quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Recuso a descriminação... e depois?

Nota prévia: Sei que fumar faz mal. Sei ler e, se tal não bastasse, jamais poderia invocar desconhecimento, de tal forma tem sido intensiva a campanha anti-tabaco.

Importante: Tenho-me como um bom cidadão.
Respeitador, no que concerne às obrigações; mais do que isso, sensível em relação a eventuais mal-estares que possa causar a terceiros. Fui educado no sentido de respeitar os outros. Todos os outros.

Em troca… sempre esperei ser respeitado. Nada mais justo… pensava eu.

Daqui a cinco dias o meu pequeno vício – o de fumar – vai fazer de mim cidadão de segunda categoria. Pago os meus impostos? Pago! Pago ainda mais por ser fumador? Pago. Mas vou ser empurrado para a rua.


Porque tenho que tomar as minhas refeições fora de casa, e porque entre o aperitivo e a refeição, e entre esta e o cafézinho não vou poder ter o prazer – porque para mim é um prazer – de um cigarrinho… vou ter que acatar uma decisão que limita a minha liberdade de escolha.

Eu escolhi fumar, apesar dos malefícios que reconheço no tabaco, mas daqui a cinco dias serei proscrito.

Eu aceito que no local de trabalho, onde os meus colegas que não fumam também têm direitos, me seja interdito fumar. Mas isso porque eles TÊM QUE LÁ ESTAR. É, também, o seu local de trabalho.

Eu não discuto que em edifícios públicos, onde TODA a gente terá, mais ou menos vezes, que ir, não se fume…
Como nas estações do metro, como nos autocarros, como nos comboios urbanos, em que as viagens são, no máximo, de – em média – 25 a 30 minutos.

E há outros casos que nem sequer são passíveis de discussão.
E eu sempre aceitei e cumpri a interdição de fumar.

Daqui a cinco dias, uma lei perfeitamente autista – como tantas outras a que temos que nos submeter e feitas por políticos de aviário – vai impedir-me de me juntar com dois, três ou quatro amigos e, enquanto bebemos um café, queimamos um ou dois cigarros.

Porque a Lei é autista.

Porque somos ridiculamente provincianos.
Porque abdicamos de pensar pela nossa cabeça e adoptamos regras decalcadas de outros lados. Onde a tendência para a uniformização dos cidadãos parece ser a única forma de os ter controlados.

Aqui ao lado, em Espanha, onde o mesmo problema foi legislado há um ano atrás, respeitou-se a identidade e a vontade de todos.
Dos donos dos espaços – que não são tão públicos assim, porque há alguém a pagar impostos para os ter abertos – e dos seus frequentadores.

Cada um podia estipular se deixava, ou não, que no seu espaço se pudesse fumar.
Parece-me justo. É justo!
Ninguém saía prejudicado.

O meu café favorito, aquele onde, depois do almoço, vou tomar a bica – e fumar dois cigarros – ou ao fim da tarde beber uma cerveja decide-se por interditar os cigarros no seu espaço? Amigos como antes.

Mas eu passo para o outro café ao lado onde posso fumar.

Foi assim em Espanha.
Mas Portugal tinha que ser diferente.

De fachada. Sempre.

São tantos os vícios privados que é canina a vontade de mostrar públicas virtudes.

Os proprietários – donos, que pagam impostos – dos espaços não podem sequer fazer contas. Isto porque aquilo que deveria ser uma opção pessoal – legítima – deixa de o ser quando para se poder fumar em qualquer estabelecimento de hotelaria é obrigatória a instalação de um equipamento que… nem sequer existe.

Não há! Está provado.

Não há equipamento que impeça que uma atmosfera marcada pelo fumo do tabaco, gasosa, como é, não ocupe outros espaços adjacentes.

O que a Lei pede é impossível de ser concretizado.

Depois, a mesma Lei dá a qualquer cidadão a autoridade para se sobrepôr à… autoridade. Aqui o legislador desmascara-se. O primeiro e único objectivo – do qual, aliás, é possível encontrar irmãos gémeos – é o de que cada cidadão passe a policiar o seu vizinho.

E com isso alargar a possibilidade de o Estado poder vir a cobrar… mais multas.

Dinheiro, dinheiro, dinheiro…
Para um Governo Socialista não está mal.

O Doutor Oliveira Salazar teria gostado de conhecer o licenciado José Sócrates. Provavelmente ter-lhe-ia dado a bênção, tal a forma obscura e com o único intuito de… limitar, limitar, limitar… as liberdades dos cidadãos com que vem a governar.

O meu problema é, de facto, o não poder, livremente… ser eu.
E eu… fumo.

E pago as refeições como qualquer outro.
E daqui a cinco dias não sei onde posso ir comer.

Melhor… sei.

Não posso ir a lado nenhum, sem deixar de ser eu.

Para que os outros – mesmo que seja a maioria (será?) – garantam os seus direitos… os meus são atropelados.

Agora, e entrego as minhas esperanças todas na redacção chefiado pelo Pedro Tadeu – que foi meu colega n’A Capital, onde começou a fazer suplementos comerciais – para que no dia 2 de Janeiro possamos ter noticiário devidamente documentado com as necessárias fotos de que alguns figurões – com um bocadinho de sorte, até algum membro do governo – não dispensaram o charuto após o lauto almoço no Gambrinus ou no Tavares Rico.
Ou enquanto degustavam um Cardhu no Pabe.

E que não me apanhem no Degrau e lixem a vida ao meu amigo Manel.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Faz o que eu digo, não faças o que eu faço…

A notícia vem na edição de hoje do Expresso.
Num dos pólos de uma das escolas de Formação Profissional geridas pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses, vulgo… CGTP, dos 12 professores em funções, dez estão a recibo verde.

Têm os mesmos deveres que os outros dois, que estão no quadro, mas nenhum direito.

Não têm subsídio de férias nem de Natal; pagam, do que recebem, a contribuição para a Segurança Social e, se por qualquer motivo perderem o posto de trabalho… não terão direito ao subsídio de desemprego.

A senhora que é citada na condição de Directora-geral da Escola Profissional Bento de Jesus Caraça admite que o tal pólo – cito na cidade de Famalicão – até está para fechar e esclarece que aquele estabelecimento, cito: “Respeita integralmente as regras do ensino particular e cooperativo”. Fim de citação…

Caiu-me… “aquilo” aos pés!
Mas então… que moral tem a CGTP para usar aquele blá, blá, blá, com cheiro a cassette mil vezes passada, em relação a quem… não faz mais do que aquilo que a própria central sindical faz?

O que é que virá a seguir?
Que há funcionários do PCP (ou da CGTP) com salários em atraso?
Bem… nesta ficámos a saber que há – e neste caso concreto – 83% de precários…

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

E um dia ele ainda vai, de alguma forma, mandar em mim!...

O meu velho pai vai que não vai, aproveitando os momentos que compartilhamos, conta-me histórias que vai rebuscar ao seu tempo de menino-obrigado-a-trabalhar-menino-ainda-porque-tinha-que-ajudar-no-susento-da-casa.

Está bem, o meu pai. Assim eu pudesse estar quando e se chegasse à idade dele. Mas às vezes já vai falhando. E conta-me hoje as mesmas histórias que já tinha contado há dois dias. Repete-se, portanto. Não se lembra que já contara…

Mas eu oiço sempre tentando mostrar a maior atenção possível.

Uma das histórias que mais vezes me contou reza assim:
(Recuemos 50 anos na nossa história…)

Trabalhando num montetraduzindo de alentejano para português, quer dizer, numa grande herdade (o latifúndio sempre foi a imagem de marca do Alentejo) – num final de tarde um companheiro de labuta, vendo passar a correr o filho mais novo do patrão, terá dito “devíamos era apertar-lhe o pescoço antes que comece a fazer mal à gente!”.

