terça-feira, 16 de outubro de 2007

Quem Percebeu a Mensagem?

Não sei quantos, dos muitos milhares – o número ultrapassará, largamente, o milhão – dos habituais espectadores do Telejornal da RTP1 identificaram ontem a sublime mensagem deixada pelo (creio que ainda) Director de Informação do Canal Público, antes disso – no sentido de mais importante do que isso – um Jornalista respeitável e respeitado, que nas últimas semanas se viu envolvido num caso que, infelizmente, é só mais um dos muitos que nos últimos meses nos foi oferecido por um mui sui generis governo Socialista no qual não se pode dizer que o PM se intitulou, indevidamente, como engenheiro (que não é), onde ciosos subordinados, à boa maneira dos velhos bufos de má memória – que, com o somatório de casos, já nos leva a pensar antes dizer qualquer coisa, se perto está alguém que não conhecemos -, correm a denunciar… uma piada que seja.

Um governo que controla (ou quer controlar) eventuais manifestações sindicais anti-sistema. Um governo que não admite poder interferir, via administração a ele subordinada, de forma a “controlar” o Departamento de Informação do mais poderoso meio de CS do País. A RTP. Mas a verdade, e essa é inegável, é que passando por cima – logo esvaziando-a nas suas competências – da Direcção de Informação, a administração do Canal Público conseguiu colocar num ponto-chave, na rede de correspondentes uma jornalista sexta classificada num concurso interno para o lugar que ia ficar vago em Madrid.

A verdade é que, após uma entrevista do Director de Informação, e no próprio dia em que essa entrevista saiu – entrevista onde se leu que não estava afastada a hipótese de haver influências directas da Teixeira Gomes sobre a administração da empresa, no sentido de “controlar” a Informação, este já não apresentou o Telejornal, o que só voltou a acontecer este fim-de-semana.

Pois!...
Yo no creo en brujas, pelo que las hay, hay…

Mas o que é que eu vi há pouco, e me pergunto quantos mais terão percebido a mensagem?

O Telejornal fechou com a notícia da passagem dos 25 anos sobre a morte de Adriano Correia de Oliveira, talvez o mais puro, o mais “engajado” e interveniente dos chamados Cantores de Intervenção [política].
Umas das vozes mais ouvidas, desde os finais dos anos 60 até 1982, quando morreu, inesperadamente. Com apenas 40 anos.

Com a música em fundo, o Jornalista despediu-se com o habitual “até amanhã” e um – que até nem foi original [fá-lo muitas vezes] – discreto piscar de olho.
A música em fundo… que depois foi “puxada” a primeiro plano, na interpretação original de Adriano Correia de Oliveira antes de passar para a versão numa voz feminina que inclui o disco de homenagem aos 25 anos sobre a morte do saudoso cantautor era, nem mais nem menos, entre tantas que podia ter sido, a “Trova do Tempo que passa”, de Manuel Alegre, que tem quatro dos versos mais emblemáticos da resistência ao regime de antes de 1974: “Mesmo na noite mais triste; em tempo de servidão; há sempre alguém que resiste… há sempre alguém que diz não.”

Já agora, e como homenagem a Adriano Correia de Oliveira, que morreu, subitamente, há 25 anos, com apenas 40 anos de idade, deixo o poema completo de Manuel Alegre, que ele (Adriano) musicou e cantou, transformando-o numa autêntica “bandeira”.

TROVA DO VENTO QUE PASSA
Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.
Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.
Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.
Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.
Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio - é tudo o que tem
quem vive na servidão.
Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.
E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.
Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.
Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).
Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.
E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.
Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.
E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.
Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo.
Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.
Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

domingo, 14 de outubro de 2007

E nós, Sociedade Civil… Que Fazemos?

Li, entre o último fim-de-semana e este, a entrevista que Catalina Pestana deu à revista Tabu, do semanário Sol. Não levei oito dias para ler a entrevista, esta é que foi dividida em duas partes, publicadas nos dois últimos números.

Se fiquei chocado? Não…
O pouco que sei sobre o “caso” Casa Pia e a opinião que já tinha formada, não foram em nada abalados. Antes pelo contrário…

… fiquei foi, inesperadamente abalado!
Então… a ex-provedora da Casa Pia – a que teve de segurar o barco quando este parecia ir ao fundo – vem confirmar denúncias que já antes fizera, insiste em nomes (diz que sabe de muitos mais mas, porque os crimes terão prescritos, recusa-se a atirá-los no ar só por atirar), confirma, para quem quiser ler, que um ex-governante (socialista) que chegou a ser preso mas depois foi posto à solta, é mesmo culpado – e anda por aí… – e não há um Juiz a quem a consciência mande fazer justiça.

