sexta-feira, 30 de maio de 2008

Ultrajante

Duas notas introdutórias:

1.ª nota – Como me acontece de dois em dois meses, hoje lá fui à Farmácia levantar a pafernália de medicamentos indispensáveis para ajudarem a que mantenha a minha qualidade de vida;
gastei, como prova junta – e faltou um, que não estava disponível – quase 20 contos, na moeda antiga.
De cada vez que isto acontece, lembro-me das pessoas de idade, com reformas de 35 e 40 contos que precisam de acompanhamento médico.

Eu ainda ganho mais de 1000 euros por mês… mas, e os reformados?
2.ª nota – Já não é novidade para quem habitualmente me lê, sou um leitor/comprador compulsivo de jornais. Compro pelo menos cinco diariamente, deixando de fora o fim-se-semana quando lhes junto mais dois semanários. Claro que não tenho tempo para ler tudo. Por isso, um dos dias da minha folga é dedicado exclusivamente a “passar os olhos” por tudo o que comprei e não tive oportunidade de ler antes.

Por isso, só hoje reparei na notícia que o Correio da Manhã nos deu – com algum destaque, é verdade, mas já lá iremos – no passado dia 21.

Como reproduzo aqui ao lado, cada um dos 23 ponteaboledores de bola escolhidos para representar Portugal no próximo Europeu ganha uma diária de… 700 euros. Para os “alfinetes” porque estão com dormida paga, com refeições pagas, com… tudo pago.

Que alguém me tente explicar… porque é que quem ganha caixotes de dinheiro, tem ainda que receber, tirado do erário público, 140 contos por dia? Para quê? Para comprar gelados? Jornais? 700 euros? Mais do dobro da maioria das reformas que, quem trabalhou toda a vida, recebe.

Ah!... E o senhor Scolari, que até pode ser o melhor do Mundo na sua profissão - eu, pessoalmente, atino com as suas decisões, gosto de quem, podendo... manda!, defende os seus mininos -, escrevia, o senhor Scolari recebe de diária... sentem-se: 1.700,00 €.
Não é chocante. É ultrajante. Vergonhoso.
Quase diria pornográfico.

Que MERDA país é este?
Imagino-me no lugar de um chefe de família, trabalhador sem vínculo nenhum, que, trabalhando 12 horas por dia não ganha mais de 350/400 euros…

Mas porquê? Porque é que acontece isto?

Os artistas - a ver vamos, a ver vamos... que a campanha Coreia/Japão só já a esqueceu quem tem memória curta - estão instalados num hotel de 5 estrelas.
Têm as refeições à borla… vão participar num Europeu onde – e todos pensarão nisso – podem, se as coisas correrem bem, potenciar o valor dos respectivos contratos.

Porque é que o contribuinte - NUNCA deixa de ser o contribuinte, mesmo que o dinheiro, sustentam, venha da UEFA - tem que pagar ainda mais este “prémio”?
Não, não tentem explicar porque eu não estou com disposição de aceitar seja lá que explicação me queiram dar.

É ultrajante. É pornográfico. É indecente. É inaceitável.
140 contos/dia para… comprar chocolates?
Pastilhas?

Os reformados que recebem metade disso por mês deviam desembarcar em Viseu e fazer-se ouvir.
Atenção que estes 140 contos estão garantidos até ao dia em que a Selecção seja afastada da prova. De fora estão os prémios regateados por estes… representantes do País.
Mas que representantes?

No mínimo, repito, no mínimo – e jamais deixaria de ser ultrajante – cada um dos jogadores devia ser obrigado a devolver todo o dinheiro no caso de não virem a ser campeões.

Porque com todas as mordomias que têm, ganhar não é opção, teria mesmo que ser obrigação.
Mas porque é que isto acontece? Quem é que nos está a ROUBAR descaradamente?

