.
Ah se não ser é submissão ser é revolta.
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Arrepiantes Coincidências ou, o que é que "crescemos" em 24 anos?
A notícia trá-la o Correio da Manhã na sua edição de terça-dfeira (na página 15).
Algarve, evacuação aérea o título da peça – assinada pelos companheiros Rui Pando Gomes, mais A. M. S. e J. M. G. – “TRANSPORTE FATAL”, obrigaram-me a lê-la.
Devo confessar, sem falsos pretensiosíssimos, que “adivinhando” o que me fez arrepiar.
Curiosamente, dos 14 comentários postados na edição on-line do jornal, nem um fez a ligação. Será tudo gente relativamente jovem.
Deduzo.
E o pior é que estou a falar de duas situações que aconteceram com um intervalo de… 24 anos! Já perceberam que a comparação é com o acidente – e o que depois aconteceu – do qual haveria de morrer o nosso grande Joaquim Agostinho.
Uma senhora sofreu um traumatismo craniano, no passado domingo, dia 25 de Maio de 2008, depois de uma queda em casa de familiares na… QUARTEIRA.
A senhora foi transportada para o Centro de Saúde de Loulé;
tal qual aconteceu com Agostinho;
Daí, foi transferida para o Hospital de Faro…
como o Agostinho;

Perante a gravidade do caso, o INEM desaconselhou o transporte por helicóptero...
Em 1984 nem havia helicópteros, ou a solução nem foi equacionada;
Foi transportada por estrada – aqui a diferença entre as estradas que temos hoje a ligar Faro à capital é abissal, em relação às que havia há 24 anos – mas houve um hiato de tempo, demasiado longo porque, se havia ambulâncias, não havia ventiladores.
A senhora chegou a Lisboa 10 horas – DEZ HORAS – e dez minutos depois de ter sido accionado o primeiro alerta, para o CODU local, ainda foi operada, mas não resistiu.
O óbito foi declarado às zero horas de terça-feira.
São ou não assustadoras as coincidências com o caso do Joaquim Agostinho?
Aconteceu 24 anos depois.
Clicando na foto podem vê-la maior e, à direita, em gráfico, está a cronologia dos acontecimentos.
Para quem não leu, e já não tem hipóteses de ler – não sei se a versão on-line se mantém visitável – transcrevo a seguir a notícia do Correio da Manhã.
28 Maio 2008 - 10h00
Algarve: INEM recusou evacuação aérea devido a situação clínica
Transporte fatal
Seis horas de espera fatal. Foi este o tempo que uma vítima de traumatismo craniano grave demorou até ser transferida do Hospital Central de Faro (HCF) para o Hospital de São José, em Lisboa, por não haver ambulâncias com ventilador disponíveis e o INEM ter desaconselhado a evacuação de helicóptero, devido à situação clínica da paciente.
O caso aconteceu no passado domingo.
Maria Ramalho, de 69 anos e professora de Estremoz, acabou por não resistir às complicações neurológicas que a espera lhe causou e morreu ontem, no São José. A família está revoltada e vai avançar judicialmente contra o HCF, garantiu ao CM um familiar próximo, que trabalha numa outra unidade hospitalar.
Ao que o CM apurou, a última opção foi activar uma ambulância da Cruz Vermelha de Castro Marim (a 100 km de distância) sem ventilador, disponibilizando o HCF o equipamento para o transporte. Mas, quando os enfermeiros preparavam a transferência, repararam que 'os três ventiladores portáteis do Hospital estavam avariados', revelou fonte hospitalar.
A solução passou por pedir emprestado um ventilador da ambulância da Cruz Vermelha, estacionada no Aeroporto de Faro.
A unidade de saúde garante que 'a transferência foi feita mediante o cumprimento de todos os protocolos clínicos adequados'.
AVARIAS DOS VENTILADORES SEM EXPLICAÇÃO
O Hospital de Faro não esclareceu a razão de não ter ventiladores portáteis em funcionamento para transferências de emergência entre hospitais. Apenas explicou ao CM que 'inicialmente foi considerada a hipótese de evacuação aérea e contactado o Centro de Orientação de Doentes Urgentes do INEM. Contudo, a situação clínica da utente desaconselhou a utilização deste transporte'.