Fixei uma frase de Catalina Pestana – que, evidentemente, foi alvo de várias queixas de… “puros inocentes” que produziram outros tantos processos – diz que não tem medo de ir a julgamento. Mas adianta, cito: “Prefiro mil vezes um juíz severo a um juíz medroso. Não há coisa pior para a Justiça do que um juíz medroso”.

As declarações de Catalina Pestana parecem-me credíveis. Algo naquela figura de avó me inspira confiança, e ela estica a corda e aponta o dedo a forças (muito) poderosas, como a Maçonaria. “… não é uma associação de malfeitores, mas tem um defeito tenebroso: os seus elementos protegem-se uns aos outros.”

Vem-me à cabeça um nome. O do juíz espanhol Baltazar Garzón.

Que assumiu, numa luta quase pessoal, a “guerra” ao terrorismo em Espanha.
Traz-me de volta uma velha série de TV, o Polvo, na qual, é também um juíz, praticamente sozinho, quem faz frente à máfia…

Há, nesta longa entrevista, dados que, ao longo dos últimos meses (anos) nos foram sonegados. Alguns, mais do que um, dos rapazes que testemunharam e que, já foram eliminados. Sem eufemismos, mortos.
Overdoses, acidentes… incidentes que, desligados do “caso” Casa Pia são apenas números, estatísticas.
Mas onde ela encontra ligações.

Admirei a coragem da senhora. E adivinho que ela sabe que corre riscos.
Sabe o nome de muita gente implicada. Não de “gente”, mas de gente importante.

Revela que os nomes estão compilados e foram entregues a quem lhe sobreviva de forma a que, daqui a 25 anos – quando o caso já não existir em concreto porque há prazos (que eu diria quase criminosos, em si mesmo) – se publiquem, se revelem então TODOS os nomes.

E sublinha-se a vergonhosa “emenda” acrescentada ao Código Penal, aprovada na Assembleia da República com os votos favoráveis do… Partido Socialista e do PSD! Crimes com igual enquadramento – descodificando, o mesmo crime perpetrado em continuado sobre a mesma pessoas – contam apenas como… UM crime.

Como não se pode matar “várias vezes” a mesma pessoa… sobra o quê?

Assaltos continuados ao mesmo banco?
Ou violação continuada sobre menores? Sendo que esta hipóteses é a mais macabra…
Não parece que é uma Lei feita à medida! É uma Lei feita à medida.

Catalina Pestana está agora envolvida num movimento de Cidadãos que, àparte dos sistemas judicial ou governamental, que não deixe morrer o “caso” Casa Pia.

Mas volto quase ao princípio.
O que é que está a emperrar a Justiça?
E só o facto de admitirmos que a Justiça está a ser… emperrada, é terrivelmente penalizador do nosso sistema judicial.

E porque é que a CS ignora isto?
Porquê? Porquê?

Mas há mais, Catalina Pestana garante que continuam a acontecer os mesmos casos na mesma instituição.
Quem, que coisa, que monstro está por trás de tudo isto que se acha tão inatingível que se ria da Justiça?

E onde é que está a resposta da Justiça?
Que Justiça?
Que País somos nós?
Em que país é que eu vivo?

As crianças que vão para a Casa Pia já são desprotegidos pelo destino.
Será sina delas continuarem desprotegidas para toda a vida?
E qual é o nosso – dos Cidadãos – papel?
Ficar a ver de longe?
Ignorar porque um dia optámos por um partido político e – aparentemente – é dentro desse mesmo que há mais desvios… ao aceite como normal?

Catalina Pestana fala, com amargura, do caso do tal dirigente socialista que chegou a estar preso, mas acabou por ser solto… e fala de tal forma que ninguém ficará com mais um pingo de dúvida. Aquele homem está envolvido.
E está aí… à solta, com uma vida… “normal”…

Que raio de país é este? E não estou a falar da não aceitação da candidatura de uma estação de rádio local. Estou a falar de seres humanos.

E se o prof. Marcelo ignora esta entrevista… já não sei quem poderá, abertamente, forçar a reabertura da discussão pública sobre o caso.

Daqui a 25 anos também eu já cá não estarei.
Quem seriam os velhinhos… devidamente acompanhados pelos seus delfins, que iam à Casa Pia escolher, como se de animais se tratassem, os miúdos que usariam, ou de quem se deixariam utilizar, para perversas práticas que me arrastam ao vómito.

Será que vamos mesmo ter que esperar… 25 anos?

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Hasta Siempre, Comandante!...

Passaram hoje 40 anos sobre o fuzilamento, por parte de um exército fantoche da Bolívia, que era, de facto, formado por operacionais da estadunidense CIA, de Ernesto Guevara. "Che", para a porterioridade.