Não se admirem que a história venha a repetir-se. A próxima revolução já não será sustentada por oficiais milicianos, mas tenham em atenção os pata-ao–léu…

Ah!, não menos importante, o... jornal, fez nesse dia manchete com o caso de uma rusga da PJ à sede e moradas de Corredores de uma equipa de Ciclismo.
Definidamente, muito mais preocupante do que estarmos a pagar 140 contos/dia a cada um dos 23 jogadores que ganham mais que o primeiro ministro deste País.

V E R G O N H A!...

terça-feira, 20 de maio de 2008

Não Se Deve Rir Do Mal Dos Outros, Mas não Fui Eu Quem Começou...

Já caía a tarde, naquele lusco fusco que antecede a noite, quando o Pedro - um companheiro de Redacção entrou pelo Nacional adentro gesticulando.

"Fod... (fala-se muito mal nas redacções... mas ao menos não cuspimos para o chão, como os futebolistas), sabem a melhor? A gasolina vai aumentar outra vez. É a terceira vez nos últimos cinco dias! P'ró c..., vou comprar um skate e vou fazer os serviços de skate..."

Eu, no meu cantinho, onde fico quietinho sem fazer ondas, abri o rosto no mais largo e provocador sorriso.

- Meus caros, há três meses atrás meio País deu um passo em frente a aplaudir a decisão do (des)governo do senhor Pinto de Sousa que proíbia que se fumasse em quase todo o lado - excepto o próprio Pinto de Sousa, numa viagenzinha de avião, longa de oito horas -; meio País ficou a rir-se de mim, e dos outros que, agora, para queimarem um cigarrito têm que descer à rua. A verdade, é que, pelo que li recentemente, as quebras na venda de tabaco estão já na ordem dos 35%. DE FACTO, o Governo perdeu 1/3 do dinheiro que embolsava à custa dos malfeitores dos fumadores. E olhem que é muito dinheiro, tendo em conta que o Imposto sobre o Tabaco ultrapassa os 60% do preço por maço de cigarros...

E como tapar esse buraco? Ah, pois... indo ao bolso - agora não de metade dos portugueses, mas de QUASE TODOS porque há famílias com dois e três carros - dos que andam de pópó...

E eu a rir-me. Paguem e não bufem. É muito bem feito para aqueles que me escorraçaram de cafés e restaurantes só porque interiorizaram que o fumo do meu cigarro faz mais mal do que estar 2 minutos parado para atravessar a Avenida da Liberdade em hora de ponta.

Por mim... aumentem a gasolina para os 50,00 € o litro...

Isto antes de me decidir a pedir que proíbam pura e simplesmente o trânsito de carros particulares dentro das malhas urbanas. carros... só na Auto-estrada. Não tenho eu que descer 60 degraus para fumar um cigarro?

Tirando o meu (já não chega a um por dia) maço de tabaco, a minha pegada poluidora é ZERO. Só ando a pé, de comboio e de metro, ambos não poluentes...

Abaixo os carros. Subam mais a gasolina... E eu ralado!...

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Que Raio de País É Este?!...

Belisquei-me, tentei perceber se estava, de facto, acordado, embora a tarde já fosse a meio.
Seria efeitos da medicamentação?
Não!...
Infelizmente nem uma coisa nem outra.

Imaginei-me na pele de um estrangeiro - que soubesse português, estivesse a par da nossa realidade e a ver televisão àquela hora - a perguntar a mim próprio...

... Mas será possível que o ASSUNTO DO DIA seja o facto de o 1.º ministro ter acendido um cigarro?
Ok, foi num avião.
Mas o avião não era de uma carreira regular, era um charter fretado para levar uma delegação nacional em visita de Estado a um país estrangeiro.
Ok... charter pago com o dinheiro dos nossos impostos - incluindo os NOSSOS, os dos fumadores - e aí perceber-se-ia o choque dos fundamentalistas anti-tabaco. Ou não?

Quem deveria ter-se mostrado indignado era eu - aqui representando todos os fumadores - porque há meses que não posso fumar um cigarro sentado, a seguir à bica... porque não há onde.

Mas que país é este?
É proíbido fumar nos vôos de carreira regulares, mas será que nos aviões privados os seus proprietários não fumam?

É proíbido fumar nos transportes públicos, mas cada um, no seu próprio carro, se quiser fuma.

Um desgraçado de um país onde figuras como o malfadado "major" Loureiro ainda acredita que quem berra mais alto é que tem razão; onde o Pinto da Costa compara uma sessão de tribunal com a ida à retrete para uma mijadinha - e brinca com a nossa inteligência ao querer fazer-nos acreditar que, sabendo (não sabia nada... senão não tinha sido apanhado!) que tinha o telemóvel sob escuta, e das escutar não constar esse telefonema, isso o iliba de ter marcado um almoço com os amigos...
... até eu tenho três telemóveis, sendo que um deles é de pré-pagamento, pelo que ninguém conseguirá ligar o respectivo número à minha pessoa desde que eu não o "carregue" a partir da minha conta bancária. E não há cabines telefónicas? Brincamos ou quê?... E não há lacaios para fazerem eles esses contactos?

Não somos mais do que um desgraçado de um país que ontem parou, não porque os combustíveis aumentaram outra vez; não porque é indisfarçável que as gasolineiras estão a agir em cartel (caramba!, nem UMA deixou de aumentar o preço dos combustíveis, se não é combinado...), mas porque... o primeiro ministro acendeu um cigarro num vôo charter.

E este veio pedir desculpas. E dizer que vai deixar de fumar.
Adivinhem o que vai acontecer na próxima vez que for apanhado com um cigarro na boca!...

Não somos um país, somos um borrão no mapa!

terça-feira, 25 de março de 2008

Fasciszóide!...


Vamos acreditar no acaso!
Façamos, colectivamente, esse exercício e saibamos tirar dele a devida conclusão.

No mesmo dia em que estudantes revelam que “vigilantes”, recrutados entre reformados das forças de segurança, estão de olho nos contestatários, nas diversas escolas, o governo do tal Pinto de Sousa, pela voz de um sub-secretário de Estado vem apelar a que os nubentes declarem, em ficha oficial existente, quem lhes pagou o vestido para a noiva e o fato para o noivo.

E querem também saber quanto e a quem pagaram para filmarem a cerimónia, quanto pagaram para as fotos… acho que se lhes escapou o quanto deram de gorjeta aos empregados que estavam de serviço ao banquete.

“Vigilantes” nas escolas, como nos maus velhos tempos do Veiga Simão, antes de 74. E os noivos obrigados (!!!) a descriminarem que prendas receberam e quem lhas deu.
Tudo em nome da transparência fiscal.
Tudo, quando se somam as notícias de grandes e tortuosas engenhocas das grandes empresas que operam em “off-shores” e que estão, de facto, a roubar o Estado.

A roubar-nos a nós todos.

Na ânsia de colectar impostos, o senhor Pinto de Sousa já deixou de pensar.


Segue, neste momento, de freio nos dentes e cuidado a quem se atreva a atravessar-se-lhe à frente.
Há motoristas particulares ao serviço do executivo que levam para casa mais dinheiro que alguns funcionários públicos a desempenhar cargos de chefia?
Que interessa isso perante o abominável que será oferecer a um casal de nubentes um serviço completo de chá, e não o declarar no impresso do IRS?
Está tudo doido.

E já nem falo aqui – agora – de outros exemplos porque não faço a mínima ideia de quem vai ler isto. Sim. Tenho MEDO.


Este “governo” socialista está a enveredar por práticas pidescas e o que nos vale a nós, hoje, é estarmos – podermos estar – precavidos contra isso.

Enquanto empresas, sejam elas de contínuo exercício da restauração, ou prestadores de serviços eventuais; sejam elas vendedoras de flores, fotógrafos ou seja lá o que for, estão, por princípio, obrigadas a ter que prestar contas ao Estado.