Para o transporte por via terrestre, a unidade de saúde algarvia esclareceu que só 'a 4ª entidade contactada informou dispor de viatura para o efeito'.
O pedido de transporte foi feito segundo o que 'está protocolado com as entidades da região que efectuam transporte de doentes'.
Rui Pando Gomes / A.M.S./J.M.G.
De toda esta (triste) história, sobressai uma realidade: no Algarve ainda há corporação de bombeiros – e a culpa não será destes – sem ventiladores portáteis;
e o Hospital Central de Faro tê-los-á, mas estarão avariados.
Quanto custará um ventilador portátil?
Quanto custará salvar uma vida?
Façamos umas contas… esquisitas.
700 € x 23 jogadores = 16.100 €
mais 1.700 € do senhor Scolari = 17.800 €
Simplificando a coisa, se o mister ganha mais mil euros que os jogadores, os seus adjuntos – Murtosa, Schneider e Brassard – não devem receber menos de 1.000 €…
17.800 € + 3.000 € = 20.800 €
E ainda falta saber quanto recebem roupeiros, técnicos de… calçado, cozinheiro e adjuntos… o representante permanente da FPF, mais um possível RP, mais um possível RPI…
Façamos as contas por baixo…
Por dia, o Grupo de Trabalho da Selecção de Portugal receberá, mais euro, menos cêntimo, digamos… 23.000 euros.
QUATRO MIL E SEISCENTOS CONTOS, na moeda antiga.
POR DIA!
Quantos ventiladores se comprarão com 4.500 contos?
Nem que seja apenas UM!!!!
PS: Não cobro nada pela ideia, mas podem imprimir também este artigo e, sei lá, enviá-lo por fax para Viseu. Pode ser que os artistas da bola até consigam ser solidários. Afinal é só o valor de UM dia dos muitos que vão receber.
Se quiserem, eu assino.
Ultrajante
Duas notas introdutórias:
1.ª nota – Como me acontece de dois em dois meses, hoje lá fui à Farmácia levantar a pafernália de medicamentos indispensáveis para ajudarem a que mantenha a minha qualidade de vida;
gastei, como prova junta – e faltou um, que não estava disponível – quase 20 contos, na moeda antiga.
De cada vez que isto acontece, lembro-me das pessoas de idade, com reformas de 35 e 40 contos que precisam de acompanhamento médico.
Eu ainda ganho mais de 1000 euros por mês… mas, e os reformados?
2.ª nota – Já não é novidade para quem habitualmente me lê, sou um leitor/comprador compulsivo de jornais. Compro pelo menos cinco diariamente, deixando de fora o fim-se-semana quando lhes junto mais dois semanários. Claro que não tenho tempo para ler tudo. Por isso, um dos dias da minha folga é dedicado exclusivamente a “passar os olhos” por tudo o que comprei e não tive oportunidade de ler antes.
Por isso, só hoje reparei na notícia que o Correio da Manhã nos deu – com algum destaque, é verdade, mas já lá iremos – no passado dia 21.
Como reproduzo aqui ao lado, cada um dos 23
ponteaboledores de bola escolhidos para representar Portugal no próximo Europeu ganha uma diária de… 700 euros. Para os “alfinetes” porque estão com dormida paga, com refeições pagas, com… tudo pago.
Que alguém me tente explicar… porque é que quem ganha caixotes de dinheiro, tem ainda que receber, tirado do erário público, 140 contos por dia? Para quê? Para comprar gelados? Jornais? 700 euros? Mais do dobro da maioria das reformas que, quem trabalhou toda a vida, recebe.
Ah!... E o senhor Scolari, que até pode ser o melhor do Mundo na sua profissão - eu, pessoalmente, atino com as suas decisões, gosto de quem, podendo... manda!, defende os seus mininos -, escrevia, o senhor Scolari recebe de diária... sentem-se: 1.700,00 €.
Não é chocante. É ultrajante. Vergonhoso.
Quase diria pornográfico.
Que MERDA país é este?
Imagino-me no lugar de um chefe de família, trabalhador sem vínculo nenhum, que, trabalhando 12 horas por dia não ganha mais de 350/400 euros…
Mas porquê? Porque é que acontece isto?
Os artistas - a ver vamos, a ver vamos... que a campanha Coreia/Japão só já a esqueceu quem tem memória curta - estão instalados num hotel de 5 estrelas.