Filho de um família da classe média - que cursou e tirou o curso de medicina - Che apaixonou-se pelo ideal de um Mundo onde, se as diferenças de classe fossem esbatida, seria um Mundo melhor.

Com Fidel Castro derrubou o governo do torcionário Fulgêncio Baptista, implementando o regime que, ainda hoje, vinga em Cuba. Foi ministro de vários ministérios, teve muito poder nas mãos, mas não era isso o que ambicionava.

Um dia, deixou Cuba para ir para África, envolvendo-se em mais uma batalha em prol da igualdade entre seres humanos, todos nascidos da mesma maneira, iguais, portanto.

Mas não ficou poa aí. Voltou à sua América - era argentino de nascimento - para, outra vez, se envolver noutras batalhas.

Na Bolívia, em Outubro de 1967 foi capturado pelas forças que operavam sob o comando dos Estados Unidos.

Conta a história que, perante o pelotão de fuzilamento bradou com raiva:
"Atirem, cobardes,
vocês vão matar apenas um homem!"

Errado.

Perpectuaram a imagem de um herói.
Um herói que foi símbolo para uma certa juventude de há 25 anos atrás.
Também eu tenho uma réplica da mais famosa foto do Mundo.

Em relação ao resto... ainda há dois ou três dias vi um documentário na televisão sobre a Cuba actual.

A Cuba onde grassa a pobreza, onde os cubanos não se podem aproximar das cosmopolitas praias como Varadero... Que enchem de dólares o governo porque os que "deus nos acuda, Fidel é um bárbaro"... INCLUÍNDO DEZENAS DE MILHAR DE PORTUGUESES... vão gastá-los lá! Sem o mínimo de pudor ou coerência.

(Podiam ir para a Caparica e ajudar a levantar os molhes que evitarão que as praias desapareçam...)

Cuba onde do pré-primário ao fim do curso universitário o ensino é gratuito.
E onde entram os melhores, sem olhar a classes sociais.

Cuba, onde, nos últimos meses, dezenas de portugueses têm ido para serem medicamente tratados... gratuitamente.

Não têm condomínios privados, com segurança electrónica a guardar a casinha que vão pagar até aos 125 anos... ou, se morrerem antes, alguém terá que assumir a dívida; não têm carros de marca, não têm dois carros por família.

Não os deixam ver as telenovelas brasileiras nem as séries americanas... as refeições são o mínimo essencial.

Mas onde, por exemplo, a educação e a saúde são gratuítas.

Deixemos os novos-ricos das periferias de Lisboa e do Porto estrebucharem.
Perguntem aos abandonados pela sorte, ditada por este Partido Socialista, se não gostavam que os filhos tivessem ensino gratuíto até ao fim do curso niversitário, ou se os velhos pais tivesses assistência médica a troco de nada...
Perguntem...
Porque couve com batatas JÁ É A ÚNICA COISA QUE PODEM COMER...

Se um dia, de cima, não do Estado, mas de quem MANDA no estado, que são os grandes grupos financeiros, vier a ordem para que todas as dívidas de todos os cidadãos, sejam pagas em 24 horas... ficaremos com os condomínios video-vigilados entregues aos ratos e, passados dois, três anos... não haverá diferenças em relação a Cuba.

A não ser aquelas.
A escola lá é gratuíta; a saúde lá é gratuíta...
As casas são muito pobrezinhas, mas todos têm a sua.

Não seria este, no seu todo, o ideal de Che Guevara, mas ele deixou mais do que provado que não era homem para gabinetes e para os zigues-zagues da política.

Acreditava num ideal. Lutou por ele.
Morreu por ele.
Faz hoje 40 anos.
Hasta Siempre Comandante!

sábado, 29 de setembro de 2007

Todos em pé de igualdade. Isso seria bonito

Isto escrito por um Jornalista pode parecer qualquer coisa muito próximo do lesa-compromisso que todos assumimos em escrever (ou dizer) a verdade, só a verdade, dentro daquilo que conseguimos saber. Mas a verdade.

Enquanto cidadãos, todos temos tendências políticas, todos temos tendências… clubistas. Que é de futebol que vou escrever. Temos uma das profissões mais bonitas que há. Temos acesso a informações que a esmagadora maioria dos cidadãos não tem e temos à nossa disposição meios para as veicular.

E temos que ser honestos e justos porque a tal imensa maioria, estando de fora, começa por acreditar em tudo o que dizemos ou escrevemos. Crescem as nossas responsabilidades.

Mas nós somos apenas um peça no grande puzzle daquilo que é a informação. Porque esta envolve terceiros. Que têm que ser percebidos, cujas palavras não podem ser retiradas do respectivo contexto, que não podem ter um tratamento especial, segundo pertençam, ou não, à nossa tribo. Política ou desportiva. Melhor dizendo, futebolística.

