quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Pequeno "grão de areia" no plano para uma... Grande Noite!


Não sei se toda a gente percebeu, mas o “caso da pequena Maddie ficou hoje deslindado.
E, francamente, é nestas situações que eu tenho pena – imensa pena – que, e não sou eu quem os porá em causa, os “direitos do cidadãos” se revelam uma faca de dois gumes.


Pudessem os homens da Polícia Judiciária – em quem acredito piamente – “apertar” devidamente a senhora Kate McCann – sei lá… com tudo! azeite a ferver, arrancando unhas, deixando as formigas morderem-lhe os pés lambuzados de mel – e teríamos o caso resolvido.
E volto ao princípio. Não sei se toda a gente percebeu, mas o “caso da pequena Maddie ficou hoje concretamente resolvido quando, no site que os pais mantêm desde o seu “desaparecimento”, é lançado o “desafio” à PJ portuguesa: encontrem o corpo e então incriminem-nos.

Eles sabem que o corpo não será encontrado!

Passou completamente a fase do “Find Madeleine!”.
Acabou a farsa das missas e das velinhas mais das fitinhas amarelas.
Nem eles – os pais – souberam fingir.

Algumas amigas minhas já mo tinham dito. “Se um filho meu tivesse desaparecido, assim… na hipótese de rapto, eu não dormia, eu não comia, eu não me passeava frente às câmaras de televisão.”

“Eu morria!” – disse-mo uma amiga muito especial.
E eu acredito nela.

Passado todo este tempo, interiorizada toda a informação disponibilizada, hoje já ninguém pode dizer que acredita na hipótese do rapto da criança.

Ok… poderia ter acontecido.


Afinal, os pais são ambos médicos mais ou menos bem sucedidos, mas o primeiro cenário – nisto do desaparecimento de crianças desta idade – é sempre o abjecto móbil da venda.
Sim, da venda.

Às não menos abjectas redes de pedofilia mundial.
Tremo, só de escrever isto.

E foi isso que, no princípio da história, me fez sentir endemicamente solidário com os pais.

E nós – todos nós – postos perante dramas deste calibre até rejeitamos qualquer pensamento menos… coincidente.

Mas passaram os dias, as semanas… os meses.
Ou nos mantemos interessados no assunto – logo, menos fechados a eventuais desvios em relação à história inicial – ou esquecemos. Problema deles.

Mas quem é que pode considerar problema “deles” uma situação que pode acontecer com todos?

E é então que passamos a ser mais racionais.
É evidente – passe a má publicidade, que não é esse o meu objectivo – que quem só lê Correio da Manhã e 24 Horas foi sendo alimentado com a papinha que queria comer.
Aliás, esta chamada de atenção só acontece na sequência do que li noutros OCS.

Li, inclusivé, que, com os seus jornalistas de referência – na secção que cobria o caso – de férias, a cobertura do caso ficou entregue a estagiários ou a quem há muito pouco tempo ainda o era. E li que houve muita prosa que o povão – adepto dos jornais de escândalos – leu e não passava de efabulações. Nada de concreto. Nenhum contacto… apenas o preencher da página inventando o que foi preciso inventar.

Não me admiro nem um pouquinho.

Mas retomemos o essencial.

Aquilo que, de facto, é do conhecimento público.

Sete adultos – três casais mais um descasalado –, todos britânicos e em férias no Algarve, no dia do nefasto… “desaparecimento”, às sete e picos da tarde – em Portugal e em Agosto, quando ainda há, pelo menos, mais duas horas de sol – estão a jantar.

Para nós, é cedo para jantar, mas pronto… respeitemos o relógio biológico de quem nos visita (em Espanha, a essa hora, não tinham mesa para se sentar para um jantar…)

Embora só se fale do casal McCann, havia outros com filhos e, confesso, ainda não percebi se as crianças foram todas postas no mesmo apartamento ou não.
Seria importante saber… como seria importante saber se todas as crianças às sete da tarde bebiam um xarope que as fazia dormir com o sol ainda alto.