Têm as refeições à borla… vão participar num Europeu onde – e todos pensarão nisso – podem, se as coisas correrem bem, potenciar o valor dos respectivos contratos.
Porque é que o contribuinte - NUNCA deixa de ser o contribuinte, mesmo que o dinheiro, sustentam, venha da UEFA - tem que pagar ainda mais este “prémio”?
Não, não tentem explicar porque eu não estou com disposição de aceitar seja lá que explicação me queiram dar.
É ultrajante. É pornográfico. É indecente. É inaceitável.
140 contos/dia para… comprar chocolates?
Pastilhas?
Os reformados que recebem metade disso por mês deviam desembarcar em Viseu e fazer-se ouvir.
Atenção que estes 140 contos estão garantidos até ao dia em que a Selecção seja afastada da prova. De fora estão os prémios regateados por estes… representantes do País.
Mas que representantes?
No mínimo, repito, no mínimo – e jamais deixaria de ser ultrajante – cada um dos jogadores devia ser obrigado a devolver todo o dinheiro no caso de não virem a ser campeões.
Porque com todas as mordomias que têm, ganhar não é opção, teria mesmo que ser obrigação.
Mas porque é que isto acontece? Quem é que nos está a ROUBAR descaradamente?
Não se admirem que a história venha a repetir-se. A próxima revolução já não será sustentada por oficiais milicianos, mas tenham em atenção os pata-ao–léu…
Ah!, não menos importante, o... jornal, fez nesse dia manchete com o caso de uma rusga da PJ à sede e moradas de Corredores de uma equipa de Ciclismo.
Definidamente, muito mais preocupante do que estarmos a pagar 140 contos/dia a cada um dos 23 jogadores que ganham mais que o primeiro ministro deste País.
V E R G O N H A!...
1.ª nota – Como me acontece de dois em dois meses, hoje lá fui à Farmácia levantar a pafernália de medicamentos indispensáveis para ajudarem a que mantenha a minha qualidade de vida;gastei, como prova junta – e faltou um, que não estava disponível – quase 20 contos, na moeda antiga.
De cada vez que isto acontece, lembro-me das pessoas de idade, com reformas de 35 e 40 contos que precisam de acompanhamento médico.
Eu ainda ganho mais de 1000 euros por mês… mas, e os reformados?
2.ª nota – Já não é novidade para quem habitualmente me lê, sou um leitor/comprador compulsivo de jornais. Compro pelo menos cinco diariamente, deixando de fora o fim-se-semana quando lhes junto mais dois semanários. Claro que não tenho tempo para ler tudo. Por isso, um dos dias da minha folga é dedicado exclusivamente a “passar os olhos” por tudo o que comprei e não tive oportunidade de ler antes.
Por isso, só hoje reparei na notícia que o Correio da Manhã nos deu – com algum destaque, é verdade, mas já lá iremos – no passado dia 21.
Como reproduzo aqui ao lado, cada um dos 23
Que alguém me tente explicar… porque é que quem ganha caixotes de dinheiro, tem ainda que receber, tirado do erário público, 140 contos por dia? Para quê? Para comprar gelados? Jornais? 700 euros? Mais do dobro da maioria das reformas que, quem trabalhou toda a vida, recebe.
Ah!... E o senhor Scolari, que até pode ser o melhor do Mundo na sua profissão - eu, pessoalmente, atino com as suas decisões, gosto de quem, podendo... manda!, defende os seus mininos -, escrevia, o senhor Scolari recebe de diária... sentem-se: 1.700,00 €.
Não é chocante. É ultrajante. Vergonhoso.
Quase diria pornográfico.
Que MERDA país é este?
Imagino-me no lugar de um chefe de família, trabalhador sem vínculo nenhum, que, trabalhando 12 horas por dia não ganha mais de 350/400 euros…
Mas porquê? Porque é que acontece isto?
Os artistas - a ver vamos, a ver vamos... que a campanha Coreia/Japão só já a esqueceu quem tem memória curta - estão instalados num hotel de 5 estrelas.
Têm as refeições à borla… vão participar num Europeu onde – e todos pensarão nisso – podem, se as coisas correrem bem, potenciar o valor dos respectivos contratos.