Entremos, definitivamente na área do futebol. Que é sempre um barril de pólvora, à espera que alguém acenda o rastilho. E isto é potenciado pela outra grande facção, a da política.

Quantos mais “casos” forem criados em torno do futebol, quanto mais tempo o simples cidadão gastar a discutir um penalti que o foi ou nem por isso, não está a discutir o que realmente é importante para as nossas vidas.

E o futebol, hoje em dia (quase) totalmente televisionado é o “escudo” que os políticos agradecem.

Houve, num Hospital Público e devido ao uso de um produto fora de prazo (ou seja lá o que tenha sido) levou, depois de meia dúzia de intervenções cirúrgicas aos olhos de outros tantos cidadãos, um caso em que foi necessário fazer a ablação de um olho a um deles? Houve outra que entrou a ver mal e saiu completamente cega?
Quem se interessa?

O que interessa é que houve um penalti mal assinalado – num jogo que não vi (eu não vejo futebol!) – a favor de um dos Grandes e a visão (passe a ironia) do técnico da equipa pretensamente prejudicada, que aceitou o erro do árbitro como… humano (quem é que nunca errou?) é publicada porque cada um dos jornais tem receio daquilo que o outro venha a escrever.

Hoje, porque coincidiu com a minha hora de jantar, vi a primeira do Benfica – Sporting. E foi sem qualquer espécie de problemas que, terminado o jantar recolhi ao meu canto, desvalorizando o facto de ser um Benfica-Sporting. Não me interessa.

Receio, isso sim, que precisando de ser submetido a uma intervenção cirúrgica, não saia do bloco operatório pior do que entrei. Isso sim, devia ser discutido. E devia juntar-se, solidariamente, toda a gente às vítimas. A quem se entrega nas mãos de “especialistas” e sai de lá pior do que entrara.

Quero lá saber se o penalti da Amadora foi penalti ou não? Cagando.

Isto porque não vi o jogo, como não costumo ver. Mas hoje vi a primeira parte do Benfica-Sporting.
E vi o quê? Por exemplo… vi um lance dentro da área do Benfica – parece que houve outro na área contrária, mas na 2.ª parte que não vi – em que um jogador da equipa da casa, num relvado extremamente molhado pela chuvada que se abateu sobre Lisboa terá, ao nele deslizar, tocado um adversário.
Alguém gritou penalti? Só muito timidamente, apesar de tudo, o relator (não, não vou dizer a estação que estava a ouvir) que não consegue, NUNCA O CONSEGUIU, “despir” a camisola.

Depois vêm as “n” “repetições” e, aí… o comentador de serviço – que ignoro quem seja – dá o seu amem. Quem sintonizava aquela estação de rádio, e segundo a côr que perfilhou, vai ter assunto para amanhã, entre um copo de tinto e o seguinte.

Isto despertou um clique na minha cabeça. Ora, se o árbitro – se os árbitros – não têm acesso às repetições da televisão… será justo que os comentadores o tenham?

Descodificando: à primeira, o relator (são jornalistas porquê?) vendo o lance como adepto, puxou a brasa à sua sardinha. O comentador ficou calado. À espera da repetição. E assinou por baixo a opinião do "colega", com quem, a seguir ao jogo, terá ido jantar.

Eu também vi as várias repetições e vi um atleta a tentar defende a sua baliza de estendeu a perna, que deslizou numa relva ensopada e que, falhando a intercepção da bola “colheu” o seu adversário. Que não teria – porque também estava em queda – a mínima hipótese de dar seguimento ao lance. Mas isto é futebol ou não?

(Mas alguém se interessa por isso? Amanhã fará manchetes...)

O árbitro teve uma fracção de segundo para ajuizar o lance. Ele, que está à chuva, como os jogadores, achou que não devia apitar.
Quem estava no camarote, climatizado – refiro-me ao comentador – não se atreveu a afirmar, no momento, que era falta merecedora da penalidade máxima. Depois, vistas as várias repetições, optou por aparelhar com o narrador. E o árbitro – que não tem hipóteses de ver repetições – ficou ali conotado com o facto de ter beneficiado um dos contendores.

Somam-se, semana após semana, as criticas – para não dizer outra coisa – em relação aos árbitros. Porque cometem erros perfeitamente visíveis? Não, porque nas repetições, apresentadas sob vários ângulos, se consegue perceber que erraram.