Então… porque há-de o Estado, em mais um abominável apelo à delacção, querer obrigar os nubentes a preencher um formulário – sobre o qual tenho as minhas dúvidas quanto à sua legalidade – onde terão que dizer quem lhe prestou os serviços e quanto cobraram por eles?

É pidesco o método.
Não admira que se envergonhe até o Mário Soares que nunca me mereceu grande confiança por causa dos seus afamados jogos de cintura, capaz de negociar de forma a ficar de bem com deus e o diabo.
Se até este dinossauro socialista se interroga…

São as polícias a tentar saber que professores se preparam para se manifestar; é, agora, esta denuncia – não negada – de que a mesma polícia, a mando do Estado, está a tentar controlar os alunos; é todo um turbilhão de acontecimentos que nos embrulha e deixa sem saber o que pensar… e, em caso de dúvida, pensemos o pior.

Somemos tudo.
O senhor José Pinto de Sousa, o Governo chefiado pelo senhor José Pinto de Sousa, está a cercar o comum dos cidadãos, apertando-os num laço que lhes tolhe os movimentos, que os condiciona, que os amedronta…
Bem ao estilo daquilo que o doutor Oliveira Salazar fez durante 40 anos.

Quem o nega?
Quem se atreve a contrapor?

Pois se é verdade…

sexta-feira, 21 de março de 2008

Origens...


Há, dizem, animais no seu estado ainda selvagem, que percorrem centenas de quilómetros para irem morrer ao local onde nasceram.
Ninguém ainda sabe explicar porquê.
Eu tenho muitas saudades do meu Alentejo...

quinta-feira, 20 de março de 2008

E NÃO OS PODEMOS MANDAR CALAR?

"Quem quer ser Miliomário"

Pergunta: Para além do alemão e do francês, qual é a oura língua oficial do Luxemburgo?
Hipóteses para a resposta: Português, Inglês, Luxemburguês e Basco...

O "concorrente" pediu ajuda ao público...

Culturalmente analfabetos mas incapazes de resistir ao "apelo" de podere ter CINCO MINUTOS de... "fama" na TV.

Triste país o nosso em que não se sabe mais do que vai para além do fundo da nossa ruazinha...

Professores... estou Convosco!

O TeleJornal da estação pública abriu hoje com imagens chocantes de uma já espigadota aluna a lutar com uma – aparentava, pelo menos – quarentona professora, pela posse de um telemóvel que esta lhe terá apreendido.

Antes da indignação, tentamos ser objectivos.

A professora foi levada a tirar o telemóvel à moçoila – que por acaso já tem bom corpo para levar uns chapadões na cara – porquê?
Porque sim? Porque embirra com telemóveis? Porque embirra com a moçoila?

Eu já não acredito no menino jesus nem no pai natal – e assim que descobrir como é que ele põe os ovos, deixarei, de certeza, de acreditar no coelhinho da páscoa -, por isso sou levado a deduzir que a adolescente mal educada estava a usar o aparelhilho no decurso da aula.
O que fará em todas as aulas, mas na desta professora as coisas deram para o torto.

Pelo meio deixo uma confissão: eu jamais seria professor.

Não, neste momento. Aliás, não, desde de há duas décadas para cá.
E não seria professor porque, provavelmente, seria expulso pelo Ministério da Educação, coagido a isso por veemente protesto de uma meia dúzia de pais.

Retomo o assunto, tentando não confundir o leitor.
Ser professor, hoje em dia, é uma profissão de risco.

Não tenho a mínima dúvida em escrever isto e sustento-o.

Jornalista enviado-especial para cenário de guerra?

Uma brincadeira.
E depois, não acontece isso todos os semestres.

O professor tem de tentar sobreviver oito ou nove horas por dia, cinco dias por semana, 40 semanas por ano.
São uns heróis.

O drama é que a actual… (falsa) forte personalidade dos jovens é mentira.
É falta de educação; é falta de respeito para com terceiros; é uma manifesta falta de cultura social. Cada um destes jovens senhores do seu nariz pensa que o mundo gira à volta do filho da mãe do piercing que tem implantado no umbigo.