Porque é que o contribuinte - NUNCA deixa de ser o contribuinte, mesmo que o dinheiro, sustentam, venha da UEFA - tem que pagar ainda mais este “prémio”?
Não, não tentem explicar porque eu não estou com disposição de aceitar seja lá que explicação me queiram dar.
É ultrajante. É pornográfico. É indecente. É inaceitável.
140 contos/dia para… comprar chocolates?
Pastilhas?
Os reformados que recebem metade disso por mês deviam desembarcar em Viseu e fazer-se ouvir.
Atenção que estes 140 contos estão garantidos até ao dia em que a Selecção seja afastada da prova. De fora estão os prémios regateados por estes… representantes do País.
Mas que representantes?
No mínimo, repito, no mínimo – e jamais deixaria de ser ultrajante – cada um dos jogadores devia ser obrigado a devolver todo o dinheiro no caso de não virem a ser campeões.
Porque com todas as mordomias que têm, ganhar não é opção, teria mesmo que ser obrigação.
Mas porque é que isto acontece? Quem é que nos está a ROUBAR descaradamente?
Não se admirem que a história venha a repetir-se. A próxima revolução já não será sustentada por oficiais milicianos, mas tenham em atenção os pata-ao–léu…
Ah!, não menos importante, o... jornal, fez nesse dia manchete com o caso de uma rusga da PJ à sede e moradas de Corredores de uma equipa de Ciclismo.
Definidamente, muito mais preocupante do que estarmos a pagar 140 contos/dia a cada um dos 23 jogadores que ganham mais que o primeiro ministro deste País.
V E R G O N H A!...
terça-feira, 20 de maio de 2008
Não Se Deve Rir Do Mal Dos Outros, Mas não Fui Eu Quem Começou...
Já caía a tarde, naquele lusco fusco que antecede a noite, quando o Pedro - um companheiro de Redacção entrou pelo Nacional adentro gesticulando.
"Fod... (fala-se muito mal nas redacções... mas ao menos não cuspimos para o chão, como os futebolistas), sabem a melhor? A gasolina vai aumentar outra vez. É a terceira vez nos últimos cinco dias! P'ró c..., vou comprar um skate e vou fazer os serviços de skate..."

Eu, no meu cantinho, onde fico quietinho sem fazer ondas, abri o rosto no mais largo e provocador sorriso.
- Meus caros, há três meses atrás meio País deu um passo em frente a aplaudir a decisão do (des)governo do senhor Pinto de Sousa que proíbia que se fumasse em quase todo o lado - excepto o próprio Pinto de Sousa, numa viagenzinha de avião, longa de oito horas -; meio País ficou a rir-se de mim, e dos outros que, agora, para queimarem um cigarrito têm que descer à rua. A verdade, é que, pelo que li recentemente, as quebras na venda de tabaco estão já na ordem dos 35%. DE FACTO, o Governo perdeu 1/3 do dinheiro que embolsava à custa dos malfeitores dos fumadores. E olhem que é muito dinheiro, tendo em conta que o Imposto sobre o Tabaco ultrapassa os 60% do preço por maço de cigarros...
E como tapar esse buraco? Ah, pois... indo ao bolso - agora não de metade dos portugueses, mas de QUASE TODOS porque há famílias com dois e três carros - dos que andam de pópó...
E eu a rir-me. Paguem e não bufem. É muito bem feito para aqueles que me escorraçaram de cafés e restaurantes só porque interiorizaram que o fumo do meu cigarro faz mais mal do que estar 2 minutos parado para atravessar a Avenida da Liberdade em hora de ponta.
Por mim... aumentem a gasolina para os 50,00 € o litro...
Isto antes de me decidir a pedir que proíbam pura e simplesmente o trânsito de carros particulares dentro das malhas urbanas. carros... só na Auto-estrada. Não tenho eu que descer 60 degraus para fumar um cigarro?
Tirando o meu (já não chega a um por dia) maço de tabaco, a minha pegada poluidora é ZERO. Só ando a pé, de comboio e de metro, ambos não poluentes...
Abaixo os carros. Subam mais a gasolina... E eu ralado!...
quinta-feira, 15 de maio de 2008
Que Raio de País É Este?!...
Belisquei-me, tentei perceber se estava, de facto, acordado, embora a tarde já fosse a meio.
Seria efeitos da medicamentação?
Não!...
Infelizmente nem uma coisa nem outra.