Ontem, numa curta saída até aos Correios, de onde enviei a prologação da minha baixa médica, à Caixa e ao patrão, no regresso encontrei um amigo e fomos beber um café. Falaríamos de quê? De futebol, pois então…

E, depois de ele – que até é adepto de um grande clube da Cidade do Porto – ter mastigado e cuspido o árbitro do Estrela da Amadora-Benfica, chegando a exigir que o homem – que eu não sei quem foi – fosse simplesmente afastado dos campos de futebol, eu, mui naïfamente – porque ele insistia que o juíz tinha demonstrado não ter estado à altura – disse que os dois jogadores da equipa do seu coração, os dois que falharam os penalties, teriam, naquela ordem de ideias, que sofrer a mesma sanção.

Mais… porque são profissionais pagos – de um forma ofensiva para o português médio – a peso de ouro, se calhar deveriam ser proíbidos de voltar a pisar um relvado.

Que não era nada disso! – apressou-se a responder.
A conversa ficou por ali.

Mas isso deu-me uma ideia, que agora venho aqui expôr.

Que os comentadores, da Rádio ou da Televisão, dêem a sua opinião no momento.
Em vez de esperarem pelas repetições que o árbitro não pode ver.
Que raio de homens são?
Esperam que a televisão lhes dê aquilo a que o árbitro não tem direito, para depois o zurzirem?

Caramba!

O árbitro, depois de ter visto o que os outros viram poucos segundos depois, veio reconhecer que errara.

Eu tenho uma ideia. Acabem-se, nos directos, com as repetições dos lances.

Os comentadores – que ganham (e bem) a vida a cavar sepulturas – teriam que avalizar o lance tal como o árbitro.
Sim… ou não?
Teriam que o assumir.

Mais tarde, no final da partida, ou no dia seguinte, mostravam-se as repetições e via-se quem tinha razão.

E haveria “comentadores” que arriscavam o nome numa apreciação NO MOMENTO.

Teria que haver.

O que é quase pornográfico é que um – o árbitro – tenha uma fracção de segundos para julgar um lance, e que outros, no fofinho, e depois de verem quatro, cinco repetições, o condenem ali, publicamente.
E no caso dos comentadores das rádios, quando sabem que nas bancadas os estão a ouvir.


Haverá algum que tenha a coragem de, até porque não está preocupado com mais nada, abdique do auxílio das imagens de televisão para, com o mesmo tempo que o árbitro tem, dar a sua opinião?
Que depois pode vir a ser desmentida pelas repetições, APÓS o jogo?

Não creio.
Mas, mais do que injusto é desonesto.
E há tanta gente que ganha a vida desonestamente.

Que sabe que o faz, e não demonstra a mínima vergonha por isso.
É nesses que devemos acreditar?
Eu acho que não…

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Se ISTO é Justiça... EU TENHO VERGONHA!

Há uma frase que, apesar de aceite como definição diz que, a Democracia é uma treta, mas também é o melhor regime político dos existentes.
O que não deixa de significar que seja… uma treta.

Mas não é de Democracia que quero falar porque nela se albergam conceitos tão amplos quanto perniciosos.

No campo do direito, por exemplo.

O que é um Juíz?
A figura de juíz – mesmo que assim não se chamasse – deve ser das mais antigas da estrutura social do Homem, enquanto ser pensante e, mais do que isso, desde que passou a ser gregário.
Desde que passou a viver em comunhão com outros homens.

Desde sempre terão havido questiúnculas, desavenças… Resolvidas, num primeiro estágio, pela força da… força.

Mas desde que os Homens se juntaram em tribos, primeiro, depois em pequenas comunidades e depois se congregaram em nações – que não tem nada a ver com a figura de país, ou conglomerado de países, como hoje o vemos – que existe a figura de juíz. O que ajuíza. O que mede razões e decide. Para um ou para o outro lado. Com força de Lei. Mesmo quando o conceito de Lei ainda não existia.

Por isso esse papel pertenceria sempre ao ancião – ou ao conselho de anciões – da aldeia, aglomerado de aldeias… nações.

Ouviam-se as partes e aceitava-se a decisão assente na sabedoria de quem já tinha vivido muito. Por quem já, antes, tinha tido necessidade de decidir.

Como a Sociedade era uma máquina bem mais simples, as decisões quase sempre eram justas. Logo, aceites sem discussão.

A Sociedade evoluiu. Inventaram-se classes e daí até se inventar aquilo a que hoje chamamos influências (que só funciona porque há influenciáveis) foi um passo. Pequeno. Mesquinho. Vergonhoso.

A Juíz chega quem tem posses – ou porque atrás dele há quem tem posses.
Deixou de ser o sábio – por acumulação de experiências vividas, para ser… alguém decide que há-de ser. Apesar de, no caso concreto dos juízes, ser o topo de uma carreira na qual, acredito – quero acreditar – não é fácil atingir.

