sábado, 9 de fevereiro de 2008

Nem Mais!...


Tenho a vaga ideia de já antes ter lido isto, contudo, e porque o acho pertinente, como hoje voltei a recebê-lo no meu mail, resolvi colocá-lo aqui. Pode ser que ainda haja quem não tenha lido...

Durante um debate numa universidade dos Estados Unidos o actual Ministro da Educação [do Brasil] Cristovam Buarque foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazónia (ideia que surge com alguma insistência alguns sectores da sociedade americana e que muito incomoda os brasileiros).

Um jovem americano fez a pergunta dizendo que esperava a resposta de um Humanista e não de um Brasileiro.
Esta foi a resposta de Cristovam Buarque:


“De facto, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazónia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado comesse património, ele é nosso.

Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazónia, posso imaginar a sua internacionalização, como também a de tudo o mais que tem importância para a humanidade.

Se a Amazónia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro...

O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazónia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extracção de petróleo e subir ou não seu preço.
Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado.

Se a Amazónia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono ou de um país.
Queimar a Amazónia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais.
Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.

Antes mesmo da Amazónia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo.
O Louvre não deve pertencer apenas à França.Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo génio humano. Não se pode deixar esse património cultural, como o património natural Amazónico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietárioou de um país.

Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milénio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA.
Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada.

Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.

Se os EUA querem internacionalizar a Amazónia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos também todos os arsenais nucleares dos EUA.

Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.

Nos seus debates, os actuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da sua dívida externa.

Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola.
Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como património que merece cuidados do mundo inteiro.

Ainda mais do que merece a Amazónia.

Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um património da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver.


Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo.
Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazónia seja nossa.
Só nossa!”

Este discurso não foi publicado na américa de George W. Bush.
Foi CENSURADO!

Até por isso, o ponho aqui...

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Malditas pilhas!...


Como toda a gente sabe, aquela imagem - quase romântica - do jornalista de cartão Press entalado na fita do chapéu, como vemos nos filmes antigos e que, como ferramenta de trabalho tinham um bloco de notas e uma esferográfica, já há muito não passa disso: uma imagem romântica desta tão linda profissão.

Hoje vinga o gravador. Mas a maquineta pode pregar-nos partidas. Por exemplo, ficar sem pilhas. É estranho que tenham faltado as pilhas a TODOS os (tantossssss) gravadores que puseram à frente da boca de Felipe Scolari, mas eu sei que foi isso que aconteceu.

Tanto que nenhum registou o final da frase que quase todos puxaram como destaque, nas declarações do Seleccionador Nacional - do qual sou fã incondicional.

Lemos (e ouvimos, o que ficou gravado antes de as pilhas acabarem):
"Em 23 jogos com a Itália, perdemos 16. É uma vergonha!... Eu mesmo já perdi dois... bzzzzzzzzzzzzz (aqui foi quando faltaram as pilhas, o que impediu que tivesse vindo a público o final da frase).
Que foi esta: "... e antes de mim nunca nenhum Seleccionador perdeu três."

Está reposta a verdade... :-)

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Afinal de contas... Eu sou o Quê?...


No seguimento do post imediatamente anterior a este...

Numa altura em que o governo da União Europeia estava a cargo de um tal... Portugal, um dos jornais mais prestigiados do Mundo publicava, acerca do desaparecimento de uma criança britânica, na Praia da Luz (Algarve), um mapa onde o Algarve parece ser... um país rodeado de Atlântico e de Espanha.

Os britânicos são snobs. Aliás, todos os anglo-saxónicos o são.
Não há muitos dias ainda li uma reportagem na qual se dizia que uma larga - mui larga - percentagem de estadunidenses não sabe o nome... da sua capital!

Por acaso, o recorte do Finantial Times do dia 13 de Outubro de 2007 só hoje me chegou, via email. Mas... o jornal tem alguns milhares de leitores em Portugal. Vende-sa cá. Não só nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro, como por quase toda a parte do Algarve e na esmagadora maioria das grandes lojas de vendas de publicações periódicas em Lisboa. E, acredito, também no Porto.

Ninguém viu este mapa?
Ninguém achou que deveria indignar-se? A presidência do Governo, a presidência da República... a Assembleia da República, não recebem diariamente o Finantial Times?

Partamos do princípio de que, como o recebem - sobre isso não há dúvidas - um assessor, do assessor do assessor do secretário do secretário do secretário-de Estado da Presidência do Governo tenha enviado um e-mail à editoria do jornal protestando.
Deve ter acontecido.

Mas nós temos o direito a saber destas coisas.
Que mais não seja para que na primeira oportunidade possamos vaiar, assobiar e mandar pr'áquele sítio o primeiro elemento do governo britânico que nos visitar.

Sei lá... Viva o IRA!... A raínha Isabel está caquética e o príncipe Carlos já vai a caminho e ainda nem chegou a rei... os principes, seus filhos, andam na borga sempre que podem...
Qualquer destas... ofensas, é nada comparado com o facto de eles, britânicos, pura e simplesmente ignorarem Portugal.

Foi tudo abafado.
Digo que foi abafado porque não acredito que ninguém em Portugal tenha lido aquela edição do Finantial Times...
Mas porque nos encolhemos?

Mas caro senhor Pinto de Sousa (ex-licenciado em engenharia pela Universidade Independente), liberte-nos!
O Saramago, velho e lutando pela vida contra um inultrapassável cancro é que tem razão... Apague-se Portugal do mapa.

Viva a Ibéria!
Badamerda para os eunucos que bramem, bramem, mas deixam passar situações destas.
E já aconteceu há mais de três meses.
Agarrem-se ao vosso tacho.
Agarrem-se bem.
Suguem-nos, enquanto podem.

Depois... ah!, depois só queria que vos deixassem às mãos do castigado povo português.
Caramba! Como eu gostaria de os ver arder em piras de fogo, como o excelso Marquês de Pombal fez com os Távora...

Mas, já agora, quem é que me esclarece?
Sou português ou... espanhol?

Fuck You!...


Recuemos ao mês de Outubro do ano passado.

Ia escaldante o caso-Maddie e, na grã-bretanha não eram só os tablóides que se interessavam pelo mais mediático desaparecimento de sempre (salvo, talvez, o rapto do filho de Charles Lindbergh, nos anos 30 do Século passado, mas aqui ao nível dos Estados Unidos) e até o circunspecto - e insuspeito (???) - Finantial Times a ele dedicou algum espaço.

Como ilustração (na edição do dia 13 de Outubro)... um mapa onde situava o acontecimento.

Vejam por vocês mesmo e tirem as evidentes conclusões.


Depois digam-nos que Portugal está a salvo de ser território-alvo de eventuais... interesses por parte de bandos de terroristas. Portugal talvez sim, mas Espanha...

Como já escrevi, vale-nos que na ETA se conhece bem a geografia ibérica! Acho eu!...

Aos amigos britânicos, e mesmo sem ser comendador, nem madeirense ou comer letras na maioria das palavras que pronuncia, eu digo...

FUCK YOU!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Quero a Minha Liberdade de Volta!

Interessantíssimo o artigo escrito, ontem na nm, pela “namorada” do senhor primeiro-ministro, que por acaso é jornalista.

O tema escolhido é, outra vez, o tabaco. Melhor, os fumadores. Tema olhado – não regateio o direito que a senhora tem de o fazer – pelo lado dos não fumadores. Essa “imensa” maioria silenciosa que durante séculos suportou o despotismo dos que apreciam um cigarro.

O curioso é que eu, que tenho mais de década e meia de estrada, que almocei e jantei em mais de um milhar de restaurantes, em todo o Portugal, mas também no estrangeiro, NUNCA testemunhei uma séria tomada de posição dessa maioria. Do estilo: “Não, não vou comer aí, porque o fumo me incomoda… Procuremos outro sítio".


Nunca!
E, não sendo frequentador dos sítios “in” da noite, bastava-me ver as páginas das coscuvilhices nos jornais e revistas mais dados a isso para ler o nome de miríades de “personalidades” que não se importavam de “levar com o fumo” numa qualquer discoteca da moda. Mas agora querem deixar-me, a mim e aos que fumam, à porta dos cafés e restaurantes.

Retardada militância esta, vinda do nada.
Eu disse “interessante” mas a verdade é que o texto é pobre. Não diz nada.

Mas que dá jeito ter na redacção a “namorada” do PM, lá isso deve dar.
Aos dois lados.

E a moçoila, em 3500 caracteres só escreve, de facto, 5 linhas. Onde apela à sublevação dos não fumadores julgando-se, sei lá, uma qualquer Maria da Fonte do Século XXI.
Por onde terá andado esta criatura nos últimos 40 anos? Vá lá… 25…
Quantos cigarritos terá fumado, primeiro às escondidas, depois ostensivamente como parte da sua afirmação como jovem adolescente, universitária… sei lá!

Mas não é esta figura que me preocupa. Um arrufo, a separação e num piscar de olhos estará a escrever contra as medidas mais ou menos autistas do agora seu “mais que tudo”.

É a Lei que continua a preocupar-me. Porque a cada dia desço mais fundo naquilo que ela quer dizer não sem ir esbarrando em incongruências do tamanho da incompetência de quem a traduziu da norma emanada de Bruxelas.
Por exemplo… é proibido fumar nos parques de estacionamento fechados.

Subterrâneos na maior parte das vezes.

Quem nunca esteve já num?
Espaço practicamente não arejado com 10/20 viaturas a entrar e outras tantas a sair ao mesmo tempo. Mais o equivalente a estes números somados de motores ligados enquanto se tiram os sacos para ir às compras – no caso específico das grandes áreas comerciais – ou se transferem as mesmas compras dos carrinhos do supermercado para a bagageira.

Quem nunca esteve num parque destes?
Onde o monóxido de carbono libertado pelas duas ou três dezenas de carros fazem com que nos arda os olhos e que tenhamos dificuldades em respirar. Ainda assim, mesmo que consigamos respirar, é o fumo dos escapes que respiramos.

Pois aí é proibido fumar em nome da qualidade do ar que todos têm que respirar.

Anedótico? Se não fosse tão sério até podia ser…

Mas volto atrás. Em mais de década e meia de viagens sucessivas, de ter a necessidade de comer em restaurantes, NUNCA assisti, ou ouvi falar, de quem tenha recusado entrar porque não estava de acordo com o facto de lá dentro se fumar.

Esquecendo as viagens, aqui mesmo, onde moro, posso dar exemplos mil de quem descia as escadas do prédio onde mora para ir almoçar ao restaurante que ocupa o rés-do-chão. E onde se podia fumar. Não ficavam nas suas casas, onde, eventualmente, ninguém poluía o ar com o fumo do tabaco. Iam meter-se no meio dele.
As mesmas pessoas que agora se riem de mim porque tenho que ir para a rua fumar.

Apesar disso, a “namorada” do senhor Pinto de Sousa – como, com piada, o Hugo Chavéz da Madeira lhe chama – vem, em cinco linhas que justificam toda a página pela qual é paga, apelar à sublevação dos fundamentalistas – “já que temos a fama ‘bora sê-lo, boa?”, como escreve – anti-tabaco.

Só podem ter o cú sentado na cadeira de um café ou restaurante, mas exigem que não se fume em nenhum!

Se é este o conceito de democracia do seu “namorado”… esperem aí que eu já venho.

Democracia era deixar aos proprietários a oportunidade de escolherem se, no espaço que é seu, privado, portanto, deixavam ou não fumar.

E as pessoas, em total liberdade, reencaminhavam-se para onde se sentissem bem.
Os não-fumadores para os locais onde não se fumaria, os fumadores para onde, e ao mesmo tempo que bebem uma bica e fazem as palavras cruzadas no jornal do dia, pudessem fumar o seu cigarrito.

Mas isso da livre escolha por parte de cada um devia ser uma das disciplinas do tal curso de engenharia que o senhor Pinto de Sousa comprou na Universidade Independente.

E como ele não foi às aulas…

sábado, 26 de janeiro de 2008

Expliquem-me, Por Favor!...

Ando agitado. A pressão arterial anda desalinhada, as batidas cardíacas de freio nos dentes.
Ando rabugento. Irritável. Olho de esguelha a palete de comprimidos que tenho de tomar diariamente. Serão os azuis que me põem neste estado? Ou aquelas cápsulas brancas e laranja? Desconfio de todos os brancos. Porque é que não têm uma outra côr qualquer como os outros? Assim confundo-os.

Estou implicativo. Eu, que sempre cultivei um low-profile que até ajuda a esconder esta timidez militante.

Acabo de ouvir, no Telejornal da RTP.1 um jornalista com a tarimba do José Rodrigues dos Santos ler sem pestanejar uma notícia que me irritou ainda mais.

Uma cidadã estadunidense terá sido raptada não sei em que país árabe. Enfiaram-lhe uma burka e as autoridades perderam-lhe o rasto. Só se sabe que tem 49 anos!...