Contado pelo meu pai, homem perfeitamente apolítico, que tanto se lhe dá como se lhe deu, temos que despir daquela frase quaisquer conotações políticas e duvido mesmo que quem a terá proferido o tenha feito com tal intenção. O que saberia um assalariado agrícola nos anos 50 do Século passado e em pleno Alentejo acerca de política…

Eu sempre achei graça à piada, na forma como a interpretei. Ninguém faria mal ao jovem mais-do-que-certo-futuro-patrão, é evidente.

Mudaram os tempos, mudaram (mudaram?) as políticas e a verdade é que, depois de ler ou ouvir alguns jovens líderes das juventudes – seja lá de que partido forem – confesso que me lembro daquela estória e dou comigo a pensar exactamente o mesmo:

Devíamos era apertar-lhes o pescoço antes que cresçam mais e cheguem a mandar na gente.

Reparem nesta notícia (da Agência LUSA) que respiguei de um outro Blog de um amigo meu.

Líder da JP acusa deputado de...

"distúrbios revolucionários"

O líder da Juventude Popular (JP) apontou ontem o presidente do grupo parlamentar do PCP, Bernardino Soares, como um dos principais protagonistas dos "distúrbios revolucionários" do Verão Quente de 1975 – altura em que o deputado comunista tinha apenas quatro anos.
No almoço do CDS/PP que assinalou o aniversário da operação militar do 25 de Novembro de 1975, na Amadora, Pedro Moutinho disse ser preciso "apontar com frontalidade" alguns dos principais responsáveis por actos como os "sequestros e incêndios às sedes do CDS/PP logo após a revolução de Abril de 1974 e que continuam hoje no activo".
"Falo do actual presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, que mais tarde se renderia às virtudes do capitalismo. Falo também das bombas das FP-25 de Abril e de políticos actuais como Francisco Louçã, Luís Fazenda, Jerónimo de Sousa, Odete Santos e Bernardino Soares", referiu o dirigente centrista.
Segundo os registos da Assembleia da República, o actual líder parlamentar do PCP, Bernardino José Torrão Soares, nasceu no dia 15 de Setembro de 1971, tendo por isso quatro anos quando se deu o 25 de Novembro de 1975.
Já em relação às Forças Populares 25 de Abril – organização citada pelo líder da JC como estando na mesma linha política do Movimento das Forças Armadas –, não consta nenhum registo de que tenham actuado em 1975.
Esta organização conotada com a extrema-esquerda terá sido formalmente fundada em 1980 (no período do primeiro Governo da AD), ano em que começou a desenvolver a sua actividade.

Perante esta… lição de puro analfabetismo politico-social, dada por um mais que provável futuro deputado do Centro Democrático Social (CDS), digam lá… não apetecia mesmo lançar uma recolha de assinaturas a favor do aborto… com efeitos retroactivos?

terça-feira, 13 de novembro de 2007

A Guerra

Provavelmente este será o mais tolo apelo de sempre, porque há, de certeza, muito mais gente (vezes cem mil) a ver a RTP do que a ler este cantinho... mas se, por mero acaso ainda alguém não o marcou na agenda, não percam o documentário A Guerra, do Joaquim Furtado, que passa na RTP.1 às terças à noite...
Estou a reaprender a ser português.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Quem Percebeu a Mensagem?

Não sei quantos, dos muitos milhares – o número ultrapassará, largamente, o milhão – dos habituais espectadores do Telejornal da RTP1 identificaram ontem a sublime mensagem deixada pelo (creio que ainda) Director de Informação do Canal Público, antes disso – no sentido de mais importante do que isso – um Jornalista respeitável e respeitado, que nas últimas semanas se viu envolvido num caso que, infelizmente, é só mais um dos muitos que nos últimos meses nos foi oferecido por um mui sui generis governo Socialista no qual não se pode dizer que o PM se intitulou, indevidamente, como engenheiro (que não é), onde ciosos subordinados, à boa maneira dos velhos bufos de má memória – que, com o somatório de casos, já nos leva a pensar antes dizer qualquer coisa, se perto está alguém que não conhecemos -, correm a denunciar… uma piada que seja.