Mas hoje em dia um Juíz pode ser – e o caso que justifica este artigo já será revelado – ou um Homem Bom, ou apenas mais uma peça de um sistema que está caduco, minado, que olha o réu que se lhe apresenta com olhos diferentes. Consoante a sua proveniência de entre os vários extractos sociais.

Ou pode ser apenas uma “máquina” fria que se limita ao a fazer cumprir o Código Penal. Será que dorme todas as noites de consciência tranquila porque, a tempo, conseguiu decidir-se pelo artigo “x” do Código Penal… e não pelo “y”?

Há Juízes, tenho a certeza que há, que assim alicerçam a sua carreira. Ainda por cima marcando pontos em causas mediáticas com o supremo sentimento do dever cumprido.
A sua consciência, ao aceitarem não ser mais do que simples peça do todo que é uma máquina infernal e não totalmente controlada e que resume a Justiça, deixa-os tranquilos.

Serão, estes, bons Juízes?

Só porque cumprem à letra o que outros, com tanta experiência de vida vivida como ele escreveram?
Se está tudo escrito, porque raio precisamos de juízes?

Qualquer funcionário público, desde que com acesso ao Código Penal, pode – mesmo que leve mais tempo – acabar por encontrar o artigo certo no qual se enquadra o ilícito.

E lá está escrito a pena a aplicar.

Porque precisamos de Juízes?
Porque é que eu acho que precisamos de Juízes?

Porque cada caso é um caso e a introdução, no meio do que está friamente escrito seja lá em que código for, do factor sentimento humano é fundamental.

Foi sempre assim. Desde o tempo dos Conselhos de Aldeia. O mais idoso – porque a ele se reconhecia ter mais experiência de vida – haveria de, pesando os argumentos de cada uma das partes, decidir.

Mais do que com Justiça. Com Justeza.

Refiro-me aqui ao caso da pequenita de Rio Maior. Confesso que nem sei o seu nome, apenas que o pai adoptivo é militar.

E confesso que a Comunicação Social, nomeadamente a televisão, sem a sombra dos tripés das câmaras de estações internacionalmente conhecidasperde gás.

Não tem iniciativa.
Não dá opinião.
Não esclarece.
Abdica do seu DEVER de informar.

Não que o sargento da GNR foi detido. Isso é folclore.


Não que a avó paterna da menina diz que a sua casa – humilde, mas não irei por aí – tem três quartos de dormir e até um corredor, onde a criança pode brincar.

Este que, espero que alguém com mais e melhores qualificações do que eu um dia destes venha a assumir publicamente a sua defesa, é um caso ERRADO desde o princípio.

E errado porquê?
Porque o que está a ser julgado não é se um pai, ausente desde o princípio – e nem falo da mãe, que dessa nada sei – tem ou não direitos em relação à filha que, tanto quanto percebo, ignorou durante CINCO anos.
O que está a ser, não é julgado, é JOGADO, é o futuro de uma criança.

Uma criança que não reconhece a mãe biológica; que tem medo do pai biológico e que, durante anos afundou, bem fundo, as raízes familiares com quem a acolheu.

Em que circunstâncias? Também não sei. Quem sabe?

Por isso misturo o papel da Comunicação Social em tudo isto.
Explicaram-nos o quê?

Deram-nos imagens da pequena, em momentos de privacidade com a SUA REAL FAMÍLIA? Mostraram-nos o quão bem se sente?
Ouvimo-la chamar PAI ou MÃE a quem esteve presente quando os primeiros dentinhos nasceram, quando teve as primeiras febres, quando foi uma criança a precisar de uns PAIS e os teve?

Não eram aqueles que em dez minutos a conceberam?
Então… ONDE ESTÃO ESSES?
PORQUE É QUE DURANTE TODO ESTE TEMPO se mantiveram afastados?

Porque é que agora a reclamam como se de um bibelot perdido se tratasse?
Quem um dia, lá para trás, achou ser descartável, mas que agora, e vá lá saber-se porquê, exigem de volta.
Com que direitos?

E volto ao princípio.
Que raio de Juíz, regendo-se apenas pelo que está escrito num livro que provavelmente nem leu todo ainda, decreta que… a criança que já não é tão criança assim, que já criou laços, já lançou raízes na sua pequena família, a única que conheceu… que raio de Juíz – que é um Homem, provavelmente com filhos – olhando apenas para o espírito da Lei decreta que essa criança tem que deixar a sua FAMILIA, a única, para ser entregue a um pai que nem se sabe por onde anda…

Não se trata de Leis aqui.
Trata-se de senso comum.
E que raio de Juíz é este que não tem senso comum.