Aqui acho que a PJ precisa mesmo de alguém muito forte, incisivo e… sem medo de por o pescoço na guilhotina.

Havia mais casais com filhos. Eu acho que li quase tudo, mas a única informação de que me lembre, assim, agora, é de que os três filhos dos McCann estavam a… dormir.

E os outros?
Eu, francamente, não me lembro de quaisquer referências…

Não posso esquecer a conversa que tive com a minha amiga. Mãe.
Como é que raio, às sete da tarde, com o sol a pino, se põem três – porque das outras ninguém falou – crianças a dormir?
Com sedativos, é claro.

Aliás, e já nestes últimos dias, houve mais um dado novo lançado para uma hipotética discussão mas que não foi aproveitado.

Depois de espoletada a situação do desaparecimento da pequena Maddie, quando todos nós imaginamos um louco vai-e-vem no apartamento, desses momentos só sabemos uma coisa: os gémeos continuaram a dormir o sono dos anjos!

Caramba!
Sono pesado tenho eu… mas ninguém entra no meu quarto que eu não dê por isso.
Ou, pelo menos, e no caso de qem tem três ou quatro anos de idade, pelo menos rabujar.

Depois, e isto já é informação corrente, para além de, segundo o que li, às sete e picos da tarde o grupo de sete adultos já ter “despachado” oito garrafas de vinho, mesmo não questionando que tivessem mantido a previamente combinada “ronda” para ver como estavam as crianças – aquelas três ou todas? Esta informação foi-se diluindo e hoje já não sei ao certo – será que quem saía para a tal ronda… ainda ia em condições de trazer uma informação correcta?

Até aqui mantive-me dentro daquilo que todos puderam ler em todos os jornais e ver e ouvir na televisão.

Acrescentamos novidades.

Que também li, claro, que não estava no Algarve e não conheço essa gente de lado nenhum…

O grupinho de amigos – adultos e contra os quais, neste aspecto, não teço qualquer espécie de juízo – era adepto de uma coisa que nem todos saberão o que é. Trata-se do “swing”, isto é… troca de pares em jogos (chamemos-lhe assim...) de teor sexual.

Hei, hei, hei… nada disso! Não estamos a antever um bacanal de “todos contra todos”, mas da “simples”… troca de parceiro.

Agora…
Agora chega a altura de outra pergunta. Simples e que a polícia há-de ter feito.
Eu vou com a tua mulher para o meu apartamento… tu vais com a minha para o teu… ou porque estas coisas merecem sempre um festejo extra (com álcool, claro) funciona melhor se acontecer no mesmo espaço físico?

Um apartamento, daqueles, como o da Praia da Luz, para além do quarto dos miúdos ainda tem, pelo menos, mais três locais onde… cada um se divirta à vontade.

E volto atrás.

Havia mais casais com crianças. E destas, não ouvi, nem li, nada a respeito de indutores de sono. Só mesmo no caso dos McCann.

Imaginem. Eu, alentejano, sou obrigado a deduzir que a “party” estava planeada para o apartamento dos McCann!...

Por isso, TUDO o que li foi que os convivas – oito garrafas de vinho para sete não é má média, não senhora – ia de meia nem meia hora ver como estavam os miúdos no apartamento dos… McCann.

Que – e não sou eu que digo, apenas cito – aparentemente já tinham como hábito por as crianças a dormir com a ajuda de… sedativos.

Repito-me.
Imaginem…
Às sete da tarde, provavelmente num copo de leite, ou num sumo bem fresquinho, mais à medida do Algarve, as três crianças MaCann ingeriam um qualquer soporífero… que os faria dormir até de manhãzinha.

Entretanto, cada um dos “sete magníficos”, entre uma espetada de gambas e um prato de amêijoas à Bolhão Pato, ia espreitar se as crianças estavam bem.

Deus os louve por isso…

Mas imaginemos – e estamos apenas a imaginar – que numa dessas viagens ao apartamento… ao entrar, o “adulto” de serviço dá de caras com a pequena Maddie acordada e a vadiar pelo apartamento!

Não pode ser!
Foge ao plano estabelecido.

E o vinho, entretanto já bebido… tolda o raciocínio e pode levar a atitudes… extremas.

Que fazer? Estou certo que a primeira intenção foi a de repor o plano inicial.
Por a garota a dormir.

Só que, sem que ela soubesse que estava a ser induzida a dormir era uma coisa… obrigá-la a tomar, fosse o que fosse – ainda por cima com (pelo menos, 75 cl de vinho no bucho) era outra.

E é aqui que se centra todo o caso.

Haverá milhentas teorias mas não é isso que me impede de avançar com a minha própria teoria.

... e a Maddie estava acordada!

A pessoa que foi fazer a “ronda” antes da senhora Kate McCann voltou com a “novidade” de que a Maddie estava acordada.
Que chatice!...
Claro que caberia a um dos pais lá ir tentar repor a… normalidade.
Foi a mãe (custa-me escrever esta palavra….), tão sob os efeitos dos vapores do álcool como os demais.

O que é que aconteceu depois? Pois, se alguém soubesse, o caso estava resolvido.

Saltemos então essa parte se “sombra”.

A senhora McCann vai ver como estão os filhos, volta, talvez algo perturbada e que faz?
(Ainda não sabemos se a Maddie está lá ou não, se está bem, ou não.)
A senhora McCann voltou ao restaurante e sem demonstrar qualquer alteração no seu estado emocional, senão os empregados teriam notado, anuncia que a filha tinha desaparecido.

Façamos, como nos filmes, aqui um “corte” para juntar uma informação também ela confirmadíssima. Investigadas as chamadas feitas pelo seu telemóvel… ela primeiro ligou para uma amiga, jornalista de uma Televisão inglesa – a dizer que a filha tinha desaparecido – e só depois… demasiado tempo depois… ligou à GNR de Lagos (presumo eu, que há muitos anos atrás passei férias na Praia da Luz, mas aquilo ainda era um “deserto”...)

E quando a GNR chegou – sabendo nós o quanto são céleres as nossas polícias – já todo o complexo do “resort” de férias tinha – com a melhor das vontades, e serei o último a dizer o contrário – espezinhado caminhos, relvados, colocado impressões digitais em portas e janelas… tudo com a melhor das intenções de ajudar a procurar a menina

Eu não estou a dizer nada que a polícia não tenha investigado.
Certo que, tratando-se de uma família inglesa, até se compreenda que, antes de mais, tenha procurado ajuda junto dos seus mais próximos…

Mas depois vem o resto.
Aquele “ar” sempre meio “conformado” com o desaparecimento da pequena filha… a grande “prioridade” de arregimentar de imediato “apoios”… tudo coisas que, “a quente” nos passou despercebido a todos.

Mas passaram quatro meses.
Hoje, quem é pai/mãe já tem tempo para pensar um pouco…
Em vez de – e seria de todo aceitável – aparecerem a clamar por um maior empenhamento por parte da forças policiais… que aconteceu?
Começaram a distribuir folhas com a foto da menina, conseguiram o impensável, que foi que o padre da igreja da Praia da Luz lhes entregasse as chaves da igreja e… assumiram perante os diversos OCS um protagonismo que, hoje, a frio, já não é tão fácil de entender assim.

“Rádios? Televisões? Jornais? Fotos?... Eu, se um dos meus filhos tivesse desaparecido não queria ver era ninguém… E se desconfiasse que ele poderia ter sido morto, só queria morrer também!”, insiste em dizer-me uma amiga.

Mas ao que é que nós assistimos nos dias imediatos ao do desaparecimento da pequena Maddie?

Inocentemente, engolimos o isco que nos foi lançado e ficámos, solidários, ao lado dos pais que, no entanto, falavam a tudo o que era OCS.
E só agora podemos perceber isso.
Com uma grande frieza, sem um mínimo de sentimento, sem uma réstia palpável de dor.

Um peluche a rodar entre os dedos e palavras.

Palavras… só palavras.

E outra coisa deveras curiosa mas – lá está, quando se olham as coisas com a inocência que prevalece nos nossos sentimentos quem pensaria outra coisa? – retomo o raciocínio, outra coisa da qual ninguém desconfiou.

Desmontemos o caso, ignoremos os personagens… fiquemos apenas com uma criança desaparecida e os seus pais.
O que é que estes fariam primeiro?

Exactamente!... Se vissem nisso a hipótese de poderem recuperar o filho perdido, gastavam tudo o que tinham, começavam depois por pedir ajuda à família, seguir-se-iam os amigos… a comunidade local

Eu diria que ninguém, em verdadeira dor, se lembraria de abrir uma conta on-line num banco ao segundo dia após o desaparecimento de um filho.

MUITO MENOS sendo pessoas de uma classe média alta.

Afinal de contas, ambos são médicos.

Entretanto, tudo se descontrola.
Não acredito – e repito: NÃO ACREDITO – que a pequena Maddie tenha sido… assassinada. Mas que morreu, devido a um malfadado acidente – que não terá sido do grau mais leve, tendo em conta as últimas informações, e do qual não poderá ser alheio o mais ou menos estado de embriaguez do seu causador – disso, creio já não restam dúvidas.

Retomemos a cronologia dos factos.

Um dos elementos do grupo, cumprido a sua “escala” de verificação de que os miúdos estavam bem, voltou à mesa onde estavam todos. Mas a sua mensagem não terá sido tranquilizadora. A Maddie estava acordada. Então, a seguir foi a mãe.

Temos que confiar no profissionalismo da PJ.

E se a PJ tentou “apertar” a mãe por algum motivo foi.

Que terá acontecido?

A doutora Kate McCann tentou reforçar a dose do habitual – nestas circunstâncias porque, acreditem, não terá sido a primeira vez… – sedativo. A criança não colaborou.

A doutora McCann já tinha, estatisticamente, bebido uma garrafa de vinho mais um sétimo de uma outra… deu uma estalada na criança? É possível...

E esta bateu com a cabeça na parede, ou num móvel...

Fosse o que fosse, como médica, a doutora Kate McCann, quando voltou ao restaurante já sabia que a filha estava morta.

E foi naquele pequeno grupo, meio embriagado, que se definiu a estratégia a tomar.

Houve quem visse a figura de um homem a passar com uma criança nos braços, criança que não fez barulho, não esperneou, não esbracejou… como qualquer criança que estivesse a ser raptada faria.
Porque já estava morta.

Depois… depois foi todo o “circo” montado pelos próprios pais.

Francamente, não sei se a mãe chorou alguma vez ou não frente às câmaras de televisão. Também não me interessa.

Foi o abrir da conta, para ajudar na busca da criança “raptada”, as sucessivas missas… as viagens que chegaram até ao Vaticano, onde, inclusivé, estiveram com o papa…

A vinda dos cães especialistas – provavelmente, a única coisa que escapou ao macabro plano – o sangue, não só no apartamento, mas também num carro alugado três semanas depois do desaparecimento da criança que – e se vier a ser possível provar isto – significará que o corpo morto esteve três semanas debaixo do nariz dos polícias - os cabelos, muitos cabelos (fácil de serem desprendidos de um cadáver) descobertos no mesmo carro…
E a mais terrível das deduções.
Mesmo que acidentalmente, a Maddie foi morta pela mãe.

E o horroroso de tudo isto… pais e amigos encenaram toda uma estória tentando desviar a atenção dos investigadores.

Não fui chamado a ser júri, nem posso ser juiz porque para tal não tenho habilitações. Confirmando-se tudo o que suspeito… que a senhora Kate McCann possa vir a ter uma morte lenta e dolorosa. E na posse de todas as suas faculdades para que não deixe de pensar no que fez. Ou encobriu.

Que será das crianças quando as mães se abstiverem de serem as suas primeiras e mais fiáveis guardiãs?

Será... genético?!!! Não culpem o Scolari

Depois e nos termos “habituado” às fases finais, fosse dos Europeus, fosse dos Mndiais – estou a falar de futebol – olhando para a Selecção de Portugal faz-me lembrar aqueles velhos jogos populares de aldeia (que, entretanto, também se perderam). Erguia-se um poste na praça central da terra, um poste devidamente encebado e o desafio era… subir até ao cimo do poste.
Valia tudo (ou quase, dentro do “não-há-regras-escritas”) por isso, os mais espertos passavam as mãos na terra de forma a que esta contrariasse a escorregadela ao primeiro contacto.
Mas a terra ia ficando a cada palmo de poste conquistado e, não raro, já muito perto do topo o candidato lá escorregava por ali abaixo.

Foi um tempo bom, esse dos jogos de aldeia. Não havia pão, para além daquele que se fazia no forno próprio, não havia trabalho, para além daquele que a pequena jeira de família dava. O mínimo para enganar a fome. Umas couves, umas batatas…
Não vou dizer que fossem felizes esses tempos, mas a felicidade, como tanta coisa na vida, mede-se por comparação. E não havendo padrão melhor… sim, era-se feliz.
Pobre, muito pobre, vergonhosamente pobre num País propositadamente adiado, mas lá vinham, de tempos em tempos, as festas da aldeia e tudo se esquecia. Desempoeirava-se o fato que durava uma vida, que só se usava nos casamentos de família e em alguns baptizados e, por dois ou três dias esqueciam-se as agruras dos outros trezentos e tal, de cada ano.

A verdade é que foi isso mesmo que sempre aconteceu com o futebol nacional. Vestia-se o fato domingueiro, antecipava-se a festa – como se antecipava a glória raramente conseguida de se conseguir chegar ao topo do pau encebado – e depois, corrido o pano sobre o acontecimento, restavam os lamentos e as desculpas.

No futebol estamos exactamente no mesmo estado.

Faz-se a festa de véspera e depois sai-se a chorar o facto de não termos alcançado o topo do pau.

Sendo um desporto colectivo, o futebol, principalmente na última década, faz-se de figuras. Rara é a grande equipa que o é pelo colectivo. Não!
O Benfica tinha o Simão, o Sporting as suas jovens estrelas, o FC Porto o Quaresma, o Lucho, o Anderson…

No entanto, a subida ao estrelato – na maioria das vezes, para não dizer sempre – envergando a camisola da Selecção proporcionou a 180% dos bons jogadores nacionais contratos milionários em clubes estrangeiros.

Não, não é gralha. Não é possível haver 180 por cento de craques… o que acontece é que hoje, graças àquilo que a Selecção proporcionou, quem é português é craque. Ou então expliquem-me lá como é que uma equipa romena tem DEZ jogadores portugueses que, salvo uma ou duas excepções, ninguém conhece?

É o lado cigano do português. É verdade, temos muito de cigano no sentido em que eu entendo os ciganos. Gente boa, antes de tudo, mas que não consegue… exagerar sempre um pouco as suas capacidades.

Para nos impingir uma “Lacoste” que todos sabemos ser de contrafacção, para os CD que ao fim de cinco leituras deixam de se ouvir, para os DVD que à terceira passagem já não têm som e as imagens são, predominantemente cor-de-rosa.

Pronto… já perceberam que eu comprei.

Mas eu admiro os ciganos. Apátridas há centenas de anos, a sua primeira prioridade é a de tentarem sobreviver onde estiverem. Vendem CDs e DVDs piratas? Mas se nós sabemos que são piratas!...


Não são eles que nos enganam. Somos nós que – lá está, não sendo, no essencial, tão diferentes deles assim – arriscamos. Nos cinco DVDs que compramos pelo preço de um… se um se aguentar seis meses já ganhámos o sábado.

Não, não me esqueci que esta crónica é dedicada ao futebol.
E já vão perceber o porquê dos ciganos…

A Portugal, neste Grupo de qualificação calhou um lote de equipas para rir.

Sempre com o maior dos respeitos pelas convicções de cada um.

Ganhávamos este Grupo com as duas pernas às costas e uma venda nos olhos. Mas o que aconteceria depois? Se ganhássemos os jogos todos, os meninos mimadosmonetariamente mimados – iam pensar que, daqui para a frente, não precisariam mais do que aparecer, vestir a camisola e que a instalação sonora do estádio anunciasse o seu nome.

EU GOSTO DO FELIPE SCOLARI.
É, mais do que um bom treinador, um extraordinário condutor de homens.
E ele viu a coisa exactamente como eu a retratei nas últimas linhas.

Porque é que o Scolari insiste num dado grupo de jogadores em detrimento de outros? Porque, com uma cajadada mata dois coelhos. Eleva o moral aos primeiros e gere, conforme pode, a raiva dos segundos.

O que o Scolari não contou foi com a súbita entronização como “deuses” do futebol de alguns dos seus escolhidos. Nem teve tempo para emendar, depois, a mão. Até porque, como qualquer bom condutor de homens… é teimoso.

E a verdade é que, nos dois jogos em casa em que “deveríamos” ter carimbado o passaporte para a fase final deste Europeu… podemos ter hipotecado tudo.

E a raiva do Scolari, no final, quando até protagonizou uma cena que é de lamentar – mais, de condenar – foi a de ter visto que, ao fim de 180 minutos os “perna de pau” e os claramente fora de forma em que ele apostou, com aquele esperança de que se ultrapassariam… não passaram de medíocres intérpretes de uma táctica que ele há muito tinha engendrado.

Um, porque mudou recentemente de clube e não quer correr riscos que prejudiquem a sua carreira nesse mesmo novo clube; outro porque, castigado no campeonato onde joga, atrocina uma festa de arromba – não foi a festa, que na idade dele esse tipo de festas não fazem rombo o pior foram as consequências mediática… depois mais um ou dois que, com medo de decepcionarem o próprio Scolari – que, aparentemente, é o único que acredita neles – não arriscam tudo o que têm para dar…

Resultado… dois jogos em casa, com adversários que era preciso afastar do caminho… deram em dois empates. Por acaso os adversários directos não fizeram melhor, só que faltam menos jogos.

O culpado não é Scolari. Mas a verdade é que agora já não tem tempo para emendar a mão. E vai ser com estes mesmos… “protegidos” que vai ter que conseguir o apuramento para a fase final do Euro’08.

Agora uma coisa ficou completamente clara… apurados ou não, Scolari não vai ficar.


Encontrou um grupo – com as sabidas e honradas excepções que todos sabem – de pernas-de-pau, construiu uma Selecção mas os seus “perna-de-pau” hoje já jogam no estrangeiro.

Provavelmente nunca sequer lhes passou pela cabeça a influência que o trabalho que tiveram com Scolari teve para conseguirem atingir objectivos que muito poucos deles sonhariam sequer. E Scolari, também ele – o outro (se não houver mais) sou eu – também há-de estar com muitas saudades dos “zés-ninguém” que ele transformou em “estrelinhas” do futebol.

É evidente que já, já a seguir vai partir para outra… daqui a três anos três quartos das estrelas portuguesas que conseguiram contratos milionários à custa da Selecção estarão de volta.

O Benfica, o Sporting e o Porto se calhar já não lhes vão pegar… mas há sempre o Braga, o Belenenses ou o Leiria...

sábado, 25 de agosto de 2007

EPC

Cultivo, e não o escondo - embora o não ande a apregoar pela rua -, alguma admiração por meia dúzia de figuras, nomeadamente, no meio da escrita e da cultura. Todos nós temos, de forma mais ou menos pública, os nossos ídolos.
Mas eu faço-o sem ser em regime de idolatrização.

Tenho escritores favoritos, como tenho ensaistas, actores, jornalistas e meros - passe a leviandade que se possa traduzir na diminuição das figuras, das pessoas - opinion makers.

Podem abrir-me o Sol, ou mesmo A Bola, na página assinada por Miguel Sousa Tavares, com uma nota de 100 euros dobrada, a pedir para ser recolhida se as ler... que eu vou mesmo almoçar dois ovos estrelados com quatro salchichas de lata, tudo o que os meus 10 euros na carteira podem pagar.

Vicente Jorge Silva será fenomenal... mas não leio.

Mas porquê chamar aqui quem NÃO LEIO quando o que quero dizer é que hoje morreu um dos pensadores que eu não perdia.
Eduardo Prado Coelho corre o risco de, daqui a meia dúzia de meses ser esquecido porque a memória dos homens apenas guarda as paixões assolapadas e os ódios de estimação.

Reconheço que ele pode ter sido capaz de varrer todo o espectro de opiniões, de um extremo ao outro; que Eduardo Prado Coelho é capaz de ter sido o mais concensual de todos os opinion makers... e daí a incongruência. Como vai faltar gente para dizer mal dele... rapidamente será esquecido.

O que seria uma pena.
Eu lia o Eduardo Prado Coelho.
E admirava a sua escrita.
E venho aqui só para dizer, por detrás da sombra da minha pequenez que... perdemos uma grande figura das letras e do jornalismo, enquanto fazedor de opinião.
R.I.P.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Poupar aonde Senhor Presidente?

Hoje, o nosso Presidente da República, nem sei bem a que propósito que estava a jantar e na conversa e só entrei no “assunto” depois, apareceu a pedir, ou a alertar… para que as autoridades do Poder Local gastem, com maior responsabilidade, o dinheiro que lhes cabe no Orçamento do Estado.

Acrescentou que… é preciso gerir bem o dinheiro.
Que o País tem vindo a ser penalizado por Bruxelas por não cumprir (não sei o quê!...) e que aquele dinheiro deve ser gasto beneficiando as populações.
Ok.

Infelizmente, mas as figuras continuam aí quase elevadas ao estatuto de pop-stars, temos meia dúzia de casos de… sacos azuis e quejandos. De contas na Suíça, fora aquelas de que ninguém ainda encontrou rasto…
Ok…

O dinheiro que todos os meses nos falta nos últimos 25 dias de cada mês dá-nos, a nós, o mais comum dos cidadãos, uma perspectiva bem real de que se nós não o temos… alguém o há-de andar a gastar. Serão as autarquias? Sim. Se calhar sim…
Bem? Mal?
Aqui já depende da perspectiva.

O Estado central nunca se confessou. Os pecados – que, como escrevi – acontecem, podem bem ir além dos casos que vieram a conhecimento público mas…

… mas, em mais de 50% dos concelhos, não fora o respectivo “governo” local e o número de desempregados ainda era maior. Falo do Alentejo, por exemplo, onde o maior empregador, desde há um bom punhado de anos, são as câmaras municipais.

O Governo central escolhe a dedo os poucos exemplos que são excepção para os mostrar nos telejornais, sempre enfeitados com um ministro ou um secretário de Estado.

Manifestações culturais?

Não fora as iniciativas locais e o que sobraria?
O mesmo digo em relação ao desporto.
Seja – desde que fujamos ao exemplo pornográfico da Madeira – apoiando os clubes da terra ou, por exemplo, patrocinando uma coisa que se chama Volta a Portugal em bicicleta. Ou a maioria das outras provas.

O que seria do Ciclismo sem a ajuda das autarquias – embora eu defenda que, basta tentar seguir os exemplos, os bons exemplos, que vemos lá fora, era possível fazer uma Volta sem pedir demasiado às Câmaras. O que, por cá ainda não acontece.

Senhor presidente…
Estava Vossa Excelência a pedir que os Isaltinos de Morais deste País não engordem as suas contas num qualquer banco da Suíça, ou que mandem para o desemprego mais umas centenas de milhares de cidadãos que não têm outro emprego que não seja o de… varrer as nossas ruas?
Estava Vossa Excelência a pedir que as Fátimas Felgueiras não diluam em sacos azuis – de onde tiram o que querem, quando querem – os donativos pedidos em nome do mais comum dos cidadãos?
Estava Vossa Excelência a pedir exactamente o quê?

Que se matem as pequenas colectividades?
Que se assassine o Ciclismo, por exemplo?

O que seria do Ciclismo se não fossem as autarquias?
E já agora, pode Vossa Excelência saber se o Estado, no seu todo, recebe mesmo os dinheiros que o Ciclismo tem que pagar?

Às polícias, por exemplo?

domingo, 12 de agosto de 2007

Mas quem é que nos livra d'ele?

A tronitante figura do cacique João Jardim, o mesmo que recusa às mulheres da RA da Madeira o direito à IVG por alegada falta de recursos financeiros, acaba de perdoar dividas no valor de 280 mil euros aos três principais clubes de futebol lá da terra com a desculpa esfarrapada de estar a ajudá-los a cumprir o seu papel social.

Isto é, os meus impostos, que não chegam para o senhor João "poncha" Jardim cumprir com uma decisão a que o Povo Português obrigou o Estado, estão a ajudá-lo a ajudar os clubes de futebol da região a contratar treinadores brasileiros e jogadores de todas as paragens deste santo Mundo. Porque madeirenses contam-se pelos dedos de uma mão. Isto tudo, e apesar de tudo, com o beneplácito do mesmo Estado.

E se eu não quiser contribuir, com os meus impostos, para que o senhor Jardim mantenha as suas mordomias, num estatuto quase medieval de dono e senhor de uma coutada onde ele quer, pode e manda?

Tenho ou não direito a isso?
Os dinheiros, entre receitas de jogo, do que é proveniente do turismo e dos off-shore que detém no seu território não lhe chegam para alimentar os seus cães de fila? Incluindo os clubes de futebol?
E porque é que o clube da minha terra, por dívidas contraídas, se viu relegado, em dois anos, da liga profissional à II divisão distrital e eu tenho que pagar treinadores brasileiros e croatas, e jogadores de toda a parte do Mundo para que os clubes madeirenses se mantenham na órbita dos profissionais?

E quando é que é feita uma Lei que me permita a mim, e a todos os cidadãos mais conscientes deste país, decidir o que querem fazer com os seus impostos?

Por exemplo... criando uma lista de instituições que, sendo financiadas pelo Estado, logo, com o nosso dinheiro, nós possamos financiar directamente?

Explico... porque é que eu não posso, na minha declaração de IRS, indicar que quero encaminhar a minha contribuição social para o Instituto Português de Oncologia, por exemplo. Em vez de o mandar para o grande saco de onde, depois, parte do total acumulado vai para a Madeira onde o senhor Jardim cerceia às mulheres locais um direito conquistado por todas as suas iguais, e depois perdoa as dívidas dos clubes profissionais de futebol?

Era simples... a cada um de nós era permitido decidir a quem queríamos doar a nossa contribuição social.
Se houvesse quem não se importasse que o seu dinheiro fosse para contratar jogadores brasileiros para o Marítimo ou para o Nacional... eu estava-me cagando!
Queria era ter a certeza de que o MEU dinheiro não ia parar à quinta do senhor Jardim.
Nem da senhora Felgueiras, nem do senhor de Oeiras - que nem me lembro do nome dele!

sábado, 11 de agosto de 2007

Tenho vergonha!!!! (Onde me posso esconder?)

Céus... quem explica estas conduções de emissão tendenciosamente a pender para o lado do FC Porto por parte dos jornalistas das RTP?

Eu sei, todos sabemos que já levaram umas chapadas valentes, por parte de associados do emblema do dragão, mas... querem ser jornalistass ou não?

É vergonhosa a inclinação dos "jornalistas" - tenho que por aspas... por tudo o que estamos a ver e a ouvir - para o lado do azul-e-branco.

Se calhar era melhor a RTP, na defesa da integridade dos seus assalariados - que não conseguem "despir a camisola" - deixá-los de fora destes jogos.

Destes e de todos os outros.