O tema escolhido é, outra vez, o tabaco. Melhor, os fumadores. Tema olhado – não regateio o direito que a senhora tem de o fazer – pelo lado dos não fumadores. Essa “imensa” maioria silenciosa que durante séculos suportou o despotismo dos que apreciam um cigarro.
O curioso é que eu, que tenho mais de década e meia de estrada, que almocei e jantei em mais de um milhar de restaurantes, em todo o Portugal, mas também no estrangeiro, NUNCA testemunhei uma séria tomada de posição dessa maioria. Do estilo: “Não, não vou comer aí, porque o fumo me incomoda… Procuremos outro sítio".
Nunca!
E, não sendo frequentador dos sítios “in” da noite, bastava-me ver as páginas das coscuvilhices nos jornais e revistas mais dados a isso para ler o nome de miríades de “personalidades” que não se importavam de “levar com o fumo” numa qualquer discoteca da moda. Mas agora querem deixar-me, a mim e aos que fumam, à porta dos cafés e restaurantes.
Retardada militância esta, vinda do nada.
Eu disse “interessante” mas a verdade é que o texto é pobre. Não diz nada.
Mas que dá jeito ter na redacção a “namorada” do PM, lá isso deve dar.
Aos dois lados.
E a moçoila, em 3500 caracteres só escreve, de facto, 5 linhas. Onde apela à sublevação dos não fumadores julgando-se, sei lá, uma qualquer Maria da Fonte do Século XXI.
Por onde terá andado esta criatura nos últimos 40 anos? Vá lá… 25…
Quantos cigarritos terá fumado, primeiro às escondidas, depois ostensivamente como parte da sua afirmação como jovem adolescente, universitária… sei lá!
Mas não é esta figura que me preocupa. Um arrufo, a separação e num piscar de olhos estará a escrever contra as medidas mais ou menos autistas do agora seu “mais que tudo”.
É a Lei que continua a preocupar-me. Porque a cada dia desço mais fundo naquilo que ela quer dizer não sem ir esbarrando em incongruências do tamanho da incompetência de quem a traduziu da norma emanada de Bruxelas.
Por exemplo… é proibido fumar nos parques de estacionamento fechados.
Subterrâneos na maior parte das vezes.
Quem nunca esteve já num?
Espaço practicamente não arejado com 10/20 viaturas a entrar e outras tantas a sair ao mesmo tempo. Mais o equivalente a estes números somados de motores ligados enquanto se tiram os sacos para ir às compras – no caso específico das grandes áreas comerciais – ou se transferem as mesmas compras dos carrinhos do supermercado para a bagageira.
Quem nunca esteve num parque destes?
Onde o monóxido de carbono libertado pelas duas ou três dezenas de carros fazem com que nos arda os olhos e que tenhamos dificuldades em respirar. Ainda assim, mesmo que consigamos respirar, é o fumo dos escapes que respiramos.
Pois aí é proibido fumar em nome da qualidade do ar que todos têm que respirar.
Anedótico? Se não fosse tão sério até podia ser…
Mas volto atrás. Em mais de década e meia de viagens sucessivas, de ter a necessidade de comer em restaurantes, NUNCA assisti, ou ouvi falar, de quem tenha recusado entrar porque não estava de acordo com o facto de lá dentro se fumar.
Esquecendo as viagens, aqui mesmo, onde moro, posso dar exemplos mil de quem descia as escadas do prédio onde mora para ir almoçar ao restaurante que ocupa o rés-do-chão. E onde se podia fumar. Não ficavam nas suas casas, onde, eventualmente, ninguém poluía o ar com o fumo do tabaco. Iam meter-se no meio dele.
As mesmas pessoas que agora se riem de mim porque tenho que ir para a rua fumar.
Apesar disso, a “namorada” do senhor Pinto de Sousa – como, com piada, o Hugo Chavéz da Madeira lhe chama – vem, em cinco linhas que justificam toda a página pela qual é paga, apelar à sublevação dos fundamentalistas – “já que temos a fama ‘bora sê-lo, boa?”, como escreve – anti-tabaco.
Só podem ter o cú sentado na cadeira de um café ou restaurante, mas exigem que não se fume em nenhum!
Se é este o conceito de democracia do seu “namorado”… esperem aí que eu já venho.
Democracia era deixar aos proprietários a oportunidade de escolherem se, no espaço que é seu, privado, portanto, deixavam ou não fumar.
E as pessoas, em total liberdade, reencaminhavam-se para onde se sentissem bem.
Os não-fumadores para os locais onde não se fumaria, os fumadores para onde, e ao mesmo tempo que bebem uma bica e fazem as palavras cruzadas no jornal do dia, pudessem fumar o seu cigarrito.
Mas isso da livre escolha por parte de cada um devia ser uma das disciplinas do tal curso de engenharia que o senhor Pinto de Sousa comprou na Universidade Independente.
E como ele não foi às aulas…
O que me faz recordar esta canção do Sérgio Godinho com quase 30 anos e tão actual: