domingo, 23 de setembro de 2007

As velhas Noites da Rádio...

SAUDOSISTA? SIM… ASSUMO-O SEM COMPLEXOS

A notícia li-a, pequenina, na Actual, do Expresso. Acabou o programa “As Horas…”, do António Sérgio, na Rádio Comercial.
A Rádio dos anos 80 e 90 ofereceu-nos grandes, extraordinários, programas “de Autor”. Os nomes, embora tenham ficado na memória, pouco queriam dizer… foram os seus autores/apresentadores que cativaram milhões de ouvintes. Fiéis. Mesmo muito antes de serem inventadas – em claro conluio com as grandes editoras/distribuidores – as famigeradas playlists. Quando nem se sonhava que entregando a gestão de um programa de rádio a um computador, este geraria centenas de programas diferentes… sempre com a mesma dúzia e meia de músicas.

Sempre gostei dos “Programas de Autor”!
Na minha – reconhecida e, sem complexos, assumida – pequenez, cheguei a defendê-los na minha passagem, saudosa (para mim, claro, que não sou assim tão pretensioso) passagem pelas ondas da Rádio.

O fim de “As Horas…” do António Sérgio eram o último programa de Autor que ainda podíamos ouvir.

Não… o “Oceano Pacífico”, que muitos, incluindo eu, ainda ouvem… todos o sabemos que não é mais do que mais uma versão de um “enlatado” onde até a voz do João Chaves é adicionada. Ainda o oiço, claro que sim… mas assim que uma música entre em fade… eu já sei qual é a que vem a seguir, muito antes dos primeiros acordes.

Li a notícia esta tarde. E, assim que a li, espremi a memória para ver se me lembrava do maior número possível de programas com “marca de” e não com A MARCA de…

“Morrison Hotel”, do Rui Morrison e, mais ao menos pela mesma altura, um que jamais esquecerei… “Pretérito Quase Perfeito!”. Não consigo lembrar-me quem era o autor? Era do Morrison também?... Não…

O pior é que depois as memórias embaralham-se e não sei se vou conseguir por o “filho” nas vozes dos “pais” legítimos… mas deixem-me tentar.

Começo, naturalmente, pelo próprio António Sérgio, com o “A Hora do Lobo” ou o “Som da Frente”!
“Voo de Pássaro” do Júlio Montenegro. Era dele o “Pretérito…” ?
Maldita dúvida.
Ou era do Paulo Coelho que me prendia à telefonia ao fim da tarde para ouvir o “Circulo em FM”?
E o “Intima Fracção”, do Francisco Amaral? – que recuperei na Net…

Tchiii... quem é que, com mais de 40 anos não se lembra d’”As Noites Longas do FM Estério”, do António Santos?

E o “Passageiro da Noite”, do Cândido Mota… ok, já num estilo diferente… tal como o “Circulo em FM”…

Não havia televisão por cabo, logo não havia MTV, VH1 nem nenhum outro…
Não havia Internet… e as milhentas possibilidades de procurar, achar e… piratear.

“Roubei” muitos dos programas de que atrás falei. Gravando-o nas velhas cassettes, num velho rádio-gravador. Talvez o meu primeiro grande sonho conquistado com os primeiros ordenados que ganhei, quando comecei a trabalhar aos 17 anos a ganhar… 35,00 € por mês.

A Rádio que, ainda pior do que a televisão, luta para sair de um charco de areias movediças chapinhando exactamente no mesmo charco que as outras – irão todas ao fundo – lentamente vêm a abdicar dos Programas de Autor.


É verdade que, há 25, 30 anos… não só esses autores já dispunham de uma colecção privada de discos aos quais nós já não tínhamos acesso, como tinham hipóteses de chegar a outros antes de eles serem editados em Portugal.
ERA TUDO NOVIDADE.

E a televisão fechava à meia-noite e não havia Internet.
Saudosista? Eu? Neste campo... definitivamente! E assumo-o por completo.

Hoje, oiço a RFM. Apanho aparte final do “Oceano Pacífico” quando me deito… começo a ouvir o João Porto. Mas acontece sempre o mesmo… mal um tema entra em fade away eu começo a trautear o que vem a seguir.
Malditas playlists.

Reencontrei a “Intima Fracção” na net. Pode ser que o António Sérgio assuma o mesmo caminho… então reganharei o prazer de ouvir a sua selecção muito pessoal.

Que sempre admirei. Que admiro.
Que gostava de poder continuar a ouvir.

Em sua substituição lá virá mais uma playlist. Talvez com critérios mais apurados, mas será sempre a diferença entre uma TelePizza e uma PizzaHut.
Nenhuma!

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Queimaram a Maddie?

Li ontem - e ao ver a manchete do Correio da Manhã confesso que estremeci das unhas dos pés à ponta dos cabelos - que a Polícia Judiciária nas últimas semanas andou a investigar... fornos crematórios que, ainda que ilegais, existem no Algarve onde é grande a comunidade de britânicos residentes.
E o Correio da Manhã tentou falar com os donos (holandeses) de um deles.
O tentar, eu percebo. Significa que soube da sua existência.
Não confio se lá foram ao não.
Soube que existe, que funciona e fez um telefonema.
Não responderam? Não faz mal chega para a notícia.

Mas porque é que há fornos crematórios no Algarve se, e esta informação tenho-a como válida, em Portugal só mesmo o do Cemitério Oriental (vulgo, do Alto de São João) está em funcionamento?
Se bem que o Cemitério dos Olivais também tenha um, desactivado, e na mui insuspeita vila de Ferreira do Alentejo, onde eu vivi entre os sete e os dez anos, há outro, mandado construir por um benemérito que não queria que a sua carcassa, depois de morta, fosse devorada pelos vermes.
Mas que também está desactivado...

Porque é que há crematórios no Algarve?
Pois bem - e aqui é precisa alguma fleuma para perceber a maneira de estar dos britânicos - para que os seus "pets" (cãozinhos, gatinhos e outros bixinhos que fazem companhia aos reformados de terras de Sua Majestade que escolheram o Algarve para gozarem as suas reformas) tenham um fim digno daquilo que foram: os melhores amigos dos seus donos.
A alternativa, em Portugal, é atirar os bichos para o contentor do lixo.
Sem respeito por eles, nem por quem, mui honradamente tem que viver do limpar do lixo que todos nós fazemos.

E por isso, parece que há - há de certeza, segundo o Correio da Manhã - crematórios, ainda que ilegais no Algarve. Ilegais só porque não são licenciados - e nós devemos ser os melhores do Mundo a "castigar", no sentido de multar, quem faz aquilo que o Estado devia fazer mas não faz.

Morre o nosso querido Bobby, morre o nosso querido Tareco - e eu já tive cão e gatos, e já morreram e foram (dignamente) enterrados num descampado aqui perto de onde habito - e, num último gesto de reconhecimento... os seus corpos mortos são cremados.
Não me admiraria - nem sequer tenho nada contra - que as cinzas voltem para casa.
Já não para a alcofazinha, mas pelo menos... não são atirados ao lixo.
Esqueçam toda esta parte!

O que realmente interessa é que a PJ á andou a investigar os crematórios que, parece, são mais do que muitos pelo Algarve.

E isto deixa-me aterrado.
Com falta de ar...
E com um rancor - se eu acreditasse em deus, apressar-me-ia a pedir-lhe perdão - de morte em relação aos McCann.

Eles estão tão seguros de que o corpo da sua pequena filha não será encontrado que até desafiaram, no sítio que têm na Internet, a PJ a encontrá-lo para depois os prender...

Eu não quero nem imaginar que tenham tido a coragem - porque até para os maiores actos de cobardia é preciso ter alguma coragem - de terem enfiado o corpito da sua própria filha num caixote qualquer e mandado cremar como se de um simples "pet" se tratasse.

Primeiro: não poderiam ter sido eles a fazê-lo o que junta mais um MONSTRO a esta história; segundo... se isso aconteceu, é evidente que a(s) pessoa(s) donas desses tais crematórios para "pets" jamais terão pensado que estavam a cremar outra coisa que não... um animal de estimação.

Eu sei o que é a Imprensa Sensasionalista.
Também sei que as pessoas que lá trabalham, a maioria, é porque não conseguem um lugar num jornal melhor, mais credível, mas nem admito a hipótese de esta notícia ter sido inventada.
Era abaixo de... não, não era de "pet", era mesmo abjecta.
Por isso considero a hipótese como... provável.

Será que, no meio daquele grupo de amigos britânicos que "só" estavam a passar umas feriazinhas no Algarve... houve uma cabeça demente que se lembrou que a melhor maneira de se livrarem do cadáver da Maddie seria... queimá-lo, como se de um cãozinho se tratasse?

Estou a suar.
Suores frios... só de pensar nisto.
Principalmente porque, se tiver sido esse o caso, a verdade é que jamais se encontrará o corpo.

Não me digam que deus existe, e é melhor para ele que não exista mesmo porque se eu desse de caras com ele usava-o como qualquer trapo molhado para dar na focinheira de quem acredita que ele existe.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Claro Que Somos Xenófobos

Claro que somos xenófobos. Pior do que isso – o que nos torna ainda mais pequeninos – somos invejosos em relação aos sucessos alheios.
E devíamos ter vergonha disso.

Dizendo de outra forma, não somos ostensivamente xenófobos, somo-lo… – e é aí que se centra o vil da questão –, cobardemente xenófobos.
Em que raio de cadinho terá sido moldado o carácter do português?

No que é que se tornou aquele povo que ganhou direito a fazer parte da história da humanidade? Dos intrépidos descobridores, dos valentes combatentes… dos grandes geradores de consensos.

Vejo-me obrigado a vasculhar a minha biblioteca na busca de livros que me sustentem, com histórias provadas, que já fomos grandes.
Agora somos pequeninos.
Vilmente pequeninos.

Somos um povo que “berra” contra as portagens – como se não fosse de todo justo que os seus utilizadores paguem a manutenção de uma via que utilizam – defendendo, mais ou menos ostensivamente, que essa pequena comparticipação (de alguns milhares) seja diluída nos impostos gerais para os quais contribuem 1000 vezes mais pessoas que nem sabem o que é uma auto estrada.
Porque não lhes passa nenhuma perto das suas rotas normais, porque nem sequer têm carro…

Somos, e eu sei bem disso, um povo que, nos respectivos empregos curva sem o menor amor-próprio a espinha a um qualquer “chefe” que lhes é imposto e que eles sabem não reúne o mínimo de conhecimentos para ser chefe de seja o que fôr. À nossa frente, nesta clara falta de personalidade – e de coragem – só sei dos brasileiros que tratam por doutor tudo o que não vista calças de ganga e t’shirt. Mas os brasileiros são um “produto” de Portugal.

Aonde é que eu quero chegar?
Ao “caso” Scolari.

O Senhor Luis Felipe Scolari é uma figura.

Do alto do seu estatuto de treinador Campeão do Mundo – ao que se juntará uma evidente falta de modéstia (mas será isso mesmo um defeito?) e de uma auto-estima acima da média –, Scolari, que foi contactado para dirigir a Selecção Nacional, a quem foram oferecidas condições que, naturalmente, negociou e, é óbvio, fez vingar as suas ideias, chegou a Portugal e, como não é estúpido, rapidamente percebeu os diversos “lobbies” que vingavam e fez aquilo que NENHUM português teria sido capaz de fazer.

Traçou uma linha, manteve-se fiel a essa linha e, como se diz… aos costumes disse nada!

E começou a ganhar.
E, apesar de estrangeiro, soube, de uma forma irrepreensível, cavar o tão fundo quanto era preciso até trazer de novo à superfície os valores de um país que nem era o seu.

Em menos de metade do tempo que o anterior seleccionador levou a desbaratar um terço do capital social da empresa de que é sócio nos casinos de Macau e Hong-Kong – o que foi, merdosamente, branqueado por TODOS os jornalistas que o acompanharam, que sabem mas cobardemente calaram – com medo de quê? – “puxou” a bandeira de Portugal para milhões de janelas – onde, em muitos milhares delas ainda flutuam – e devolver ao Povo português a ideia de Pátria. Ainda que através do futebol.

Foram poucos, muitos poucos e, de entre esses, apenas os do costume - os que protestam quando chove para exigirem sol, e bramem quando faz sol, exigindo chuva - os que se atreveram a escrever contra Scolari.

É evidente porquê. Porque nem eles – porque não qualificados – nem nenhum dos elegíveis para o lugar de Seleccionados Nacional e a quem devem inconfessáveis favores, jamais conseguiriam fazer igual ao que o… brasileiro fez!

E Scolari levou Portugal tão alto como não acontecia desde 1966.
Levou Portugal a vice-campeão Europeu e ao 4.ª lugar no Mundial que se seguiu.

É evidente que, se há clubes – por acaso radicalmente presidencialista – em que é permitido (ou foi, na última temporada) que, cada vez que a equipa marcava um golo, os jogadores corriam para o banco para festejarem com… o guarda-redes suplente, ignorando o técnico da equipa, a Scolari terá de ser reconhecido o direito de… não permitir isso.

E enquanto ganhou jogos, salvo um ou outro papagaio, que se repete, e repete, e repete… ao ponto de já não haver pachorra para o ler, ninguém teve coragem para o contestar.

Somos, endemicamente cobardes.

Ou, dizendo de outra forma, provavelmente mais perto da verdade, somos compulsivos “lambedores de botas”.

Mas pronto… não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe e a Selecção portuguesa está alguns (muitos) furos abaixo daquilo que mostrou valer nos últimos anos.

Era inevitável.

As figuras da nossa Selecção já não eram novas e, sobretudo, estão “podres” de ricos.

Não se esqueçam disto os comentadores encartados quando opinarem sobre a Selecção.

E tentem disfarçar aquilo que poucos conseguem disfarçar: somos xenófobos, sim! Se fosse um técnico português…

Mas há mais. Era inevitável uma remodelação, quase total, da Selecção. E isso acarreta riscos. Que Luís Felipe Scolari correu.

Quem não corre – pelo menos o que deles se esperava – são alguns dos jogadores.

O senhor Deco, que deve a Scolari o passaporte português e o facto de ter conseguido um contrato multimilionário com o Barcelona (onde já não se sente bem, o que é indício mais do que certo de que há na fila quem já está a querer oferecer-lhe mais), devia suar sangue em campo. Porque fica bem a um homem o manter-se reconhecido a quem, um dia, lhe deu a mão…

Mas o futebol é apenas um jogo, e se se soubesse, de antemão, quem ia ganhar… não tinha interesse nenhum.

Desculpem… estou mesmo a chegar ao fim.

É claro que isto tem a ver com o acontecido na 4.ª feira.
Se o jogador sérvio não tem tido aquela reacção reflexa de atirar a cabeça para trás… ah!, se calhar tinha ficado sem um dente ou dois. Scolari “abriu” o braço para bater. Não há dúvidas…

E vai pagar por isso.

E vai haver quem ache – seja qual fôr a sentença que vier a ser proferida – que o castigo foi demasiado leve ou demasiado pesado, conforme o ponto de vista.

O que eu quero mesmo dizer é que, para mim, o Luís Felipe Scolari continua a ser o mesmo Homem, com letra grande, que sempre foi. Que dá a cara, que dá o peito às balas. Teve dez segundos marcados por atitude reprovatória.
Reprovemo-la!
Ninguém tem o direito de bater em ninguém, ainda por cima, sem motivos válidos.

Mas não sejamos tão radicais que aceitamos como “despejado” naquele movimento do braço esquerdo do homem tudo o que ele conquistou para Portugal.

Sabemos todos que há meia dúzia de “delfins” de outras tantas figuras no desemprego.

E que o lugar de Seleccionador nacional podia pagar muitos favores.

Mas pensem duas vezes.

Scolari perdeu a cabeça?
Que ponha a sua própria no tronco, a quem a isso ainda não aconteceu.

Mas, principalmente àqueles que acham que percebem alguma coisa de futebol, não esqueçam que foi ele, Luis Felipe Scolari, quem agarrou numa dúzia de rapazes jeitosos com a bola, fez com eles uma equipa – UMA EQUIPA – que fez tremer os poderosa da Europa e do Mundo, e acaba por estar ligado ao facto de, hoje, os nossos seleccionados virem de meia dúzia de países diferentes, onde representam uma dúzia de clubes do primeiro plano mundial.

Eu VOTO pela continuação de Scolari.

E como sou chato, insisto: pior do que a tentativa de agressão, a quente, e na sequência de quatro jogos em que os JOGADORES não corresponderam à estratégia DESTE técnico… aconteceu no Mundial da Coreia/Japão onde o técnico, na altura, perdia horas no casino, e onde o “adjunto” tinha como função principal recrutar prostitutas.

Estavam lá duas dezenas de jornalistas.

Não me perguntem a mim.
Perguntem-lhes a eles.
Que sabem, com certeza o que se passou naquelas três semanas.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Vejam lá a minha "pontaria"!...

Eu, que nem gosto por aí além de futebol, que não vou a um estádio há sete anos que, mesmo que tenha a televisão sintonizada num canal onde está a dar um jogo de futebol... aproveito para fazer outra coisa e só levanto os olhos ao aumento dos "bruás", eu resolvi ontem escrever aqui um artigo onde vinquei que... gosto (do trabalho) do senhor Luíz Felipe Scolari.

Depois do que vi ontem tenho que acrescentar: mas detesto cenas de wrestling!

Pequeno "grão de areia" no plano para uma... Grande Noite!


Não sei se toda a gente percebeu, mas o “caso da pequena Maddie ficou hoje deslindado.
E, francamente, é nestas situações que eu tenho pena – imensa pena – que, e não sou eu quem os porá em causa, os “direitos do cidadãos” se revelam uma faca de dois gumes.


Pudessem os homens da Polícia Judiciária – em quem acredito piamente – “apertar” devidamente a senhora Kate McCann – sei lá… com tudo! azeite a ferver, arrancando unhas, deixando as formigas morderem-lhe os pés lambuzados de mel – e teríamos o caso resolvido.
E volto ao princípio. Não sei se toda a gente percebeu, mas o “caso da pequena Maddie ficou hoje concretamente resolvido quando, no site que os pais mantêm desde o seu “desaparecimento”, é lançado o “desafio” à PJ portuguesa: encontrem o corpo e então incriminem-nos.

Eles sabem que o corpo não será encontrado!

Passou completamente a fase do “Find Madeleine!”.
Acabou a farsa das missas e das velinhas mais das fitinhas amarelas.
Nem eles – os pais – souberam fingir.

Algumas amigas minhas já mo tinham dito. “Se um filho meu tivesse desaparecido, assim… na hipótese de rapto, eu não dormia, eu não comia, eu não me passeava frente às câmaras de televisão.”

“Eu morria!” – disse-mo uma amiga muito especial.
E eu acredito nela.

Passado todo este tempo, interiorizada toda a informação disponibilizada, hoje já ninguém pode dizer que acredita na hipótese do rapto da criança.

Ok… poderia ter acontecido.


Afinal, os pais são ambos médicos mais ou menos bem sucedidos, mas o primeiro cenário – nisto do desaparecimento de crianças desta idade – é sempre o abjecto móbil da venda.
Sim, da venda.

Às não menos abjectas redes de pedofilia mundial.
Tremo, só de escrever isto.

E foi isso que, no princípio da história, me fez sentir endemicamente solidário com os pais.

E nós – todos nós – postos perante dramas deste calibre até rejeitamos qualquer pensamento menos… coincidente.

Mas passaram os dias, as semanas… os meses.
Ou nos mantemos interessados no assunto – logo, menos fechados a eventuais desvios em relação à história inicial – ou esquecemos. Problema deles.

Mas quem é que pode considerar problema “deles” uma situação que pode acontecer com todos?

E é então que passamos a ser mais racionais.
É evidente – passe a má publicidade, que não é esse o meu objectivo – que quem só lê Correio da Manhã e 24 Horas foi sendo alimentado com a papinha que queria comer.
Aliás, esta chamada de atenção só acontece na sequência do que li noutros OCS.

Li, inclusivé, que, com os seus jornalistas de referência – na secção que cobria o caso – de férias, a cobertura do caso ficou entregue a estagiários ou a quem há muito pouco tempo ainda o era. E li que houve muita prosa que o povão – adepto dos jornais de escândalos – leu e não passava de efabulações. Nada de concreto. Nenhum contacto… apenas o preencher da página inventando o que foi preciso inventar.

Não me admiro nem um pouquinho.

Mas retomemos o essencial.

Aquilo que, de facto, é do conhecimento público.

Sete adultos – três casais mais um descasalado –, todos britânicos e em férias no Algarve, no dia do nefasto… “desaparecimento”, às sete e picos da tarde – em Portugal e em Agosto, quando ainda há, pelo menos, mais duas horas de sol – estão a jantar.

Para nós, é cedo para jantar, mas pronto… respeitemos o relógio biológico de quem nos visita (em Espanha, a essa hora, não tinham mesa para se sentar para um jantar…)

Embora só se fale do casal McCann, havia outros com filhos e, confesso, ainda não percebi se as crianças foram todas postas no mesmo apartamento ou não.
Seria importante saber… como seria importante saber se todas as crianças às sete da tarde bebiam um xarope que as fazia dormir com o sol ainda alto.

Aqui acho que a PJ precisa mesmo de alguém muito forte, incisivo e… sem medo de por o pescoço na guilhotina.

Havia mais casais com filhos. Eu acho que li quase tudo, mas a única informação de que me lembre, assim, agora, é de que os três filhos dos McCann estavam a… dormir.

E os outros?
Eu, francamente, não me lembro de quaisquer referências…

Não posso esquecer a conversa que tive com a minha amiga. Mãe.
Como é que raio, às sete da tarde, com o sol a pino, se põem três – porque das outras ninguém falou – crianças a dormir?
Com sedativos, é claro.

Aliás, e já nestes últimos dias, houve mais um dado novo lançado para uma hipotética discussão mas que não foi aproveitado.

Depois de espoletada a situação do desaparecimento da pequena Maddie, quando todos nós imaginamos um louco vai-e-vem no apartamento, desses momentos só sabemos uma coisa: os gémeos continuaram a dormir o sono dos anjos!

Caramba!
Sono pesado tenho eu… mas ninguém entra no meu quarto que eu não dê por isso.
Ou, pelo menos, e no caso de qem tem três ou quatro anos de idade, pelo menos rabujar.

Depois, e isto já é informação corrente, para além de, segundo o que li, às sete e picos da tarde o grupo de sete adultos já ter “despachado” oito garrafas de vinho, mesmo não questionando que tivessem mantido a previamente combinada “ronda” para ver como estavam as crianças – aquelas três ou todas? Esta informação foi-se diluindo e hoje já não sei ao certo – será que quem saía para a tal ronda… ainda ia em condições de trazer uma informação correcta?

Até aqui mantive-me dentro daquilo que todos puderam ler em todos os jornais e ver e ouvir na televisão.

Acrescentamos novidades.

Que também li, claro, que não estava no Algarve e não conheço essa gente de lado nenhum…

O grupinho de amigos – adultos e contra os quais, neste aspecto, não teço qualquer espécie de juízo – era adepto de uma coisa que nem todos saberão o que é. Trata-se do “swing”, isto é… troca de pares em jogos (chamemos-lhe assim...) de teor sexual.

Hei, hei, hei… nada disso! Não estamos a antever um bacanal de “todos contra todos”, mas da “simples”… troca de parceiro.

Agora…
Agora chega a altura de outra pergunta. Simples e que a polícia há-de ter feito.
Eu vou com a tua mulher para o meu apartamento… tu vais com a minha para o teu… ou porque estas coisas merecem sempre um festejo extra (com álcool, claro) funciona melhor se acontecer no mesmo espaço físico?

Um apartamento, daqueles, como o da Praia da Luz, para além do quarto dos miúdos ainda tem, pelo menos, mais três locais onde… cada um se divirta à vontade.

E volto atrás.

Havia mais casais com crianças. E destas, não ouvi, nem li, nada a respeito de indutores de sono. Só mesmo no caso dos McCann.

Imaginem. Eu, alentejano, sou obrigado a deduzir que a “party” estava planeada para o apartamento dos McCann!...

Por isso, TUDO o que li foi que os convivas – oito garrafas de vinho para sete não é má média, não senhora – ia de meia nem meia hora ver como estavam os miúdos no apartamento dos… McCann.

Que – e não sou eu que digo, apenas cito – aparentemente já tinham como hábito por as crianças a dormir com a ajuda de… sedativos.

Repito-me.
Imaginem…
Às sete da tarde, provavelmente num copo de leite, ou num sumo bem fresquinho, mais à medida do Algarve, as três crianças MaCann ingeriam um qualquer soporífero… que os faria dormir até de manhãzinha.

Entretanto, cada um dos “sete magníficos”, entre uma espetada de gambas e um prato de amêijoas à Bolhão Pato, ia espreitar se as crianças estavam bem.

Deus os louve por isso…

Mas imaginemos – e estamos apenas a imaginar – que numa dessas viagens ao apartamento… ao entrar, o “adulto” de serviço dá de caras com a pequena Maddie acordada e a vadiar pelo apartamento!

Não pode ser!
Foge ao plano estabelecido.

E o vinho, entretanto já bebido… tolda o raciocínio e pode levar a atitudes… extremas.

Que fazer? Estou certo que a primeira intenção foi a de repor o plano inicial.
Por a garota a dormir.

Só que, sem que ela soubesse que estava a ser induzida a dormir era uma coisa… obrigá-la a tomar, fosse o que fosse – ainda por cima com (pelo menos, 75 cl de vinho no bucho) era outra.

E é aqui que se centra todo o caso.

Haverá milhentas teorias mas não é isso que me impede de avançar com a minha própria teoria.

... e a Maddie estava acordada!

A pessoa que foi fazer a “ronda” antes da senhora Kate McCann voltou com a “novidade” de que a Maddie estava acordada.
Que chatice!...
Claro que caberia a um dos pais lá ir tentar repor a… normalidade.
Foi a mãe (custa-me escrever esta palavra….), tão sob os efeitos dos vapores do álcool como os demais.

O que é que aconteceu depois? Pois, se alguém soubesse, o caso estava resolvido.

Saltemos então essa parte se “sombra”.

A senhora McCann vai ver como estão os filhos, volta, talvez algo perturbada e que faz?
(Ainda não sabemos se a Maddie está lá ou não, se está bem, ou não.)
A senhora McCann voltou ao restaurante e sem demonstrar qualquer alteração no seu estado emocional, senão os empregados teriam notado, anuncia que a filha tinha desaparecido.

Façamos, como nos filmes, aqui um “corte” para juntar uma informação também ela confirmadíssima. Investigadas as chamadas feitas pelo seu telemóvel… ela primeiro ligou para uma amiga, jornalista de uma Televisão inglesa – a dizer que a filha tinha desaparecido – e só depois… demasiado tempo depois… ligou à GNR de Lagos (presumo eu, que há muitos anos atrás passei férias na Praia da Luz, mas aquilo ainda era um “deserto”...)

E quando a GNR chegou – sabendo nós o quanto são céleres as nossas polícias – já todo o complexo do “resort” de férias tinha – com a melhor das vontades, e serei o último a dizer o contrário – espezinhado caminhos, relvados, colocado impressões digitais em portas e janelas… tudo com a melhor das intenções de ajudar a procurar a menina

Eu não estou a dizer nada que a polícia não tenha investigado.
Certo que, tratando-se de uma família inglesa, até se compreenda que, antes de mais, tenha procurado ajuda junto dos seus mais próximos…

Mas depois vem o resto.
Aquele “ar” sempre meio “conformado” com o desaparecimento da pequena filha… a grande “prioridade” de arregimentar de imediato “apoios”… tudo coisas que, “a quente” nos passou despercebido a todos.

Mas passaram quatro meses.
Hoje, quem é pai/mãe já tem tempo para pensar um pouco…
Em vez de – e seria de todo aceitável – aparecerem a clamar por um maior empenhamento por parte da forças policiais… que aconteceu?
Começaram a distribuir folhas com a foto da menina, conseguiram o impensável, que foi que o padre da igreja da Praia da Luz lhes entregasse as chaves da igreja e… assumiram perante os diversos OCS um protagonismo que, hoje, a frio, já não é tão fácil de entender assim.

“Rádios? Televisões? Jornais? Fotos?... Eu, se um dos meus filhos tivesse desaparecido não queria ver era ninguém… E se desconfiasse que ele poderia ter sido morto, só queria morrer também!”, insiste em dizer-me uma amiga.

Mas ao que é que nós assistimos nos dias imediatos ao do desaparecimento da pequena Maddie?

Inocentemente, engolimos o isco que nos foi lançado e ficámos, solidários, ao lado dos pais que, no entanto, falavam a tudo o que era OCS.
E só agora podemos perceber isso.
Com uma grande frieza, sem um mínimo de sentimento, sem uma réstia palpável de dor.

Um peluche a rodar entre os dedos e palavras.

Palavras… só palavras.

E outra coisa deveras curiosa mas – lá está, quando se olham as coisas com a inocência que prevalece nos nossos sentimentos quem pensaria outra coisa? – retomo o raciocínio, outra coisa da qual ninguém desconfiou.

Desmontemos o caso, ignoremos os personagens… fiquemos apenas com uma criança desaparecida e os seus pais.
O que é que estes fariam primeiro?

Exactamente!... Se vissem nisso a hipótese de poderem recuperar o filho perdido, gastavam tudo o que tinham, começavam depois por pedir ajuda à família, seguir-se-iam os amigos… a comunidade local

Eu diria que ninguém, em verdadeira dor, se lembraria de abrir uma conta on-line num banco ao segundo dia após o desaparecimento de um filho.

MUITO MENOS sendo pessoas de uma classe média alta.

Afinal de contas, ambos são médicos.

Entretanto, tudo se descontrola.
Não acredito – e repito: NÃO ACREDITO – que a pequena Maddie tenha sido… assassinada. Mas que morreu, devido a um malfadado acidente – que não terá sido do grau mais leve, tendo em conta as últimas informações, e do qual não poderá ser alheio o mais ou menos estado de embriaguez do seu causador – disso, creio já não restam dúvidas.

Retomemos a cronologia dos factos.

Um dos elementos do grupo, cumprido a sua “escala” de verificação de que os miúdos estavam bem, voltou à mesa onde estavam todos. Mas a sua mensagem não terá sido tranquilizadora. A Maddie estava acordada. Então, a seguir foi a mãe.

Temos que confiar no profissionalismo da PJ.

E se a PJ tentou “apertar” a mãe por algum motivo foi.

Que terá acontecido?

A doutora Kate McCann tentou reforçar a dose do habitual – nestas circunstâncias porque, acreditem, não terá sido a primeira vez… – sedativo. A criança não colaborou.

A doutora McCann já tinha, estatisticamente, bebido uma garrafa de vinho mais um sétimo de uma outra… deu uma estalada na criança? É possível...

E esta bateu com a cabeça na parede, ou num móvel...

Fosse o que fosse, como médica, a doutora Kate McCann, quando voltou ao restaurante já sabia que a filha estava morta.

E foi naquele pequeno grupo, meio embriagado, que se definiu a estratégia a tomar.

Houve quem visse a figura de um homem a passar com uma criança nos braços, criança que não fez barulho, não esperneou, não esbracejou… como qualquer criança que estivesse a ser raptada faria.
Porque já estava morta.

Depois… depois foi todo o “circo” montado pelos próprios pais.

Francamente, não sei se a mãe chorou alguma vez ou não frente às câmaras de televisão. Também não me interessa.

Foi o abrir da conta, para ajudar na busca da criança “raptada”, as sucessivas missas… as viagens que chegaram até ao Vaticano, onde, inclusivé, estiveram com o papa…

A vinda dos cães especialistas – provavelmente, a única coisa que escapou ao macabro plano – o sangue, não só no apartamento, mas também num carro alugado três semanas depois do desaparecimento da criança que – e se vier a ser possível provar isto – significará que o corpo morto esteve três semanas debaixo do nariz dos polícias - os cabelos, muitos cabelos (fácil de serem desprendidos de um cadáver) descobertos no mesmo carro…
E a mais terrível das deduções.
Mesmo que acidentalmente, a Maddie foi morta pela mãe.

E o horroroso de tudo isto… pais e amigos encenaram toda uma estória tentando desviar a atenção dos investigadores.

Não fui chamado a ser júri, nem posso ser juiz porque para tal não tenho habilitações. Confirmando-se tudo o que suspeito… que a senhora Kate McCann possa vir a ter uma morte lenta e dolorosa. E na posse de todas as suas faculdades para que não deixe de pensar no que fez. Ou encobriu.

Que será das crianças quando as mães se abstiverem de serem as suas primeiras e mais fiáveis guardiãs?

Será... genético?!!! Não culpem o Scolari

Depois e nos termos “habituado” às fases finais, fosse dos Europeus, fosse dos Mndiais – estou a falar de futebol – olhando para a Selecção de Portugal faz-me lembrar aqueles velhos jogos populares de aldeia (que, entretanto, também se perderam). Erguia-se um poste na praça central da terra, um poste devidamente encebado e o desafio era… subir até ao cimo do poste.
Valia tudo (ou quase, dentro do “não-há-regras-escritas”) por isso, os mais espertos passavam as mãos na terra de forma a que esta contrariasse a escorregadela ao primeiro contacto.
Mas a terra ia ficando a cada palmo de poste conquistado e, não raro, já muito perto do topo o candidato lá escorregava por ali abaixo.

Foi um tempo bom, esse dos jogos de aldeia. Não havia pão, para além daquele que se fazia no forno próprio, não havia trabalho, para além daquele que a pequena jeira de família dava. O mínimo para enganar a fome. Umas couves, umas batatas…
Não vou dizer que fossem felizes esses tempos, mas a felicidade, como tanta coisa na vida, mede-se por comparação. E não havendo padrão melhor… sim, era-se feliz.
Pobre, muito pobre, vergonhosamente pobre num País propositadamente adiado, mas lá vinham, de tempos em tempos, as festas da aldeia e tudo se esquecia. Desempoeirava-se o fato que durava uma vida, que só se usava nos casamentos de família e em alguns baptizados e, por dois ou três dias esqueciam-se as agruras dos outros trezentos e tal, de cada ano.

A verdade é que foi isso mesmo que sempre aconteceu com o futebol nacional. Vestia-se o fato domingueiro, antecipava-se a festa – como se antecipava a glória raramente conseguida de se conseguir chegar ao topo do pau encebado – e depois, corrido o pano sobre o acontecimento, restavam os lamentos e as desculpas.

No futebol estamos exactamente no mesmo estado.

Faz-se a festa de véspera e depois sai-se a chorar o facto de não termos alcançado o topo do pau.