E o Estado, essa besta que falta todos os dias, em cada uma das horas desse dia, em cada um dos minutos dessas horas… às suas obrigações sociais, esse estado suporta a decisão desse homem que alguém fez Juíz.

Mais… disponibiliza psicólogos e pedopsiquiatrias aos molhos…
Quem quer? Quem precisa?
Temos por aqui muitos… (sem fazer nada, acredito!)
… E esquece a ÚNICA coisa que deveria neste momento estar em discussão: NADA… NADA! MESMO NADA se deveria sobrepôr ao bem-estar desta criança.
E a solução é só uma: DEIXÁ-LA FICAR COM QUEM DEIXOU DE DORMIR, POR CAUSA DAS PRIMEIRAS DORES QUANDO OS DENTINHOS COMEÇARAM A NASCER; COM QUEM PERDEU HORAS NA FILA PARA AS PRIMEIRAS VACINAS; com quem a quer como se fosse A SUA FILHA DE SANGUE.

EU NÃO QUERO UMA JUSTIÇA CEGA
.
Não assim.
Envergonha-me. Mais… causa-me asco.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Jornalista: profissão em vias de extinção

Temos a doce mania – o que não deixa de nos dar, confesso que sim, um certo ar naïf-liberal – de nos compararmos com tudo. Com todos.
Comecemos pelos Estados Unidos – que servem perfeitamente, no caso, como exemplo – onde não há UM jornal nacional. Também não podia haver.
Como o não há em países bem mais pequenos, geograficamente, como a Grã-Bretanha e a França. Ou a Espanha.
Isso de jornais nacionais é coisa de país pequenininho – repito: pequenininho – como Portugal. Ou Andorra.

E em países onde há vintena e meia de jornais de referência – como os Estados Unidos – ou, pelo memos, uma dezena, como a Grã Bretanha – ou ainda… cinco ou seis, como a França – mesmo quatro ou cinco, como a Espanha – aparecer a figura de um jornal gratuito que condense (com seis décadas de atraso em relação às Selecções do Reader's Digest, no campo dos livros) as principais notícias dos principais jornais… em países onde se vive contra-o-relógio… até se aceita.

E os Estados Unidos, ao contrário do que pensarão, é um excelente exemplo em comparação com Portugal porque, sendo o “padrão” da nova cultura ocidental, não deixa de ser o país com a maior taxa de ileteratia, dos Urais para ocidente, logo, aquele em que muitas fotos e poucas letras é o ideal num jornal.

Os jornais gratuitos eram qualquer coisa que todos devíamos estar à espera. Até que chegaram atrasados. Só que, como em quase tudo… em Portugal não há fome que não dê em fartura e neste momento, contas por alto, já temos tantos gratuitos como a pagar. E a onda ainda não morreu na praia.

Os primeiros apareceram decalcados e como extensão do que já pululava pela Europa civilizada. Com os mesmos nomes até. Só que, bem à portuguesa, peritos que somos no desenrascanso… eis que surge uma segunda via. Os Newspaper Digest das principais empresas já por si dominadoras do mercado. Com uma fórmula infantilmente antes ignorada. Diria mais… desdenhada.

Um formato que condensa as principais notícias de uma série de títulos de um mesmo Grupo. É o Ovo de Colombo. Visto a partir das poltronas de cabedal genuíno das salas dos CA instaladas no último andar de edifícios de 12 andares com vista sobre a cidade.

Mas é o Ovo de Colombo… como?
O Global, por exemplo, e porque o tenho à minha frente.

Será que me convence a comprar o 24 Horas, o Diário de Notícias, o Jornal de NotíciasO Jogo? Claro que não!
O conceito é cumprido à risca. As notícias principais estão lá, condensadas.
Para que hei-de gastar mais dinheiro – ou gastar dinheiro, que este é à borla – se fico a saber a mesma coisa, mais parágrafo, menos parágrafo?

É o Ovo de Colombo para as administrações.
As continhas são feitas à parte e a publicidade angariada pelo Global deixa-o, desde logo, em posição privilegiada.
Consolidando-se o projecto, o Global vai dar lucros enormes em comparação com os títulos por si legalmente pirateados.

E as diferenças serão tais que a administração – comum – mais dia, menos dia vai por em causa a existência de outros títulos do Grupo.

Sejam ou não lidos – para a publicidade o que interessa são os números de jornais impressos que, no caso dos gratuitos, se esgotam todos os dias (ninguém controla as estruturas metálicas onde são depositados, nem se as senhoras da limpeza das estações da CP ou do Metro os deitam às dezenas para o lixo) – são muito mais baratos, em termos gerais, do que aqueles que os alimentam.


E se não forem seis… serão cinco. E se não forem cinco serão quarto e se não forem quatro serão três… até chegar-mos à insana hipótese de um jornal com redacção própria se ver pirateado por um “irmão” que, sem gastos, para além do da impressão, naturalmente dará mais lucro.

Qual vai ser, então o passo a seguir?
Extinguir títulos, nos Grupos que têm vários – o que foi a primeira fase desta intentona contra os jornalistas – e, depois, diminuir os corpos redactoriais nos remanescentes.
E sempre, mas sempre, o gratuito, que usa, de borla, as notícias que custaram, de uma forma ou de outra, dinheiro ao que tem que ser pago, terá mais lucros.
E elimina-se mais um título… ou despendem-se mais jornalistas.
Para condensar as notícias feitas pelos jornalistas seniores, qualquer estagiário serve.

(Devia ser ao contrário, mas não é…)

Enquanto houver UM jornal no conceito tradicional de jornal, haverá notícias que o gratuito pirateia sem custos. Isto é… este continuará SEMPRE a ter resultados financeiros melhores que o primeiro.

Claro que as empresas não podem ACABAR com TODOS os jornais pagáveis.

Senão, onde iriam buscar as notícias de borla?
Mas que, em termos de administração a tendência será sempre a de cortar nas despesas dos que dão menos lucros… disso quem duvida?

Daqui a dez anos já não haverá jornalistas da minha geração.

Dos que foram formados nas redacções.
Todos os outros já devem ter percebido como a máquina funciona. Não há ninguém não descartável.
Na busca do lucro imediato, em menos de um lustro deixará de haver jornalistas a trabalhar nos jornais.

Perguntem-lhe!... Perguntem-lhe...

Luís Felipe Scolari nunca foi uma figura consensual malgrado o trabalho feito e que ficará para sempre na História do nosso futebol. E também não são consensuais os motivos das muitas… azias que têm como motivo o não gostarem dele. Ou porque não vai ver os jogos aos estádios, ou porque não vai aos estádios fora de Lisboa, ou porque fez da Selecção uma espécie de “família-Scolari” e, teimoso, dali não sai.
Ou porque ganha muitooooo dinheiro.
E nós, portugueses, sempre fomos muito invejosos deus nos abençoe...

Há um opinador, na área do futebol, com pouso na SIC-Notícias e nas páginas do Correio da Manhã e do Record, que então, esse é que não lhe perdoa. Nada.

Mas opinador (o que ele é) é uma coisa, e opinion-maker (o que ele acha que é)… outra muito diferente.
Quem se lembra do calendário/relógio – porque para ele aquilo era uma questão arrumada – a marcar as saídas de Nani e João Moutinho do Sporting?

Pois bem, no último sábado, na página inteira que tem no generalista, “lembrou-se” de uma coisa da qual… “jamais” alguém se lembraria: com o Scolari em “baixo” o que é que são “favas contadas”? Exactamente, como anunciava em título: “Mourinho na Selecção”.

Que a qualificação – sem Scolari, claro – é inevitável e que, com Mourinho – claro –, chegar ao título europeu era apenas uma questão de ir somando vitórias.

(Como se o Mourinho – digo eu que não sou especialista em futebol nem quero ser – definitivamente prisioneiro da imagem que criou para si próprio -, alguma vez, no futuro, queira pegar nalguma coisa a meio e depois vir a ser obrigado a dividir louros!)

Entretanto o Mourinho dá uma entrevista, ainda em Londres, aos OCS lusos e descarta liminarmente a hipóteses Selecção antes de chegar à idade da pré-reforma.

O que aliás, e se ele tem uma virtude é a de ser coerente, sempre disse.

“Amuado” o opinador por ver a sua “iluminada previsão” derretida como fatia de manteiga em frigideira quente, hoje, no Record toma posição e “decreta”: “Caridade, não!”.

Eu, que não sou especialista em sociologia, nem em comportamentos – na verdade, não sou especialista em nada – sorri. E lembrei-me de um velho episódio do qual muitos ainda se lembrarão.

Em finais dos anos 80 do Século passado, numa altura de crise na Selecção, um jornalista – já não me lembro quem! – num programa com um painel de convidados, perguntou directamente ao inesquecível Zé Neves de Sousa: Quem acha que poderia vir a treinar a Selecção? E ele respondeu sem pestanejar: Eu!...

Estou convencidíssimo que é essa a pergunta que este opinador espera há anos.

Perguntem-lhe lá quem é que ele acha que deveria treinar a Selecção que o homem está com a resposta entalada.
Ou perguntem-lhe quem deveria treinar o Benfica, o Sporting, o FC Porto ou mesmo o Leixões…

A resposta, tenho a certeza, seria a mesma!