Um governo que controla (ou quer controlar) eventuais manifestações sindicais anti-sistema. Um governo que não admite poder interferir, via administração a ele subordinada, de forma a “controlar” o Departamento de Informação do mais poderoso meio de CS do País. A RTP. Mas a verdade, e essa é inegável, é que passando por cima – logo esvaziando-a nas suas competências – da Direcção de Informação, a administração do Canal Público conseguiu colocar num ponto-chave, na rede de correspondentes uma jornalista sexta classificada num concurso interno para o lugar que ia ficar vago em Madrid.

A verdade é que, após uma entrevista do Director de Informação, e no próprio dia em que essa entrevista saiu – entrevista onde se leu que não estava afastada a hipótese de haver influências directas da Teixeira Gomes sobre a administração da empresa, no sentido de “controlar” a Informação, este já não apresentou o Telejornal, o que só voltou a acontecer este fim-de-semana.

Pois!...
Yo no creo en brujas, pelo que las hay, hay…

Mas o que é que eu vi há pouco, e me pergunto quantos mais terão percebido a mensagem?

O Telejornal fechou com a notícia da passagem dos 25 anos sobre a morte de Adriano Correia de Oliveira, talvez o mais puro, o mais “engajado” e interveniente dos chamados Cantores de Intervenção [política].
Umas das vozes mais ouvidas, desde os finais dos anos 60 até 1982, quando morreu, inesperadamente. Com apenas 40 anos.

Com a música em fundo, o Jornalista despediu-se com o habitual “até amanhã” e um – que até nem foi original [fá-lo muitas vezes] – discreto piscar de olho.
A música em fundo… que depois foi “puxada” a primeiro plano, na interpretação original de Adriano Correia de Oliveira antes de passar para a versão numa voz feminina que inclui o disco de homenagem aos 25 anos sobre a morte do saudoso cantautor era, nem mais nem menos, entre tantas que podia ter sido, a “Trova do Tempo que passa”, de Manuel Alegre, que tem quatro dos versos mais emblemáticos da resistência ao regime de antes de 1974: “Mesmo na noite mais triste; em tempo de servidão; há sempre alguém que resiste… há sempre alguém que diz não.”

Já agora, e como homenagem a Adriano Correia de Oliveira, que morreu, subitamente, há 25 anos, com apenas 40 anos de idade, deixo o poema completo de Manuel Alegre, que ele (Adriano) musicou e cantou, transformando-o numa autêntica “bandeira”.

TROVA DO VENTO QUE PASSA
Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.
Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.
Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.
Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.
Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio - é tudo o que tem
quem vive na servidão.
Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.
E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.
Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.
Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).
Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.
E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.
Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.
E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.
Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo.
Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.
Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

domingo, 14 de outubro de 2007

E nós, Sociedade Civil… Que Fazemos?

Li, entre o último fim-de-semana e este, a entrevista que Catalina Pestana deu à revista Tabu, do semanário Sol. Não levei oito dias para ler a entrevista, esta é que foi dividida em duas partes, publicadas nos dois últimos números.

Se fiquei chocado? Não…
O pouco que sei sobre o “caso” Casa Pia e a opinião que já tinha formada, não foram em nada abalados. Antes pelo contrário…

… fiquei foi, inesperadamente abalado!
Então… a ex-provedora da Casa Pia – a que teve de segurar o barco quando este parecia ir ao fundo – vem confirmar denúncias que já antes fizera, insiste em nomes (diz que sabe de muitos mais mas, porque os crimes terão prescritos, recusa-se a atirá-los no ar só por atirar), confirma, para quem quiser ler, que um ex-governante (socialista) que chegou a ser preso mas depois foi posto à solta, é mesmo culpado – e anda por aí… – e não há um Juiz a quem a consciência mande fazer justiça.

Fixei uma frase de Catalina Pestana – que, evidentemente, foi alvo de várias queixas de… “puros inocentes” que produziram outros tantos processos – diz que não tem medo de ir a julgamento. Mas adianta, cito: “Prefiro mil vezes um juíz severo a um juíz medroso. Não há coisa pior para a Justiça do que um juíz medroso”.

As declarações de Catalina Pestana parecem-me credíveis. Algo naquela figura de avó me inspira confiança, e ela estica a corda e aponta o dedo a forças (muito) poderosas, como a Maçonaria. “… não é uma associação de malfeitores, mas tem um defeito tenebroso: os seus elementos protegem-se uns aos outros.”

Vem-me à cabeça um nome. O do juíz espanhol Baltazar Garzón.

Que assumiu, numa luta quase pessoal, a “guerra” ao terrorismo em Espanha.
Traz-me de volta uma velha série de TV, o Polvo, na qual, é também um juíz, praticamente sozinho, quem faz frente à máfia…

Há, nesta longa entrevista, dados que, ao longo dos últimos meses (anos) nos foram sonegados. Alguns, mais do que um, dos rapazes que testemunharam e que, já foram eliminados. Sem eufemismos, mortos.
Overdoses, acidentes… incidentes que, desligados do “caso” Casa Pia são apenas números, estatísticas.
Mas onde ela encontra ligações.

Admirei a coragem da senhora. E adivinho que ela sabe que corre riscos.
Sabe o nome de muita gente implicada. Não de “gente”, mas de gente importante.

Revela que os nomes estão compilados e foram entregues a quem lhe sobreviva de forma a que, daqui a 25 anos – quando o caso já não existir em concreto porque há prazos (que eu diria quase criminosos, em si mesmo) – se publiquem, se revelem então TODOS os nomes.

E sublinha-se a vergonhosa “emenda” acrescentada ao Código Penal, aprovada na Assembleia da República com os votos favoráveis do… Partido Socialista e do PSD! Crimes com igual enquadramento – descodificando, o mesmo crime perpetrado em continuado sobre a mesma pessoas – contam apenas como… UM crime.

Como não se pode matar “várias vezes” a mesma pessoa… sobra o quê?

Assaltos continuados ao mesmo banco?
Ou violação continuada sobre menores? Sendo que esta hipóteses é a mais macabra…
Não parece que é uma Lei feita à medida! É uma Lei feita à medida.

Catalina Pestana está agora envolvida num movimento de Cidadãos que, àparte dos sistemas judicial ou governamental, que não deixe morrer o “caso” Casa Pia.

Mas volto quase ao princípio.
O que é que está a emperrar a Justiça?
E só o facto de admitirmos que a Justiça está a ser… emperrada, é terrivelmente penalizador do nosso sistema judicial.

E porque é que a CS ignora isto?
Porquê? Porquê?

Mas há mais, Catalina Pestana garante que continuam a acontecer os mesmos casos na mesma instituição.
Quem, que coisa, que monstro está por trás de tudo isto que se acha tão inatingível que se ria da Justiça?

E onde é que está a resposta da Justiça?
Que Justiça?
Que País somos nós?
Em que país é que eu vivo?

As crianças que vão para a Casa Pia já são desprotegidos pelo destino.
Será sina delas continuarem desprotegidas para toda a vida?
E qual é o nosso – dos Cidadãos – papel?
Ficar a ver de longe?
Ignorar porque um dia optámos por um partido político e – aparentemente – é dentro desse mesmo que há mais desvios… ao aceite como normal?

Catalina Pestana fala, com amargura, do caso do tal dirigente socialista que chegou a estar preso, mas acabou por ser solto… e fala de tal forma que ninguém ficará com mais um pingo de dúvida. Aquele homem está envolvido.
E está aí… à solta, com uma vida… “normal”…

Que raio de país é este? E não estou a falar da não aceitação da candidatura de uma estação de rádio local. Estou a falar de seres humanos.

E se o prof. Marcelo ignora esta entrevista… já não sei quem poderá, abertamente, forçar a reabertura da discussão pública sobre o caso.

Daqui a 25 anos também eu já cá não estarei.
Quem seriam os velhinhos… devidamente acompanhados pelos seus delfins, que iam à Casa Pia escolher, como se de animais se tratassem, os miúdos que usariam, ou de quem se deixariam utilizar, para perversas práticas que me arrastam ao vómito.

Será que vamos mesmo ter que esperar… 25 anos?

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Hasta Siempre, Comandante!...

Passaram hoje 40 anos sobre o fuzilamento, por parte de um exército fantoche da Bolívia, que era, de facto, formado por operacionais da estadunidense CIA, de Ernesto Guevara. "Che", para a porterioridade.

Filho de um família da classe média - que cursou e tirou o curso de medicina - Che apaixonou-se pelo ideal de um Mundo onde, se as diferenças de classe fossem esbatida, seria um Mundo melhor.

Com Fidel Castro derrubou o governo do torcionário Fulgêncio Baptista, implementando o regime que, ainda hoje, vinga em Cuba. Foi ministro de vários ministérios, teve muito poder nas mãos, mas não era isso o que ambicionava.

Um dia, deixou Cuba para ir para África, envolvendo-se em mais uma batalha em prol da igualdade entre seres humanos, todos nascidos da mesma maneira, iguais, portanto.

Mas não ficou poa aí. Voltou à sua América - era argentino de nascimento - para, outra vez, se envolver noutras batalhas.

Na Bolívia, em Outubro de 1967 foi capturado pelas forças que operavam sob o comando dos Estados Unidos.

Conta a história que, perante o pelotão de fuzilamento bradou com raiva:
"Atirem, cobardes,
vocês vão matar apenas um homem!"

Errado.

Perpectuaram a imagem de um herói.
Um herói que foi símbolo para uma certa juventude de há 25 anos atrás.
Também eu tenho uma réplica da mais famosa foto do Mundo.

Em relação ao resto... ainda há dois ou três dias vi um documentário na televisão sobre a Cuba actual.

A Cuba onde grassa a pobreza, onde os cubanos não se podem aproximar das cosmopolitas praias como Varadero... Que enchem de dólares o governo porque os que "deus nos acuda, Fidel é um bárbaro"... INCLUÍNDO DEZENAS DE MILHAR DE PORTUGUESES... vão gastá-los lá! Sem o mínimo de pudor ou coerência.

(Podiam ir para a Caparica e ajudar a levantar os molhes que evitarão que as praias desapareçam...)

Cuba onde do pré-primário ao fim do curso universitário o ensino é gratuito.
E onde entram os melhores, sem olhar a classes sociais.

Cuba, onde, nos últimos meses, dezenas de portugueses têm ido para serem medicamente tratados... gratuitamente.

Não têm condomínios privados, com segurança electrónica a guardar a casinha que vão pagar até aos 125 anos... ou, se morrerem antes, alguém terá que assumir a dívida; não têm carros de marca, não têm dois carros por família.

Não os deixam ver as telenovelas brasileiras nem as séries americanas... as refeições são o mínimo essencial.

Mas onde, por exemplo, a educação e a saúde são gratuítas.

Deixemos os novos-ricos das periferias de Lisboa e do Porto estrebucharem.
Perguntem aos abandonados pela sorte, ditada por este Partido Socialista, se não gostavam que os filhos tivessem ensino gratuíto até ao fim do curso niversitário, ou se os velhos pais tivesses assistência médica a troco de nada...
Perguntem...
Porque couve com batatas JÁ É A ÚNICA COISA QUE PODEM COMER...

Se um dia, de cima, não do Estado, mas de quem MANDA no estado, que são os grandes grupos financeiros, vier a ordem para que todas as dívidas de todos os cidadãos, sejam pagas em 24 horas... ficaremos com os condomínios video-vigilados entregues aos ratos e, passados dois, três anos... não haverá diferenças em relação a Cuba.

A não ser aquelas.
A escola lá é gratuíta; a saúde lá é gratuíta...
As casas são muito pobrezinhas, mas todos têm a sua.

Não seria este, no seu todo, o ideal de Che Guevara, mas ele deixou mais do que provado que não era homem para gabinetes e para os zigues-zagues da política.

Acreditava num ideal. Lutou por ele.
Morreu por ele.
Faz hoje 40 anos.
Hasta Siempre Comandante!