Sendo um desporto colectivo, o futebol, principalmente na última década, faz-se de figuras. Rara é a grande equipa que o é pelo colectivo. Não!
O Benfica tinha o Simão, o Sporting as suas jovens estrelas, o FC Porto o Quaresma, o Lucho, o Anderson…

No entanto, a subida ao estrelato – na maioria das vezes, para não dizer sempre – envergando a camisola da Selecção proporcionou a 180% dos bons jogadores nacionais contratos milionários em clubes estrangeiros.

Não, não é gralha. Não é possível haver 180 por cento de craques… o que acontece é que hoje, graças àquilo que a Selecção proporcionou, quem é português é craque. Ou então expliquem-me lá como é que uma equipa romena tem DEZ jogadores portugueses que, salvo uma ou duas excepções, ninguém conhece?

É o lado cigano do português. É verdade, temos muito de cigano no sentido em que eu entendo os ciganos. Gente boa, antes de tudo, mas que não consegue… exagerar sempre um pouco as suas capacidades.

Para nos impingir uma “Lacoste” que todos sabemos ser de contrafacção, para os CD que ao fim de cinco leituras deixam de se ouvir, para os DVD que à terceira passagem já não têm som e as imagens são, predominantemente cor-de-rosa.

Pronto… já perceberam que eu comprei.

Mas eu admiro os ciganos. Apátridas há centenas de anos, a sua primeira prioridade é a de tentarem sobreviver onde estiverem. Vendem CDs e DVDs piratas? Mas se nós sabemos que são piratas!...


Não são eles que nos enganam. Somos nós que – lá está, não sendo, no essencial, tão diferentes deles assim – arriscamos. Nos cinco DVDs que compramos pelo preço de um… se um se aguentar seis meses já ganhámos o sábado.

Não, não me esqueci que esta crónica é dedicada ao futebol.
E já vão perceber o porquê dos ciganos…

A Portugal, neste Grupo de qualificação calhou um lote de equipas para rir.

Sempre com o maior dos respeitos pelas convicções de cada um.

Ganhávamos este Grupo com as duas pernas às costas e uma venda nos olhos. Mas o que aconteceria depois? Se ganhássemos os jogos todos, os meninos mimadosmonetariamente mimados – iam pensar que, daqui para a frente, não precisariam mais do que aparecer, vestir a camisola e que a instalação sonora do estádio anunciasse o seu nome.

EU GOSTO DO FELIPE SCOLARI.
É, mais do que um bom treinador, um extraordinário condutor de homens.
E ele viu a coisa exactamente como eu a retratei nas últimas linhas.

Porque é que o Scolari insiste num dado grupo de jogadores em detrimento de outros? Porque, com uma cajadada mata dois coelhos. Eleva o moral aos primeiros e gere, conforme pode, a raiva dos segundos.

O que o Scolari não contou foi com a súbita entronização como “deuses” do futebol de alguns dos seus escolhidos. Nem teve tempo para emendar, depois, a mão. Até porque, como qualquer bom condutor de homens… é teimoso.

E a verdade é que, nos dois jogos em casa em que “deveríamos” ter carimbado o passaporte para a fase final deste Europeu… podemos ter hipotecado tudo.

E a raiva do Scolari, no final, quando até protagonizou uma cena que é de lamentar – mais, de condenar – foi a de ter visto que, ao fim de 180 minutos os “perna de pau” e os claramente fora de forma em que ele apostou, com aquele esperança de que se ultrapassariam… não passaram de medíocres intérpretes de uma táctica que ele há muito tinha engendrado.

Um, porque mudou recentemente de clube e não quer correr riscos que prejudiquem a sua carreira nesse mesmo novo clube; outro porque, castigado no campeonato onde joga, atrocina uma festa de arromba – não foi a festa, que na idade dele esse tipo de festas não fazem rombo o pior foram as consequências mediática… depois mais um ou dois que, com medo de decepcionarem o próprio Scolari – que, aparentemente, é o único que acredita neles – não arriscam tudo o que têm para dar…

Resultado… dois jogos em casa, com adversários que era preciso afastar do caminho… deram em dois empates. Por acaso os adversários directos não fizeram melhor, só que faltam menos jogos.

O culpado não é Scolari. Mas a verdade é que agora já não tem tempo para emendar a mão. E vai ser com estes mesmos… “protegidos” que vai ter que conseguir o apuramento para a fase final do Euro’08.

Agora uma coisa ficou completamente clara… apurados ou não, Scolari não vai ficar.


Encontrou um grupo – com as sabidas e honradas excepções que todos sabem – de pernas-de-pau, construiu uma Selecção mas os seus “perna-de-pau” hoje já jogam no estrangeiro.

Provavelmente nunca sequer lhes passou pela cabeça a influência que o trabalho que tiveram com Scolari teve para conseguirem atingir objectivos que muito poucos deles sonhariam sequer. E Scolari, também ele – o outro (se não houver mais) sou eu – também há-de estar com muitas saudades dos “zés-ninguém” que ele transformou em “estrelinhas” do futebol.

É evidente que já, já a seguir vai partir para outra… daqui a três anos três quartos das estrelas portuguesas que conseguiram contratos milionários à custa da Selecção estarão de volta.

O Benfica, o Sporting e o Porto se calhar já não lhes vão pegar… mas há sempre o Braga, o Belenenses ou o Leiria...