Imaginei-me na pele de um estrangeiro - que soubesse português, estivesse a par da nossa realidade e a ver televisão àquela hora - a perguntar a mim próprio...
... Mas será possível que o ASSUNTO DO DIA seja o facto de o 1.º ministro ter acendido um cigarro?
Ok, foi num avião.
Mas o avião não era de uma carreira regular, era um charter fretado para levar uma delegação nacional em visita de Estado a um país estrangeiro.
Ok... charter pago com o dinheiro dos nossos impostos - incluindo os NOSSOS, os dos fumadores - e aí perceber-se-ia o choque dos fundamentalistas anti-tabaco. Ou não?
Quem deveria ter-se mostrado indignado era eu - aqui representando todos os fumadores - porque há meses que não posso fumar um cigarro sentado, a seguir à bica... porque não há onde.
Mas que país é este?
É proíbido fumar nos vôos de carreira regulares, mas será que nos aviões privados os seus proprietários não fumam?
É proíbido fumar nos transportes públicos, mas cada um, no seu próprio carro, se quiser fuma.
Um desgraçado de um país onde figuras como o malfadado "major" Loureiro ainda acredita que quem berra mais alto é que tem razão; onde o Pinto da Costa compara uma sessão de tribunal com a ida à retrete para uma mijadinha - e brinca com a nossa inteligência ao querer fazer-nos acreditar que, sabendo (não sabia nada... senão não tinha sido apanhado!) que tinha o telemóvel sob escuta, e das escutar não constar esse telefonema, isso o iliba de ter marcado um almoço com os amigos...
... até eu tenho três telemóveis, sendo que um deles é de pré-pagamento, pelo que ninguém conseguirá ligar o respectivo número à minha pessoa desde que eu não o "carregue" a partir da minha conta bancária. E não há cabines telefónicas? Brincamos ou quê?... E não há lacaios para fazerem eles esses contactos?
Não somos mais do que um desgraçado de um país que ontem parou, não porque os combustíveis aumentaram outra vez; não porque é indisfarçável que as gasolineiras estão a agir em cartel (caramba!, nem UMA deixou de aumentar o preço dos combustíveis, se não é combinado...), mas porque... o primeiro ministro acendeu um cigarro num vôo charter.
E este veio pedir desculpas. E dizer que vai deixar de fumar.
Adivinhem o que vai acontecer na próxima vez que for apanhado com um cigarro na boca!...
Não somos um país, somos um borrão no mapa!
Seria efeitos da medicamentação?
Não!...
Infelizmente nem uma coisa nem outra.
Imaginei-me na pele de um estrangeiro - que soubesse português, estivesse a par da nossa realidade e a ver televisão àquela hora - a perguntar a mim próprio...
... Mas será possível que o ASSUNTO DO DIA seja o facto de o 1.º ministro ter acendido um cigarro?
Ok, foi num avião.
Mas o avião não era de uma carreira regular, era um charter fretado para levar uma delegação nacional em visita de Estado a um país estrangeiro.
Ok... charter pago com o dinheiro dos nossos impostos - incluindo os NOSSOS, os dos fumadores - e aí perceber-se-ia o choque dos fundamentalistas anti-tabaco. Ou não?
Quem deveria ter-se mostrado indignado era eu - aqui representando todos os fumadores - porque há meses que não posso fumar um cigarro sentado, a seguir à bica... porque não há onde.
Mas que país é este?
É proíbido fumar nos vôos de carreira regulares, mas será que nos aviões privados os seus proprietários não fumam?
É proíbido fumar nos transportes públicos, mas cada um, no seu próprio carro, se quiser fuma.
Um desgraçado de um país onde figuras como o malfadado "major" Loureiro ainda acredita que quem berra mais alto é que tem razão; onde o Pinto da Costa compara uma sessão de tribunal com a ida à retrete para uma mijadinha - e brinca com a nossa inteligência ao querer fazer-nos acreditar que, sabendo (não sabia nada... senão não tinha sido apanhado!) que tinha o telemóvel sob escuta, e das escutar não constar esse telefonema, isso o iliba de ter marcado um almoço com os amigos...
... até eu tenho três telemóveis, sendo que um deles é de pré-pagamento, pelo que ninguém conseguirá ligar o respectivo número à minha pessoa desde que eu não o "carregue" a partir da minha conta bancária. E não há cabines telefónicas? Brincamos ou quê?... E não há lacaios para fazerem eles esses contactos?
Não somos mais do que um desgraçado de um país que ontem parou, não porque os combustíveis aumentaram outra vez; não porque é indisfarçável que as gasolineiras estão a agir em cartel (caramba!, nem UMA deixou de aumentar o preço dos combustíveis, se não é combinado...), mas porque... o primeiro ministro acendeu um cigarro num vôo charter.
E este veio pedir desculpas. E dizer que vai deixar de fumar.
Adivinhem o que vai acontecer na próxima vez que for apanhado com um cigarro na boca!...
Não somos um país, somos um borrão no mapa!
terça-feira, 25 de março de 2008
Fasciszóide!...
Vamos acreditar no acaso!
Façamos, colectivamente, esse exercício e saibamos tirar dele a devida conclusão.
No mesmo dia em que estudantes revelam que “vigilantes”, recrutados entre reformados das forças de segurança, estão de olho nos contestatários, nas diversas escolas, o governo do tal Pinto de Sousa, pela voz de um sub-secretário de Estado vem apelar a que os nubentes declarem, em ficha oficial existente, quem lhes pagou o vestido para a noiva e o fato para o noivo.
E querem também saber quanto e a quem pagaram para filmarem a cerimónia, quanto pagaram para as fotos… acho que se lhes escapou o quanto deram de gorjeta aos empregados que estavam de serviço ao banquete.
“Vigilantes” nas escolas, como nos maus velhos tempos do Veiga Simão, antes de 74. E os noivos obrigados (!!!) a descriminarem que prendas receberam e quem lhas deu.
Tudo em nome da transparência fiscal.
Tudo, quando se somam as notícias de grandes e tortuosas engenhocas das grandes empresas que operam em “off-shores” e que estão, de facto, a roubar o Estado.
A roubar-nos a nós todos.
Na ânsia de colectar impostos, o senhor Pinto de Sousa já deixou de pensar.
Segue, neste momento, de freio nos dentes e cuidado a quem se atreva a atravessar-se-lhe à frente.
Há motoristas particulares ao serviço do executivo que levam para casa mais dinheiro que alguns funcionários públicos a desempenhar cargos de chefia?Que interessa isso perante o abominável que será oferecer a um casal de nubentes um serviço completo de chá, e não o declarar no impresso do IRS?
Está tudo doido.
E já nem falo aqui – agora – de outros exemplos porque não faço a mínima ideia de quem vai ler isto. Sim. Tenho MEDO.
Este “governo” socialista está a enveredar por práticas pidescas e o que nos vale a nós, hoje, é estarmos – podermos estar – precavidos contra isso.
Enquanto empresas, sejam elas de contínuo exercício da restauração, ou prestadores de serviços eventuais; sejam elas vendedoras de flores, fotógrafos ou seja lá o que for, estão, por princípio, obrigadas a ter que prestar contas ao Estado.
Então… porque há-de o Estado, em mais um abominável apelo à delacção, querer obrigar os nubentes a preencher um formulário – sobre o qual tenho as minhas dúvidas quanto à sua legalidade – onde terão que dizer quem lhe prestou os serviços e quanto cobraram por eles?
É pidesco o método.
Não admira que se envergonhe até o Mário Soares que nunca me mereceu grande confiança por causa dos seus afamados jogos de cintura, capaz de negociar de forma a ficar de bem com deus e o diabo.
Se até este dinossauro socialista se interroga…
São as polícias a tentar saber que professores se preparam para se manifestar; é, agora, esta denuncia – não negada – de que a mesma polícia, a mando do Estado, está a tentar controlar os alunos; é todo um turbilhão de acontecimentos que nos embrulha e deixa sem saber o que pensar… e, em caso de dúvida, pensemos o pior.
Somemos tudo.
O senhor José Pinto de Sousa, o Governo chefiado pelo senhor José Pinto de Sousa, está a cercar o comum dos cidadãos, apertando-os num laço que lhes tolhe os movimentos, que os condiciona, que os amedronta…
Bem ao estilo daquilo que o doutor Oliveira Salazar fez durante 40 anos.
Quem o nega?
Quem se atreve a contrapor?
Pois se é verdade…
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