Depois, são malcriados por culpa dos pais.
E não me venham com cenas, tipo, ah! os pais trabalham todo o dia, não têm tempo…

Ok, eu caminho para os 50 anos e a minha realidade não tem nada a ver com esta, mas a minha mãe, era eu pequenininho, trabalhava no campo e na época da monda do grão, a tarefa era para cumprir entre as 4 ou 5 da manhã, até às 8 ou nove. E o meu pai teve que emigrar…

Não foi por isso que eu não aprendi a respeitar os mais velhos, os professores, os chefes… conforme os degraus que todos subimos ao longo das nossas vidas.

O que há minutos atrás vimos era impensável no “meu tempo”, mas não deveria acontecer nos dias de hoje.

Uma adolescente em luta corpo-a-corpo com uma professora bem mais idosa que a sua própria mãe e o resto da turma a rir-se, enquanto um deles filmava a cena.

Que depois pôs na Internet.
Inconscientemente, melhor, sem o mínimo de tino – o que o coloca ao lado da valentona – proporcionou que uma das muitas, muitas, muitas – demasiadas – cenas de violência em salas de aulas tenha saído daquelas quatro paredes.

O que, infelizmente, teria acontecido de imediato se a professora – a senhora até é franzina, talvez por isso, mais não fez do que esquivar-se às investidas da recém desmamada armada em gente grande que luta pelos seus direitos -, dizia, o mesmo não teria acontecido se a professora (ou se fosse um professor) lhe tivesse espetado uma bela bofetada com quantos dedos tem na mão.

A notícia de abertura do TeleJornal teria sido outra.
Infelizmente teria sido outra e teríamos tido os pais – que nem merecem o nome, porque não sabem educar os filhos – a perorar contra a pobre da professora.

A questão que a nossa sociedade tarda em entender é que, com este ambiente, os professores não conseguem – não podem – levar a bom termo a sua missão.

Há algo de comum entre ser-se professor e ser-se jornalista, talvez por isso eu os entenda.

E tenho uma irmã – mais nova – que é professora.
E sou obrigado a reconhecer que a sua actividade comporta maiores riscos que a minha, mesmo que meia dúzia de atrasados mentais (com a ressalva de que não me refiro a quem sofre de doenças limitativas), só porque são apaniguados de uma determinada cor, tenha vontade de me chegar a roupa ao pelo por causa das minhas opiniões.

Quando os professores se queixam, se manifestam, quando reclamam – mesmo em relação à questão de avaliação (*) – o cidadão, que tem filhos na escola, que conta com a escola para colmatar a sua própria falta de presença (não se escandalizem, é verdade, há pais que lamentam que os filhos só estejam 12 horas na escola, porque com eles em casa às sete da tarde já não podem ir jantar fora), quando os professores se queixam… têm razão.

“arcanjos” que ainda se perguntam, raiva esmagada no ranger de dentes, porque é que os professores têm medo da avaliação?

Perguntem-se, se - como eu penso, são pessoas de bem - como é que os professores AGUENTAM ser o elo mais fraco desta política de educação.
Sem preconceitos.

Não é medo da avaliação.

Pelo menos para a maioria porque em todas as profissões há bons e maus profissionais,

Será aquela nuance, normalmente escondida do grande público.
Um professor, hoje em dia, é um – passe a expressão – boneco nas mãos dos seus alunos.
Porque se estes não são ensinados a respeitar os próprios pais, como é que respeitarão um desconhecido?
E depois os jovens são, está provado que são, mais espertos até de quem escreve as Leis e os regulamentos.
Sabem que podem enfrentar um professor.
Sabem que este não pode responder à letra, sob o risco de se ver acusado de exercício desajustado de poder.

Que poder?
Que poder têm hoje os professores?
E, valha-nos aquele que a maioria ainda acredita existir e se dá por deus.
Deus uma ova.