Espera aí... Não se sabe nada sobre a mulher, se é alta ou baixa, loura ou morena, gorda ou magra, casada ou solteira (ou viúva ou divorciada), se tem pé-chato ou usa dentadura postiça, tudo coisas extremamente difíceis de perceber. Mas alto lá... Não nos enganam assim, sabemos que tem 49 anos.

Mas que raio de Informação é esta? Que jornalismo temos, afinal? E o que julgam eles (jornalistas) de nós, consumidores de notícias? Que somos completamente idiotas?

Se não sabem quem é, se não têm nenhum dos dados que atrás referi... como sabem que tem 49 anos?

Haja uma alma caridosa que mo explique.

Ah!, já agora, eu tenho 48 anos.
Esqueçam o 1,65 metros, os 74 quilos, os olhos azulados, o cabelo curto quase à escovinha, que uso prótese dentária e lentes de contacto...

No caso de vir a ser raptado não se esqueçam que tenho 48 anos. Acho que será meio caminho andado para poderem localizar-me e libertar-me.

Se é que eu vou querer ser libertado para voltar a esta sociedade em que metade são loucos e a outra metade parece se-lo.

x x x x x x x

Hoje até o "grande" Expresso comete um erro primário, daqueles tão primários que irritam mesmo!...

Nas páginas 2 e 3 desenvolve-se a teoria de que Portugal pode mesmo ser um alvo do terrorismo que se esconde atrás do crescente.
Não me surpreenderia nada, até porque se os "amigos" estadunidenses nos confundem com uma província de Espanha porque não há-de fazê-lo a Al-Qaeda?
Jamais a ETA, que esses conhecem a geografia ibérica.

Mas, na coluna mais à direita na dupla página do trabalho Portuguese Connection, lá nos tentam explicar como funciona a coisa dos níveis de segurança.
Ficamos a saber que está dividido em quatro estágios. Do amarelo Alfa ao que, suponho tenha sido a intensão, vermelho (saiu marrón) Delta.

A linguagem, isso é identificável, é militar e recorre ao alfabeto fonético usado há séculos nas suas transmissões só que... está ERRADO.

O alfabeto fonético - cada letra é transformada em palavra que não deixa margem para dúvidas na sua correcta interpretação - é o seguinte: A - Alfa; B - Bravo [e não BETA]; C- Charlie; D - Delta; E - Eco; F - Foxtrot; G - Golf... H - Hotel, e por aí adiante...

Até o Expresso...
Quem me acode???

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Atchimmm!... O Governo está constipado!

Está a ser perfeitamente incompetente a gestão, por parte deste Governo, das questões de Saúde. E eu pasmo.

Ao contrário do que poderia [poderá] acontecer noutras áreas da sociedade, acredito piamente que a centralização dos Serviços de Saúde é um passo muito importante para o Bem-estar de cada um de nós. É verdade, concordo com as medidas do Governo, só não percebo é porque não foi possível fazer passar uma mensagem tão importante quanto esta até ao… povão.

Atenção: concordo com tudo, menos com o encerramento da maternidade de Elvas. Acho humilhante – e eu não sou nada dado a nacionalismos bacocos – que bebés, filhos de portugueses, tenham que nascer em Espanha. Isso não!...

Acho muito bem que, quem vive relativamente perto da fronteira – ainda há fronteiras sim! Ainda somos um país diferente daquele que sempre foi nosso vizinho! – vá atestar o carrinho do lado de lá. Mais, dá-me um especial gozo que isso aconteça. Nada contra as pequenas empresas de distribuição de combustíveis, mas porque é uma das formas de chamar a atenção dos cinzentões que governam este país.

P’las minhas contas, dentro de dois anos – mais coisa menos coisa – a caça aos devedores de impostos chegará ao fim (ainda bem, que eu trabalho há 30 anos e sempre descontei para o Estado), e deixar escapar verbas, nomeadamente relativas ao IVA sobre os combustíveis, só porque mantemos preços mais altos, sendo que os espanhóis compram o crude exactamente onde nós o compramos, isso acho absurdo.

Eu, se morasse em Valença, Monção, Vilar Formoso, Caia ou Vila Real de Santo António, haveria de ir tomar a bica do lado de lá da fronteira. Não que seja mais barata (que eu saiba, e o café, pelo menos entre Vilar Formoso e Vila Real de Santo António - do lado de lá - até é Delta) mas porque poderia saborear o gostinho, que tanto gosto, do café expresso, ao mesmo tempo que podia fumar o meu cigarrinho…

Mas voltemos à questão da Saúde.
Mesmo dando de barato que – apesar de tudo – 75% da população portuguesa está como há 33 anos atrás, cega, quanto aos seus direitos e deveres de cidadania, engajada aos novos caciques, que são muitos dos presidentes de Câmara, se o Ministério tivesse começado a construir a casa como todas as casas se constroem, até o mais burro iria compreender.

Comentadores encartados, como Marcelo Rebelo de Sousa, já explicaram o fenómeno que vivemos.

O povão é parvo.

Estúpido e tem palas nos olhos, como os burros. E é facilmente manipulado por gentalha que, no fundo, se está perfeitamente nas tintas para o facto de se fecharem Urgências ou Maternidades.
Aliás, vê-se a forma como o semi-analfabeto – pelo menos no discurso – presidente do município da Anadia tem aproveitado em seu proveito – dele e só dele – as medidas que o Governo tomou e com as quais, repito, concordo no essencial.

A obrigação do Estado – e isso está consagrado na Constituição – é a de nos proporcionar a melhor assistência médica possível. E não será, com certeza, num Centro de Saúde ou mesmo num Hospital local, que poderemos ter os melhores médicos.

Faz todo o sentido que os concentremos em Unidades Hospitalares Regionais.

Aqui há que contar com uma outra realidade – e espanta-me que o Governo, o ministro, não tenham sabido lidar com isto – que é a da corrida às urgências dos Hospitais só porque se está constipado.

E aqui reforço o quanto o Governo não soube lidar com a situação.
Do ministro não sei qual a sua especialidade. É médico? Se o é, deve ter feito carreira como particular…

Não faz sentido que tenhamos Urgências abertas em hospitais, quando esse serviço é utilizado apenas por quem tem um torcicolo…
E pior ainda se, ao – adivinho – parco número de médicos residentes, ainda tivéssemos que tirar um ou dois para fazer a madrugada para tratar de constipações mal curadas.

Mas havia uma maneira tão simples de preparar o povão para estas medidas que, repito-me, são básicas.

Dava-se-lhes apenas um tempinho. Eles iam à Urgência local e de lá mandavam-nos para o Hospital Regional…

Mesmo que fosse só uma constipação. Ao fim de dois ou três meses, eram eles próprios a escolher dirigirem-se de imediato ao Hospital Regional, porque no da terra não resolviam o problema.

Era fazer batota e poderia até ser penalizador para os médicos. Era. E eu sou o primeiro a lamentá-lo. Mas quando a cabeça é dura, maior tem de ser a pancada para a partir.

Dou um exemplo – de entre muitos – daqueles que mais me chocou.

O Governo fechou as Urgências do Hospital de Vendas Novas e escolheu Montemor-o-Novo como Hospital de destino. De uma coisa todos estavam avisados, os casos MESMO graves, só tinham uma saída… ir para um dos hospitais de Évora. Os vendanovenses já fizeram mil e uma manifestações. Têm razão? Não!

Para os menos entendidos nessa coisa de mapas, olhem para este espaço preenchido de letras. Vendas Novas ficará no limite à esquerda desta página. Évora, no limite à direita. Digamos que há 60 km entre as duas cidades. Montemor-o-Novo fica bem ao centro, a 30 km de uma e de outra...

Os de Vendas Novas estão fartos de fazerem barulho mas quem é que lhes explica isto, tão simples…
… em caso de urgência mesmo justificada, são transportados para Montemor e, no caso de a coisa ser grave, são só mais 30 km até ao Hospital Central de Évora. Já estão a meio caminho…

Por outro lado, sendo como os vendanovenses querem, os doentes de Montemor-o-Novo, em caso de Urgência, teriam que ir 30 km para oeste e, se o caso fosse mesmo grave, voltar para trás 60 km até Évora… 90 km no total.

É evidente a manipulação desavergonhada de que alguns autarcas se aproveitaram. Escamoteando informações tão rectilíneas como estas que acabo de deixar escritas.

Agora volto ao princípio: porque é que o Ministério da Saúde não usou estes argumentos? Porque fez o que fez sem saber o que estava a fazer!

Mesmo nos casos bem feitos.

E depois vinga a tal veia caciquista de muitos autarcas que, sendo de cor diferente da do Governo, vêm à frente das manifestações (parvas) do povão, não porque estejam preocupados com este, mas para que no seu partido os vejam e, quem sabe, para a próxima os convidem para tachos ainda melhores. Ainda maiores…

Que triste País é este, o nosso.
E o exemplo teima em vir de cima.
Do Governo…