* Tenho uma estória engraçada, que aconteceu há para aí 20 anos.
Existia, aqui em Alverca, uma rádio, das chamadas piratinhas.

Eu era o Director de Antena, o que significa, director-executivo.

Personagem mais, chamemos-lhe… “respeitável” – eu era operário fabril e ele estudante de medicina – foi convidada pela Escola Secundária Gago Coutinho, aqui em Alverca, para conduzir uma aula sobre Comunicação Social.
À ultima hora não pode estar e uma aluna do curso – que também era colaboradora da Rádio (a Elsa Frazão) – pediu-me para que lá fosse porque “o pessoal está muito entusiasmado com a rádio”.
E eu fui.

Ainda eu não estava a falar há cinco minutos e já o bueréré se sobrepunha ao que eu dizia. Olhei a professora que me devolveu o olhar, desarmada.

Desci do estrado – que coloca o professor um pouco acima do plano onde ficam os alunos – dirigi-me ao “palhaço” (uso o termo porque ele a ele se proporcionou, num claro decalque do que aconteceria nas outras aulas) e mandei-o para a rua.

Como eu estava, claramente, fora da área docente – e porque o rapazola, não me conhecendo, não sabia como reagir – não desistindo eu, junto à cadeira que ele ocupava, de o mandar sair imediatamente, ele saiu.

E os outros, que até se mostravam interessados no Jornalismo, participaram vivamente na “aula” sem que mais alguém se atrevesse a… ser “engraçado”!

Eu sei que isto não pode acontecer com o professor, no dia-a-dia.
Só porque amanhã vai ter o mesmo engraçadinho na mesma aula…

Isto foi só um exemplo, mas tinha que o escrever aqui para sustentar o que a seguir vou escrever.

Naquela turma, naquela escola – Carolina Micaelis, no Porto – aquela franganota não punha mais as asinhas…
Os pais que se preocupassem com a sua educação. Na MINHA aula… NUNCA MAIS.

Agora, mesmo os pais exemplares que têm filhos exemplares – que são objectivamente prejudicados por estas “madonas” – são capazes de sair em defesa da professora?

Tenho, infelizmente, a certeza de que não.
Primeiro, porque isso obrigaria a mais uma preocupação… estar atento e responder em consciência ao mais pequeno pormenor do que acontece na escola.

Depois, porque – mentes pequenas, pensamentos descartáveis – a maioria dos pais acha que os professores não tem razão.

Isso viu-se nas últimas semanas, por causa da luta dos professores.
Li alevoseidades extremas.

Insanas.

Porque é que os Profs não aceitam "esta" forma de avaliação?

Porque não têm a certeza da justeza dessa própria avaliação...

ESPLICADO OU É PRECISO FAZER UM BONECO????

Não vale a pena insistir.
O exemplo hoje dado a conhecer a todo o País pela RTP corta tudo pela raiz.

Que valor terá a avaliação de uma professora, mais de 40 anos, mãe; provavelmente… avó, que é publicamente, perante toda a turma, desautorizada?,Que é VIOLANTADA, por um rebento de mulher (porque já não era tão jovem assim)?

Para quem pergunta… porque é que os professores têm medo de ser avaliados?
Eu respondo: quem defende os professores que esborracham o nariz, num soco bem direccionado num aluno que leva para a Escola a má – a falta – de educação que lhe é dada em casa?

O que cultivamos em casa já não serve – definitivamente, já não serve – para estabelecer um determinado padrão.

E lembro-me da “Balada de Hill Street”.
O Sargento dizia sempre… “Let’s Go Out There, But… Be carefull”

Este artigo estendeu-se – e teve chamadas à parte – no entanto eu não vou deixar de vincar aquilo que realmente penso.
O que EU PENSO.
Que sei que muitos professores pensam mas eles não podem fazer.

Eu DAVA UM BOM PAR DE CHAPADAS à chavala que vi na abertura do Telejornal.
Se calhar depois tinha que dar ao pai também…